terça-feira, 23 de setembro de 2014

Estudo mostra sub-representação de minorias nas eleições

Uma pesquisa do Instituto de Estudos Socioeconômicos (Inesc) divulgada na sexta-feira (19) revela que mulheres e povos indígenas aparecem sub-representados nas candidaturas das eleições deste ano. A população negra, apesar de aparecer com um percentual considerado "expressivo" de candidatos, 44,2% do total, ainda esbarra em dificuldades para eleger representantes.
Mesmo somando mais da metade da população brasileira (51,04%), o estudo aponta que as mulheres continuam sendo minoria entre as candidatas. Mesmo somando mais da metade da população brasileira (51,04%), o estudo aponta que as mulheres continuam sendo minoria entre as candidatas.
O levantamento analisou dados do Tribunal Superior Eleitoral (TSE), adotando critérios como raça/cor, unidade da Federação, partido político e cargo escolhido. O resultado foi apresentado durante o seminário "Desigualdades no Parlamento: Sub-representação e Reforma do Sistema Político", em Brasília.
De acordo com a publicação, a sub-representatividade de mulheres, negros e índios decorre de campanhas subfinanciadas, menor tempo de exposição na mídia, além de mecanismos dos partidos que privilegiam candidatos homens, brancos e que já assumiram algum cargo público.
Mulheres
Mesmo somando mais da metade da população brasileira (51,04%), o estudo aponta que as mulheres continuam sendo minoria: de um total de 25.919 candidatos registrados no TSE, apenas 30,7% são mulheres, das quais 16,5% são brancas e 14,2% são negras. Em 2010, as mulheres somavam 22,4% do total de candidatos.
Segundo o Inesc, a evolução na participação feminina está principalmente relacionada à exigência legal que prevê um percentual mínimo de 30% de candidaturas femininas.
"Enquanto crescem as candidaturas femininas, o número de mulheres eleitas ainda é muito baixo", avalia Guacira Oliveira, representante do Centro Feminista de Estudos e Assessoria (Cfemea). Em 2010, as mulheres ocuparam 8,8% das vagas da Câmara dos Deputados e 14,8% das vagas do Senado.
Para Guacira, as representantes do sexo feminino ainda não disputam em igualdade de condições. "Hoje, um dos grandes valores que agregam e viabilizam uma candidatura é o fato de o pretendente já estar no poder. Ou seja, as mulheres são subfianciadas e têm menos espaço", conclui.
Negros
Em relação ao critério raça/cor, o levantamento aponta para uma sobrerrepresentação de brancos em todas as regiões do País, com 55% das candidaturas. Os candidatos negros representam 44,2% do total, número considerado expressivo.
Pretos e pardos aparecem proporcionalmente em maior número em partidos menores, como PCdoB, PCO, PSTU e Psol. Apesar de as candidaturas de negros terem sido consideradas significativas, o levantamento questiona os motivos que levam tão poucos negros a se eleger.
"As candidaturas são bastante expressivas. O espaço já é concedido, mas o poder não é dividido. Não só nas eleições, mas em todos os espaços da sociedade. E a pesquisa espelha isso", diz Tatiana Dias Silva, técnica de planejamento e pesquisa do Instituto de Pesquisa Econômica Aplicada (Ipea).
Tatiana também cita diferenças na distribuição dos recursos de campanha e no próprio apoio político oferecido aos candidatos dentro dos partidos.
Índios
Por sua vez, a representatividade indígena foi considerada inexpressiva. Dos cerca de 503.914 mil indígenas do País, apenas 83 são candidatos nas eleições deste ano, dos quais 27 são mulheres indígenas.
O levantamento revela maior interesse dos índios por cargos regionais, por estarem mais próximos do local onde vivem. As candidaturas estão concentradas nas vagas para deputado estadual (51) e deputado federal (24). Há ainda três candidaturas ao Senado e uma a vice-governador.
Os jovens, apesar de corresponderem a 51% da população brasileira, também aparecem sub-representados, com 6,8% das candidaturas.
Da Redação do Vermelho em Brasília  - Com Agência Senado

segunda-feira, 22 de setembro de 2014

Brasil irá responder por um terço da oferta mundial de petróleo

Lula, Dilma Rousseff e Edison Lobão com o primeiro óleo extraído do pré-sal em Jubarte, na Bacia de Campos, em 2008
Lula, Dilma Rousseff e Edison Lobão com o primeiro óleo extraído do pré-sal
em Jubarte, na Bacia de Campos, em 2008

O Brasil vai desempenhar um papel central no atendimento das necessidades de petróleo no mundo até 2035, respondendo por um terço do crescimento líquido da oferta mundial do produto. É o que afirma o estudo World Energy Outlook 2013, da Agência Internacional de Energia.


O salto na produção de petróleo do País foi lembrado pela presidente da Petrobras, Graça Foster, durante a Rio Oil & Gas 2014 Expo and Conference realizada nesta semana, no Rio de Janeiro.

“O Brasil pula do 13º lugar com 2,2 milhões de barris de petróleo [em 2012], para o 6º lugar, segundo determinadas premissas”, lembrou Graça. Por isso, a empresa busca a liderança no mercado.“Disciplina é fundamental e nós podemos tornar-nos um player ainda mais importante no cenário mundial”, comentou.

A Rio Oil & Gas 2014 Expo and Conference reuniu durante quatro dias especialistas nacionais e estrangeiros, além de representantes de empresas que atuam no setor.

Novos profissionais

O presidente do Instituto Brasileiro de Petróleo, Gás e Biocombustíveis (IBP), João Carlos de Luca, destacou que, neste ano, o encontro bateu recorde na presença de estudantes do Programa Profissional do Futuro.

“Esse é um projeto que o Brasil vem liderando, diferentemente de outros países, que têm dificuldade de atrair jovens para o mercado de trabalho. Na edição passada nós tivemos 2.500 universitários e este ano foram mais de 3 mil”, disse.

De Luca destacou ainda assinatura de um acordo de cooperação entre o IBP e o IFP, que é o seu correspondente francês. “É uma possibilidade de acordo para promover em conjunto cursos e seminários. Ter o IFP conosco, que é uma instituição de tradição, é mais um prestígio para o Brasil”, analisou.

Fonte: Portal Brasil com informações da Agência Brasil via Vermelho

Campanha Salarial 2014: Queremos mais que 7% dos bancos. Comando aponta greve para dia 30

A exemplo das proposições de caráter social apresentadas na quarta-feira 27, o Comando Nacional dos Bancários também considera insuficientes as propostas de caráter econômico trazidas à mesa pela Fenaban na sexta-feira 19, na sétima rodada de negociações da Campanha 2014, que incluem reajuste de 7% no salário (0,61% de aumento real), na PLR e nos auxílios refeição, alimentação e creche, além de 7,5% no piso (1,08% acima da inflação). E aprovou um calendário de mobilização para pressionar os bancos a apresentarem novas propostas que atendam as expectativas da categoria, apontando para a deflagração de greve por tempo indeterminado a partir de 30 de setembro, com assembleias deliberativas nos dias 25 e 29.

"É uma novidade em relação aos anos anteriores os bancos apresentarem uma primeira proposta já com aumento real e valorização do piso. Isso é importante para nós porque é um reconhecimento da necessidade de os bancários terem aumento acima da inflação e os pisos ainda mais valorizados, mas os índices de reajuste são muito insuficientes diante do lucro do sistema financeiro. Queremos mais. Além disso, a Fenaban não apresentou propostas para proteger o emprego, combater o assédio moral e melhorar a segurança, que hoje são demandas fundamentais para os bancários", avalia Carlos Cordeiro, presidente da Confederação Nacional dos Trabalhadores no Ramo Financeiro (Contraf) e coordenador do Comando Nacional.

"Pela longa tradição de luta, os bancários sabem que todas as conquistas da categoria são resultado da sua capacidade de construir a unidade nacional, de se mobilizar e de pressionar os banqueiros. Agora é hora de estreitar a unidade e intensificar a mobilização em todo o país para que possamos fazer uma campanha melhor ainda que no ano passado e alcançar novas conquistas", acrescenta Cordeiro.





A proposta econômica dos bancos

Reajuste de 7% (0,61% de aumento real).

Piso portaria após 90 dias - 1.235,14 (7,5% ou 1,08% de aumento real).

Piso escritório após 90 dias - R$ 1.771,73 (1,08% acima da inflação).

Piso caixa/tesouraria após 90 dias - R$ 2.393,33 (salário mais gratificação mais outras verbas de caixa), significando 1,08% de aumento real).

PLR regra básica - 90% do salário mais R$ 1.812,58, limitado a R$ 9.723,61. Se o total ficar abaixo de 5% do lucro líquido, salta para 2,2 salários, com teto de R$ 21.391,93.

PLR parcela adicional - 2,2% do lucro líquido dividido linearmente para todos, limitado a R$ 3.625,16.

Antecipação da PLR
Primeira parcela depositada até dez dias após assinatura da Convenção Coletiva e a segunda até 2 de março de 2015. 

Regra básica - 54% do salário mais fixo de R$ 1.087,55, limitado a R$ 5.834,16 e ao teto de 12,8% do lucro líquido - o que ocorrer primeiro.

Parcela adicional - 2,2% do lucro líquido do primeiro semestre de 2014, limitado a R$ 1.812,58

Auxílio-refeição - R$ 24,14.

Auxílio-cesta alimentação e 13ª cesta - R$ 425,20.

Auxílio-creche/babá (filhos até 71 meses) - R$ 353,86.

Auxílio-creche/babá (filhos até 83 meses) - R$ 302,71.

Gratificação de compensador de cheques - R$ 137,52.

Requalificação profissional - R$ 1.210,04.

Auxílio-funeral - R$ 811,92.

Indenização por morte ou incapacidade decorrente de assalto - R$ 121.072,92.

Ajuda deslocamento noturno - R$ 84,75.


veja aqui as propostas dos bancos sobre as reivindicações não econômicas, também insuficientes na avaliação do Comando Nacional.

A Contraf está enviando orientações jurídicas aos sindicatos sobre o cumprimento dos prazos para realizações de assembleias e decretação da greve.

Calendário

Setembro
24 - Quarta rodada de negociação específica com o Banco da Amazônia.
24 e 25 - Terceira rodada de negociação específica com o Banrisul.
25 - Assembleia para aprovar greve a partir do dia 30.
26 - Quinta rodada de negociação com o Banco do Brasil.
26 - Segunda rodada de negociação específica com BNDES
29 - Assembleia para deflagração da paralisação
30 - Greve nacional por tempo indeterminado

Outubro
1º e 2 - Quarta rodada de negociação específica com o Banrisul
2 - Manifestações em frente aos prédios do Banco Central, em defesa de um BC independente do mercado financeiro.

Fonte: Contraf

O que está em jogo sobre os direitos dos trabalhadores nas eleições

O que está em jogo sobre os direitos dos trabalhadores nas eleições
Agência Brasil
O que está em jogo sobre os direitos dos trabalhadores nas eleições

A primeira candidata a publicar um programa de governo foi Marina, que incorpora de forma explícita as principais demandas empresariais sobre a regulação do trabalho: aumento da liberalização da terceirização; possibilidade da negociação de direitos; mudança da definição do que é trabalho análogo ao escravo. 

Por José DariKrein* e Vitor Filgueiras**, no Brasil Debate


A regulação do trabalho é um dos temas centrais do grande empresariado no Brasil, desde os anos 1990, dentro do contexto das reformas liberalizantes.


É o tema, por exemplo, de destaque na agenda das duas mais importantes entidades patronais, a CNI (Confederação Nacional da Indústria) e a CNA (Confederação Nacional da Agricultura), que publicaram suas demandas nas últimas semanas (respectivamente, Propostas da indústria para as eleições 2014 e O que esperamos do próximo presidente 2015-2018).

A primeira candidata a publicar um programa de governo foi Marina Silva, que incorpora de forma explícita as principais demandas empresariais sobre a regulação do trabalho: 1) o aumento da liberalização da terceirização; 2) a possibilidade da negociação de direitos; 3) a mudança da definição do que é trabalho análogo ao escravo.

Em relação à terceirização, consta nas páginas 75 e 76 do programa de Marina que a: “terceirização de atividades leva a maior especialização produtiva, a maior divisão do trabalho e, consequentemente, a maior produtividade das empresas.”, que “há no Brasil um viés contra a terceirização” e que “existe hoje no Brasil um número elevado de disputas jurídicas sobre a terceirização de serviços com o argumento de que as atividades terceirizadas são atividades fins das empresas. Isso gera perda de eficiência do setor, reduzindo os ganhos de produtividade”, concluindo que irá “Disciplinar a terceirização de atividades com regras que a viabilizem”.

As pesquisas acadêmicas demonstram que a terceirização é uma forma de gestão do trabalho fortemente precarizante e estritamente relacionada às piores formas de exploração do trabalho e aos acidentes fatais. Portanto, ampliar sua liberalização provocará piora das condições de trabalho e de vida de grande parte da população.

Ao tratar da questão sindical, em que pese afirmar não pretender desregulamentar direitos individuais, abre a possibilidade de eles serem objeto de negociação, após mudanças na estrutura sindical, como está expresso na página 52. “…um passo importante será fomentar legislação favorável à autonomia e à liberdade sindical, que possa trazer mais segurança jurídica às relações entre empregado e empregador, ao mesmo tempo em que fortaleça o papel dos sindicatos nas negociações, facilitando sua organização nos locais de trabalho”.

A proposta aparentemente positiva de um suposto fortalecimento dos sindicatos, na forma como está anunciada abre a possibilidade de as normas trabalhistas serem passíveis de negociação com os sindicatos, o que pode expressar-se na supressão ou redução de direitos consagrados.

É um discurso evasivo e permeado de contradições, que busca agradar a atores sociais com interesses conflitantes.

Por fim, mas não menos grave, na página 204, o programa promete: “propor nova redação para o Artigo 149 do Código Penal, de modo a tipificar de forma mais precisa o crime de submeter alguém à condição análoga à de escravo”. Mais uma vez, abraça explicitamente o pedido empresarial contra os direitos trabalhistas.

A redação do referido artigo é clara ao definir como crime submeter trabalhadores a condições semelhantes ou piores do que aquelas vividas pelos escravos do século 19, seja por meio de coerção individual, seja por submissão a condições degradantes ou jornadas exaustivas, conforme é sistematicamente detectado pelas instituições públicas do trabalho.

Mudar o artigo é parte de uma campanha feroz contra a existência de limites à exploração do trabalho, que é exatamente o que está previsto na atual redação do Código Penal.

Os efeitos dessas propostas serão desastrosos para um mercado de trabalho que precisa, ao contrário de reduzir direitos (cujo eufemismo é flexibilizar), fortalecer a efetivação dos direitos existentes e ampliar a proteção social.

As cerca de 100 milhões de pessoas que vivem do trabalho precisam ter consciência do que está em jogo neste momento.

*José DariKrein é pesquisador do CESIT (Centro de Estudos Sindicais e Economia do Trabalho do Instituto de Economia) da Unicamp.

**Vitor Filgueiras é pesquisador do CESIT (Centro de Estudos Sindicais e Economia do Trabalho do Instituto de Economia) da Unicamp.


Fonte: Vermelho

Dilma: "Vamos construir mais três milhões de moradias populares

Dilma tratou de temas como mobilidade urbana, educação, moradias e acessibilidade em seu programa 
Reprodução
Dilma tratou de temas como mobilidad urbana, educação,
 moradias e acessibilidade em seu programa 

O programa eleitoral de sábado (20), da candidata à presidência Dilma Rousseff, lembra que domingo (21) é celebrado o Dia Nacional de lutas das Pessoas com Deficiência e neste sentido, a peça publicitária tratou do programa Viver sem Limite, voltado para a área. Ao falar sobre o Minha Casa Minha Vida, a presidenta anunciou a construção de mais três milhões de moradias no país.

A propaganda ressaltou a garantia de uma maior qualidade de vida para essa parcela da sociedade que representa 23,9%, para isto, a presidenta criou o Plano Nacional dos direitos da pessoa com deficiência, que concentra suas ações no programa “Viver sem Limite”.

Dilma afirma que o programa mobiliza esforços e recursos de diversos ministérios por um único objetivo: “Vamos garantir autonomia, oportunidade e direitos, com politicas publicas para que as pessoas com deficiência possam viver com mais plenitude, liberdade e mais dignidade. Por isso, o programa Viver sem Limite ainda vai crescer muito, tornando o Brasil um país cada vez mais inclusivo, que não discrimina e nem exclui”.

Mobilidade urbana na Bahia

No governo da presidenta Dilma, finalmente o metrô de Salvador saiu do papel e já está sendo ampliada a sua malha, entre outras obras, como a construção de estradas e viadutos, os investimentos também aparecem no porto da capital baiana e nas obras de integração oeste-leste.

Educação é prioridade

A peça publicitária apresentou o legado da educação como um dos grandes frutos do seu governo. Programas como o Fies, ProUni e Ciências sem Fronteiras e Pronatec contribuíram para a democratização do acesso ao conhecimento e ao mercado de trabalho.





Maior programa habitacional da história


Segundo Dilma, a família é o centro de tudo e a casa própria é a sua maior defesa. “A casa própria é a maior alicerce seguro de novos sonhos, um porto seguro. Não vou me conformar em ser a presidente que mais entregou habitações populares na história e quero fazer mais. Por isso, assumo o compromisso de realizar a terceira etapa do Minha Casa, Minha Vida e entregar mais três milhões de casas à população”.

“Nem que vaca tussa!”

Sobre as conquistas trabalhistas, Dilma afirmou que não altera seus direitos: “Nem que vaca tussa”, e na próxima sexta-feira (26), será o Dia Nacional pela Mobilização em Defesa do Trabalhador, que tomará as ruas de todo o Brasil, reafirmando que o povo brasileiro diz “não” ao retrocesso e a volta da miséria.

Laís Gouveia, da redação do Vermelho

Esquenta o debate eleitoral sobre temas sociais e trabalhistas

Ligado ao tema do desenvolvimento nacional soberano e à luta pela ampliação e aprofundamento da democracia, mais uma vez o debate sobre as questões sociais e trabalhistas emerge como um dos aspectos mais relevantes da campanha eleitoral. 

Nos últimos dias, ocupou o principal lugar da cena política a partir de mais uma declaração de Marina Silva, quando a candidata do PSB, percorrendo afanosamente o caminho ditado pelos espúrios interesses do capital financeiro, sinalizou que, caso eleita, proporá modificar a Consolidação das Leis Trabalhistas (CLT), numa clara ameaça de regressão. 

A pretendente ao Planalto reitera, assim, posições que afrontam os interesses dos trabalhadores e contradizem o próprio partido, que antes de romper com a aliança progressista liderada pela presidenta Dilma Rousseff, no ano passado, saindo do governo e postulando candidatura própria à Presidência da República, sempre foi sensível às lutas sociais e à pauta do mundo do trabalho.

No mesmo caminho de aproximação com os setores mais reacionários da sociedade, Marina Silva fez acenos positivos aos latifundiários capitalistas, que lideram o setor da economia mal chamado de agronegócio. Ela se mostrou disponível para flexibilizar o conceito de trabalho escravo, quando o tema voltar a debate legislativo para a regulamentação da já aprovada Proposta de Emenda Constitucional que penaliza a odiosa prática, ainda recorrente na dura vida rural brasileira.

É possível, como em outros episódios do debate eleitoral, que as redações dos jornais e portais noticiosos e opinativos, entre estes o Portal Vermelho, recebam “notas de esclarecimentos” e “desmentidos”, alegando que não foi exatamente isso que afirmou a candidata e acusando-nos de cobertura unilateral e tendenciosa. 

Contudo, a discussão pública entre os candidatos já demonstrou a existência de visões antagônicas sobre os temas que envolvem as questões social e trabalhista, entrelaçadas com o debate sobre a política macroeconômica e o desenvolvimento nacional. 

Para escapar à justa acusação de que vão liquidar as conquistas sociais dos últimos 12 anos, em termos de políticas públicas de combate à pobreza extrema, os dois candidatos do campo neoliberal e conservador – Aécio Neves e Marina Silva – têm prometido demagogicamente que vão ampliar essas políticas, o que é de todo impossível no quadro dos seus projetos econômico-financeiros claramente recessivos, cuja aplicação requer o corte de direitos, o desemprego e o arrocho salarial. 

Num esforço desesperado para escamotear seus laços de subordinação ao capital financeiro, o candidato do PSDB Aécio Neves, reunido com a banda podre do sindicalismo, apresentou uma espécie de “talk show” no seu programa televisivo que foi ao ar no último sábado (20) para propor generalidades e difundir falsidades sobre sua “agenda trabalhista”. 

Aécio referiu-se à “crueldade” que o Fator Previdenciário representa para os trabalhadores no momento da sua aposentadoria e prometeu discutir alternativas. O ex-governador de Minas omite que a crueldade começou a ser cometida a partir do ano de 1999, no auge do segundo mandato de FHC, seu guru e chefe político, e quando ele próprio era o principal representante do governo no Legislativo, como líder do PSDB na Câmara dos Deputados, quando a matéria foi aprovada. Posteriormente, como presidente da Casa, Aécio comandava as votações dos pacotes de maldades ordenados pelo governo.

A presidenta Dilma Rousseff, candidata à reeleição pela coligação Com a Força do Povo, voltou a chamar a si a responsabilidade de defender as conquistas trabalhistas, de que é símbolo a CLT. Coerentemente, tem dito que não foi eleita nem será reeleita para arrochar salários, promover o desemprego e atropelar direitos sociais, receita das duas principais candidaturas oposicionistas. 

Dilma tem o respaldo do movimento sindical. Durante a campanha eleitoral, no dia 7 de agosto, em ato público pela sua reeleição, promovido por cinco centrais sindicais (CTB, CUT, UGT, NCTS e CSB, às quais aderiu o secretário-geral dissidente da Força Sindical), ela recebeu documento em que as centrais hipotecam apoio, apresentam sua plataforma de reivindicações e fazem cobranças por mais audácia na realização de reformas e pela criação de canais de diálogo e consultas com o governo. O documento de três páginas, assinado pelos presidentes das centrais, diz que não é hora de “apostar ou promover incertezas”. No texto, os sindicalistas pedem um debate amplo sobre uma série de questões que já haviam sido apresentadas antes da campanha pela reeleição de Dilma, como o fim do Fator Previdenciário, a redução da jornada de trabalho para 40 horas, sem redução dos salários, e a rejeição do projeto de lei sobre a terceirização em tramitação no Legislativo.

Tal como fizera nas celebrações do 1º de Maio, Dilma declarou: "Vocês estão dando uma lição de unidade, consciência, patriotismo e noção do que está em jogo: avançar em direção ao futuro ou retroceder. Vamos dizer sim para o emprego, sim para o salário valorizado e sim para o país que cresce. E com a força do povo, nós vamos vencer de novo (...) Eu represento um projeto, que nós todos ajudamos a eleger, é um projeto especial que deu ao Brasil presente e futuro". 

A presidenta reiterou que o projeto de governo implantado desde a eleição do ex-presidente Lula, em 2002, mostrou que era possível garantir a estabilidade do país e "distribuir riqueza e incluir socialmente nossa população (...) Garantimos que o Brasil não ia jogar os problemas econômicos nas costas dos trabalhadores". 

A reeleição da presidenta Dilma é vista pelo movimento sindical comprometido com as aspirações e lutas dos trabalhadores como um passo político importante para a defesa das conquistas sociais e a realização da pauta de reivindicações do mundo do trabalho, inclusive o fim do Fator Previdenciário, que é um dos piores componentes da herança maldita legada pelo governo de FHC. 


Fonte: Vermelho

Bancos mantêm os maiores bilionários do Brasil

Donos das instituições financeiras assistem seus lucros engordar à custa das demissões e do adoecimento de milhares de trabalhadores

É de revoltar ou não é? Enquanto promovem milhares de demissões para fazer “pequenos ajustes” e criam um exército de adoecidos que se afastam das agências ou departamentos por não ter condições físicas e/ou psicológicas para trabalhar, os donos dos bancos figuram listas internacionais entre os maiores ricaços do país.

De cada cinco bilionários no Brasil, um juntou fortuna no setor de bancos e investimento, informa a lista da Forbes Brasil, de 2014, uma publicação norte-americana. Os donos do Safra, do Bradesco, do Unibanco, do Itaú e do BMG aparecem em meio a nomes bastante conhecidos, como os Marinho, da Globo, os Ermirio de Moraes, da Votorantim, e os proprietários da construtora Odebrecht. Segundo a publicação, as 15 famílias mais ricas do Brasil possuem, juntas, US$ 122 bilhões, o que equivale a 5% do Produto Interno Bruto, o PIB brasileiro.

“É claro que os trabalhadores têm de ir às ruas e exigir que essa riqueza, concentrada nas mãos de poucos, seja mais bem distribuída”, afirma a presidenta do Sindicato dos Bancários de São Paulo, Juvandia Moreira, uma das coordenadoras do Comando Nacional dos Bancários que debate com a federação dos bancos (Fenaban) as reivindicações da categoria para a Campanha Nacional Unificada 2014.

“Os bancos vêm para a mesa sempre falar em custos, mas fica evidente, por esse tipo de informação e outras tantas mostrando o crescimento do setor mesmo em tempos de crise internacional, que os bancários têm direito a cobrar aumento real para os salários, valorização do piso, maior participação nos lucros e resultados do setor, VA e VR mais altos, 14º salário, parcelamento do adiantamento das férias”, ressalta Juvandia, lembrando que os trabalhadores querem, ainda, melhores condições de trabalho.

> Dados mostram: bancos podem valorizar categoria

“Os bancários trabalham para o setor que mais lucra no Brasil, mas estão sobrecarregados, pressionados com serviço demais para poucos funcionários, tudo porque os bancos querem lucrar mais. Então, além dos avanços cobrados nas questões de emprego, saúde e condições de trabalho, também reivindicamos ganhos que ajudem a diminuir essa relação tão desigual entre os banqueiros e seus executivos, e os bancários que são os verdadeiros responsáveis pelo crescimento do setor.”

Fonte: Seeb-SP