quinta-feira, 15 de maio de 2014

Cerca de 830 milhões de mulheres não têm proteção à maternidade no trabalho

Cerca de 830 milhões de mulheres em todo o mundo não têm proteção adequada no trabalho em relação à maternidade. A conclusão está no relatório Maternidade e Paternidade no Trabalho: Lei e Prática no Mundo, divulgado hoje pela Organização Internacional do Trabalho (OIT). De acordo com a organização, 80% dessas mulheres estão na África e na Ásia, regiões em que há predominância de trabalho informal e altas taxas de mortalidade materna e infantil.
 Para esse contingente de mães que trabalham, direitos como licença-maternidade remunerada, pausas para amamentação, garantia de emprego no fim da licença, acesso a creches, proteção contra ameaças à saúde e à segurança durante a gravidez e igualdade de tratamento no ambiente de trabalho não são garantidos na prática. Conforme o estudo, essas trabalhadoras, na maioria, são autônomas, migrantes, empregadas domésticas, trabalhadoras rurais, informais ou temporárias ou de origem indígena ou tribal.
“Para ter igualdade de gênero, tem de haver proteção à maternidade. E se você não tem equidade em casa, será uma batalha tê-la no trabalho. É aí que entram os benefícios à paternidade [para estimular a ajuda masculina em casa], assistência à criança e outras políticas de proteção à família”, disse a chefe a OIT sobre questões de Gênero, Equidade e Diversidade, Shauna Olney.
De acordo com o documento, embora 66 dos 185 países-membros da OIT tenham se comprometido a pelo menos uma das três convenções da organização sobre o tema, 87 (47%) não respeitam o padrão mínimo de 14 semanas de licença-maternidade. Em relação à licença-paternidade, nos 167 países sobre os quais há informações, 70 a concedem de forma remunerada. O descumprimento das exigências é maior nos países em desenvolvimento.
 O relatório também constatou que a discriminação em relação à maternidade persiste em muitos países e piorou com a crise econômica global. Em economias europeias, há registros de trabalhadoras que tiveram de assinar cartas de demissão, no momento da contratação, para serem usadas caso a mulher ficasse grávida ou tivesse de se ausentar por doença ou problema familiar.
“Enquanto os dados sugerem que muitos países adotaram em suas leis os princípios da proteção da maternidade e do suporte aos trabalhadores com responsabilidades familiares, a falta de proteção, na prática, continua sendo um dos maiores desafios para a maternidade e a paternidade no trabalho hoje em dia”, destacou o documento.
 No Brasil, as mulheres têm direito a quatro meses de licença-maternidade remunerada (16 semanas) pelo sistema de Previdência Social, prorrogáveis por mais dois, caso o empregador permita. Em relação à licença-paternidade, são cinco dias corridos remunerados a partir do dia do nascimento do bebê. Os mesmos direitos são estendidos aos pais adotantes heterossexuais.
No caso de homens homossexuais, é concedida licença do trabalho, mas o salário-maternidade não era admitido. Recentemente, a Justiça brasileira concedeu a um pai homossexual adotante o direito de receber salário integral enquanto cuidava do filho.
Fonte: Agência Brasil via Feeb-Ba-Se

Governo quer 95% dos municípios com conexão de fibra ótica em 5 anos

O Ministro das Comunicações, Paulo Bernardo, declarou na manhã de quarta-feira (14), que tem como meta fazer conexão de fibra ótica em pelo menos 95% dos municípios do país. De acordo com ele, essa cobertura deve acontecer nos próximos quatro ou cinco anos. Um novo leilão da faixa para oferta de banda larga móvel de quarta geração (4G) está previsto para agosto.


"Estamos preparando nova licitação para 4G. Vai ser estipulado um preço mínimo para os lotes, pode ser haja uma concorrência maior e que aumente a arrecadação prevista. Serão quatro lotes nacionais e lotes regionais. A previsão de arrecadação pela Fazenda foi de R$ 7,5 bilhões, cumprindo as exigências de contrapartida. Vamos fazer todos os cálculos de novo e pode ser que aumente", afirmou.

Aporte no BNDES

Paulo Bernardo também confirmou, durante seminário internacional sobre internet, na Zona Sul do Rio de Janeiro, que o Banco Nacional de Desenvolvimento Econômico e Social (BNDES) receberá um aporte de cerca de R$ 30 bilhões do Tesouro em 2014.

Em 2013, o Tesouro fez aporte total de R$ 39 bilhões no BNDES, em duas etapas, segundo o banco. O repasse dos novos recursos aumentará ainda mais a elevada dívida do BNDES com o governo federal, aproximando-a de R$ 500 bilhões.

Nos dados do Banco Central sobre endividamento do setor público relativo ao mês de março, essa dívida do BNDES estava em R$ 414 bilhões, segundo a Reuters, devido às elevadas transferências de recursos feitas pelo Tesouro nos últimos anos.

Crescimento da internet
"Nossa visão é que o crescimento vai se dar pelos mecanismos móveis. As pessoas não querem telefone que esteja amarrado por fio, nem computador", afirmou Bernardo.

"Não é à toa que o número de tablets já superou a venda de computadores. Precisamos fazer conexão de fibra ótica com todos os municípios. Temos que chegar a pelo menos 95% de municípios. Tem que acontecer nos próximos cinco ou quatro anos porque a velocidade que as coisas andam no Brasil, você não pode ficar sem infraestrutura", declarou.

O ministro admitiu, no entanto, que para isso acontecer, será necessária melhora na infraestrutura e que existe uma desigualdade muito grande no país no uso e no acesso entre as pessoas de maior e menor renda.

"Se você vai em Brasília, no Plano Piloto, você compra 10 megas por R$ 50 e vai na periferia e o pessoal paga por menos de 1 mega R$ 80 porque não tem infraestrutura. Evidente que temos desigualdade muito grande no uso e acesso das pessoas de maior e menor renda. Mas entre os jovens de 15 e 19 anos, não tem diferença, praticamente 92% de acesso principalmente móvel. A juventude se vira", completou.

Leilão 4G
O ministro frisou ainda que fará em junho uma viagem para os Estados Unidos e Europa com o objetivo de atrair investidores internacionais para o leilão 4G.

"Vamos fazer um viagem, a presidenta achou importante. Como princípio geral, defendemos a competição, defendemos a concorrência. No 4G, colocamos obrigação para as empresas de fazer internet e telefonia na área rural. Nós temos 4 empresas que com certeza vão participar, que sabem que essa faixa é preciosa", declarou.

De acordo com ele, o objetivo do governo é cobrir a área rural e de periferia. "As pessoas precisam disso para aumentar a sua produtividade, com a internet na área rural, achamos que estas áreas vão se desenvolver bastante", acrescentou.

Copa está 80% coberta
De acordo com Paulo Bernardo, 80% das cidades sedes da Copa do Mundo terão cobertura de internet 4G. Além disso, segundo ele, todos os estádios já estão com dois anéis de fibra ótica instalados para garantir a transmissão de alta definição.

"O pedido da Fifa era colocar fibra ótica em todos os estádios de maneira a garantir que a transmissão seja garantida com alta definição. Isso está pronto. Todos os estádios têm dois anéis. Qualquer uma das duas redes sustenta a transmissão", explicou.

"Além disso, como licitamos o 4G em 2012, amarramos que nas cidades onde vai ter Copa que tem que fazer primeiro as cidades-sede e 80% das cidades têm que ter cobertura. Tem que ter antenas nos estádios que as pessoas possam usar. Será que vai ser suficiente? Acho que não. Desde o começo falamos com consultores dos estádios que precisamos colocar pontos de wi-fi. Vamos colocar pontos de wi-fi para melhorar. Temos 6 estádios com wi-fi instalado. Maracanã está resolvido", garantiu.

Sistema Digital

O ministro das Comunicações garantiu ainda que as emissoras públicas de televisão não serão prejudicadas com a entrega da faixa de 700 mega-hertz (MHz), que será usada para oferta de serviços de internet móvel de 4ª geração (4G). Segundo ele, os canais terão financiamento e tempo para migrar ao sistema digital sem desaparecer do espectro.

"Ninguém vai sair do ar. Todas as emissoras, públicas e privadas, que têm outorga, receberão um canal correspondente (no sistema digital)", afirmou Paulo Bernardo, no Seminário Internacional Internet das Coisas, no Rio de Janeiro. Ele garantiu que haverá financiamento para migração e lembrou que o período para a mudança do analógico para o digital vai de 2015 a 2018. "Todos terão a migração no seu tempo, com apoio financeiro. Faremos gradativamente", completou.

Fonte: Portal G1e Agência Brasil via Vermelho

Centrais sindicais mantêm mobilização por votação de matérias

Faria destacou que os trabalhadores estão bem representados na
 comissão através da “voz combativa do deputado Assis.” 
Roberto Carlos Dias

As centrais sindicais mantêm a mobilização junto aos parlamentares para garantir a votação de matéria de interesse da classe trabalhadora, movimento iniciado no início do mês – 1º de maio, que marcou o Dia do Trabalhador. Na quarta-feira (14), os representantes das centrais sindicais, acompanhados do deputado federal Assis Melo (PCdoB-RS) estiveram em audiência com o presidente da Comissão de Trabalho da Câmara, Luiz Fernando Faria (PP-MG).

Os líderes sindicalistas entregaram uma pauta com 20 projetos em condições de serem votados e pediram o apoio de Faria na inclusão dos temas na pauta. O presidente da comissão comprometeu-se em fazer um esforço no sentido de atender algumas demandas por meio da construção do diálogo com governo e outros parlamentares. Faria destacou que os trabalhadores e os dirigentes sindicais estavam bem representados na comissão através da “voz combativa do deputado Assis.” 

Os próprios sindicalistas reconhecem a dificuldade de aprovação de algumas matérias, mas pediram empenho na votação de propostas onde há possibilidade de consenso com o Planalto, como a correção da tabela de Imposto de Renda, que tramita em mensagem do governo na Casa. 

Nos 12 itens elencados pelos sindicalistas como prioridade constam projetos de autoria de Assis, como o que proíbe a dispensa arbitrária e sem justa causa durante as férias e até 60 dias a contar do retorno e o que regulamenta o monitoramento de trabalhadores por meio de câmeras de vídeo.

Da Redação do Vermelho em Brasília - Com informações da Ass. Dep. Assis Melo

quinta-feira, 8 de maio de 2014

Propaganda do PCdoB vai ao ar nesta quinta em rede nacional

Propaganda do PCdoB vai ao ar nesta quinta em rede nacional


A propaganda partidária do Partido Comunista do Brasil (PCdoB) será apresentada em rede nacional de rádio e televisão nesta quinta-feira (8) às 20h30 na TV e às 20 horas nas rádios em todo o país. Além de abordar a trajetória de luta do Partido mais antigo do país – 92 anos -, e reafirmar o projeto nacional de desenvolvimento para o Brasil, a publicidade tem como mote uma campanha de filiação partidária.

Por Eliz Brandão, da Redação do Vermelho
Através de suas lideranças e com um jingle incentivador “Vem com a gente, vem pro PCdoB” ele conclama os jovens, os trabalhadores e as mulheres a participarem da luta política por um Brasil melhor.


Em linguagem ampla, a propaganda apresenta a posição do PCdoB, que é um partido ideológico e sua busca pelo Socialismo num caminho de união, de fortalecimento das lutas populares e na defesa de uma proposta mais avançada para o povo.

O presidente nacional do PCdoB, Renato Rabelo, e a vice-presidenta, deputada federal (PE) Luciana Santos, assim como o ministro do Esporte, Aldo Rebelo participam do programa apresentando as lutas do PCdoB para a continuidade do avanço civilizatório, e chamam a atenção para uma encruzilhada política que vivemos em um ano eleitoral. “Nos últimos 12 anos o Brasil passou por mudanças significativas. Nossas conquistas não apenas econômicas, mas também sociais nos consolidaram como uma nação forte, influente e democrática. Uma nação reconhecida e respeitada em todo o mundo. Hoje o Brasil está numa encruzilhada. Ou seguimos em frente lutando pelos avanços necessários ou andamos para trás”, expõe Renato.

A líder do PCdoB na Câmara, Jandira Feghali apresenta um conjunto de reformas estruturais democráticas defendidas pelo PCdoB para o avanço do país, como as reformas política, na educação, agrária, urbana e da comunicação.

A deputada federal pelo Acre, Perpétua Almeida, aborda o tema da participação feminina e reafirma a posição do Partido lutando pela ampliação e o fortalecimento da representação feminina na política. “O PCdoB é um partido que sempre apoiou a mulher e a importância de seu papel na sociedade. Hoje, o partido se orgulha de ter proporcionalmente a maior bancada feminina do Congresso Nacional”, ressalta Perpétua.

Flávio Dino, pré-candidato a governador no Maranhão, enfatiza que todos precisam combater as desigualdades que ainda existem no Brasil e gerar mais oportunidades. “O Estado tem obrigação de combater a violência que destrói famílias e toma conta das nossas cidades. E a população tem o direito à segurança pública”, diz ele. Flávio ressalta ainda a necessidade de investimento em projetos sociais transformadores e o fortalecimento da luta por justiça e paz.

A voz dos trabalhadores incentivando as lutas sociais é apresentada pelo presidente nacional da Central dos Trabalhadores e Trabalhadoras do Brasil (CTB), Adílson Araújo. 

Lideranças da juventude, como Virginia Barros, presidenta da UNE, Bárbara Melo, presidenta da Ubes e André Tokarski, presidente da UJS e secretário de juventude do PCdoB, abordam temas que falam sobre a luta do PCdoB por um Brasil melhor, com educação de qualidade e para todos, com cultura, arte, esporte e avanços sociais.

A deputada estadual pelo PCdoB de São Paulo Leci Brandão e o vereador paulistano Netinho de Paula, ambos músicos, dão o tom harmônico da propaganda, conclamando a população a participar da política e se filiar ao partido comprometido com as causas sociais.

A propaganda partidária, que inclui as inserções de 30 segundos e o programa de 10 minutos, foi produzida pelo publicitário Marcelo Brandão, sob a direção política do secretário nacional do PCdoB, José Reinaldo Carvalho, e a direção executiva de Eliz Brandão.

Nesta quinta-feira (8), a partir das 20h30, o Portal Vermelhodisponibilizará a propaganda para baixar.

Centrais debatem pauta trabalhista na Câmara dos Deputados

Após realizar importante debate dos temas de interesse da classe trabalhadora em comissão geral na Câmara dos Deputados, representantes das centrais sindicais e deputados da Bancada Sindical se reuniram nesta quarta-feira (7), na presidência da Comissão de Constituição e Justiça (CCJ), para avaliar o debate geral, que aconteceu na terça-feira (6), no plenário da Casa, e preparar ações no sentido de colocar os projetos da agenda trabalhista na pauta de votação.


CTB
Cinco centrais sindicais participaram da reunião com deputados da Bancada Sindical na Câmara dos DeputadosCinco centrais sindicais participaram da reunião com deputados da Bancada Sindical na Câmara dos Deputados
Além das centrais sindicais (CTB, NCST, CUT, CGTB e CSB), participaram da reunião os deputados Assis Melo (PCdoB-RS), Amauri Teixeira (PT-BA) e Vicente Cândido (PT-SP). A CTB foi representada pela secretária de Imprensa e Comunicação, Raimunda Gomes (Doquinha); pelo secretário de Política Sindical e Relações Institucionais, Francisco Chagas (Chaguinha); e pelo secretário de Previdência, Aposentados e Pensionistas, Pascoal Carneiro.

Na avaliação geral dos representes dos trabalhadores, a comissão geral foi positiva por trazer, mais uma vez, o debate dos temas prioritários para a classe, além de mostrar para a Casa Legislativa a necessidade de votação imediata da agenda dos trabalhadores.

“A pauta trabalhista é importante não só para a valorização dos trabalhadores, mas também para o desenvolvimento do País. Para a CTB, um dos pontos principais, que necessita de aprovação imediata, é o PL 6653/09 [PL da Igualdade]. É o projeto que tem mais condição de ir à votação, já que foi amplamente discutido, inclusive com o empresariado”, ressaltou Raimunda Gomes.

Discussão permanente
Na reunião, foram aprovadas duas propostas para dar continuidade ao debate dos temas de interesse dos trabalhadores. Uma delas é a criação de subcomissões em todas as comissões permanentes da Câmara, para debater exclusivamente proposições da agenda positiva. A outra proposta é a criação de grupo de trabalho na Casa para discussão permanente dos temas que interessam à classe trabalhadora.

Os deputados presentes se comprometeram a encaminhar, ainda nesta semana, requerimento ao presidente da Câmara, deputado Henrique Alves (PMDB-RN), para criação dos grupos de debates.

Também foi consenso entre os parlamentes e os sindicalistas, a necessidade de atuação e presença constante das centrais sindicais no Congresso Nacional, por meio, inclusive, de assessoria política, como o Diap e o Dieese.

“Com uma presença permanente e organizada a gente vai marcando ponto durante o ano para uma semana [de trabalho] dessa, do Dia do Trabalhador”, disse o deputado Vicente Cândido, presidente da CCJ.

Próximas ações
Na parte da tarde, às 17h30, será realizada nova reunião na Comissão de Trabalho para definir a pauta prioritária, retirada da agenda dos trabalhadores, que será apresentada ao ministro da Secretaria de Relações Institucionais, Ricardo Berzoini, em reunião que acontece nesta quinta-feira (8), às 11 horas, no Palácio do Planalto.

A expectativa dos sindicalistas e dos deputados é indicar ao governo as proposições que são prioritárias, passíveis de aprovação urgente, após avaliação do cenário de tramitação, e alcançar consenso para destravar a votação dessas proposições.

Fonte: CTB


Sessão Solene na Câmara comemora 30 anos do movimento Diretas Já

Os 30 anos do movimento conhecido como Diretas Já (1983-1984), que levou a população brasileira às ruas de todo o país par a reivindicar a volta das eleições diretas para presidente, recebeu homenagem com sessão solene na Câmara dos Deputados nesta quarta-feira (7). A última eleição antes desse período aconteceu em 1961, quando Jânio Quadros foi eleito. 


Agência Câmara
A Emenda das Diretas Já, apresentada em 1983 pelo deputado Dante de Oliveira (PMDB-MT), recebeu apoio popular, no começo de forma tímida e, depois, ampla. A Emenda das Diretas Já, apresentada em 1983 pelo deputado Dante de Oliveira (PMDB-MT), recebeu apoio popular, no começo de forma tímida e, depois, ampla. 
O movimento reuniu estudantes, artistas, sindicalistas, artistas, atletas e políticos da oposição. A manifestação ocorrida em São Paulo, no dia 25 de janeiro de 1984, levou mais de 1,5 milhão de pessoas ao centro da capital paulista, em apoio ao movimento. Foi a maior manifestação popular pela democracia já vista no país.

Idealizador da homenagem na Casa, o líder do PSB, deputado Beto Albuquerque (RS), explica que o objetivo é prestar as devidas homenagens ao maior movimento de participação popular do Brasil. "A Câmara rejeitou a Emenda Constitucional das diretas. Assim mobilizou o povo que fez a democracia ressurgir. É de baixo para cima que o Brasil avança e o Congresso pode rever seus erros", argumentou Beto.

O deputado Daniel Almeida (PCdoB-BA), que discursou na sessão solene, destacou que a Câmara não podia deixar de rememorar o movimento que teve a maior participação popular da história do nosso país e que marca a trajetória da vida política institucional dos últimos 30 anos.

Sentimento patriótico

“Ver, ouvir e compartilhar a emoção transmitida por Milton Gonçalves relembra o sentimento patriótico, cívico e cultural que reuniu todos nós, impregnados de esperança, com o objetivo de vencer aquele período ditatorial, autoritário, e apostar num país democrático, de homens e mulheres livres”, disse o parlamentar, após a exibição do vídeo com imagens da época.

“E nós fomos vitoriosos; o Brasil, o povo brasileiro foi vitorioso nesse processo político que está em construção permanente”, avalia Daniel Almeida, para quem “o resultado desse movimento de rua foi o fim daquele ciclo ditatorial. Nós não podemos imaginar as conquistas da Constituição de 1988, sem essa trajetória, sem esse acúmulo, sem a pressão das ruas e sem a presença desses movimentos sociais no processo de construção, de elaboração da nossa Constituição Cidadã”.

Daniel Almeida lembrou que a ditadura militar tentou impedir que o movimento crescesse. E recordou também que o PCdoB, naquele momento ainda na clandestinidade, constituiu uma Comissão Nacional em Defesa da Legalidade, imaginando que não era possível defender a liberdade e a democracia sem permitir que uma corrente política de opinião, de pensamento, pudesse estar na rua livremente se expressando.

“Essa comissão em defesa da legalidade começou a visualizar que era possível levantar a bandeira naqueles movimentos de rua que surgiam em torno das Diretas. Começamos com uma bandeirinha, num primeiro evento. No final desse processo, nos grandes comícios, a bandeira vermelha em defesa da legalidade dos comunistas tinha uma força, uma presença muito expressiva”, recordou Daniel, dizendo que ele foi um dos que carregou essas bandeiras.

História

A Emenda das Diretas Já, citada por Beto Almeida, foi apresentada em 1983 pelo deputado Dante de Oliveira (PMDB-MT). Assim que foi apresentada, a Emenda Dante começou a receber apoio popular, no começo de forma tímida e, depois, ampla.

Os protestos representavam a vontade popular pela redemocratização. O país completava 20 anos de ditadura militar, regime que já dava sinais de enfraquecimento. A inflação era alta e a recessão também. O surgimento de novos partidos e o fortalecimento dos sindicatos contribuíram para reforçar a oposição ao regime.

Após a derrota da emenda no Congresso, as eleições indiretas pelo Colégio Eleitoral consagraram o candidato da oposição, o civil Tancredo Neves, em 1985. Mas Tancredo morreu sem tomar posse. Na gestão de seu vice, José Sarney, as eleições voltaram a ser diretas. Seu governo marcou o período de transição democrática.

Em 1989, cinco anos após a rejeição da Emenda Dante de Oliveira e um ano depois da Constituinte, Fernando Collor de Mello foi o primeiro presidente eleito por voto direto em 30 anos.

De Brasília
Márcia Xavier

Brasil é referência de combate à pobreza, afirma chanceler

O ministro das Relações Exteriores, Luiz Alberto Figueiredo Machado, afirmou que o Brasil é hoje referência mundial como uma nação que foi capaz de reduzir a pobreza e distribuir renda, com crescimento econômico e em um contexto democrático. “Fui informado que 68 países já procuraram informação sobre nosso programa de distribuição de renda”, disse na audiência pública, nesta quarta-feira (7), na Câmara dos Deputados.


O ministro foi convidado pelo deputado Eduardo Barbosa (PSDB-MG) para falar sobre a formulação e execução da política externa brasileira.

De acordo com o deputado, é relevante para o colegiado conhecer a visão do Itamaraty sobre as ações necessárias à participação do Brasil em fóruns regionais como a Unasul e o Mercosul; as perspectivas para o Brasil no âmbito do Brics e com os grandes polos econômicos, como os Estados Unidos, China e União Europeia; além da ampliação e do estabelecimento de novas relações políticas e econômicas em todos os continentes.

Figueiredo Machado destacou também a defesa que o país vem fazendo da privacidade no mundo virtual. “Se uma prática é considerada crime no mundo real é claro que também deve ser crime no mundo virtual.” Para ele, por mais óbvia que a questão possa parecer, é importante que esses pontos fiquem claros. Por isso, Brasil e Alemanha apresentaram à Assembleia das Nações Unidas (ONU) proposta, aprovada por consenso, para estabelecer esse princípio.

O chanceler reafirmou também que um dos pontos mais importantes da política externa nacional está na defesa de paz, diálogo, moderação e não-intervenção. Ele citou como exemplo disso, a postura adotada pelo país em casos como o conflito interno hoje enfrentado pela Ucrânia.

Sobre o Brics (grupo formado por Brasil, Rússia, Índia, China e África do Sul), o embaixador lembrou que a sexta cúpula do bloco ocorrerá em breve, quando deverá ser discutida a criação de um banco de investimentos formado para promover o desenvolvimento dos países que compõem o grupo e de outros países de baixa e média renda.

Relação prioritária

O Ministro das Relações Exteriores também falou sobre a relação com os países vizinhos, definida como “prioridade para o Brasil”. Ele avalia que uma relação harmoniosa entre essas nações e também dentro delas é de grande importância para o país.

O chanceler citou como exemplo as ações realizadas em conjunto com outros países da União Sul-Americana de Nações (Unasul) que conseguiu estabelecer o diálogo entre governo e oposição na Venezuela, algo que parecia impossível de ocorrer. “Conseguimos estabelecer consequências dessa ação conjunta em várias frentes, inclusive estabelecendo condições para diminuir a violência nas cidades venezuelanas”, comemorou.

O ministro negou que a integração entre os países do Mercosul (Brasil, Argentina, Uruguai, Paraguai e Venezuela) esteja mais atrasada que a dos países da recém-formada Aliança do Pacífico (México, Colômbia, Peru e Chile). Para ele, a integração do Mercosul está mais adiantada.

O chanceler acrescentou que a relação entre Brasil e Chile chegou ao ponto de 98% das importações e exportações entre os dois países estarem liberadas, enquanto entre o Chile e os países que compõem a aliança esse percentual seria de 90%. "Temos hoje livre comércio com o Chile. Isso é impressionante."

No caso do Mercosul, ele defendeu que o comércio no bloco continua crescendo. "O futuro da América do Sul será de uma maior aproximação entre todos. Queremos uma América do Sul forte", disse.

Interesse da sociedade


Para o ministro, o interesse pela política externa tem sido crescente na sociedade brasileira, o que é um ótimo sinal. “A política externa que queremos ver implantada é uma atividade básica de desenvolvimento nacional”, disse.

Segundo Figueiredo, a população está cada vez mais esclarecida de que a participação do Brasil no cenário externo está diretamente ligada à diminuição das injustiças sociais internas e externas.

De acordo com o embaixador, a desatualização de órgãos internacionais, como o Conselho de Segurança das Nações Unidas, é ainda um grande obstáculo para que o país tenha sua importância reconhecida. “No ano que vem, o Conselho de Segurança completará 70 anos. Países importantíssimos, como a Índia, não estavam independentes politicamente há 70 anos”, citou.

Da Redação em Brasília
Com Agência Câmara