quarta-feira, 4 de setembro de 2013

Recursos naturais estão no vermelho


Não dá mais para o mundo viver num ambiente sem sustentabilidade. Os recursos naturais do planeta estão acabando, e a humanidade está mais consumindo do que colaborando para permanência dos recursos.
Pesquisa realizada pela GFN (Global Footprint Network), instituição internacional parceira da WWF (World Wildlife Fund), alerta que as taxas de consumo chegaram ao limite no dia 20 de agosto, chamado de Overshoot Day, ou seja, dia da sobrecarga.
A partir desta data, a população mundial passou a desperdiçar mais do que o planeta pode oferecer até o fim do ano. Recursos básicos, como alimentos, matérias-primas e absorção de gás carbônico estão sendo mais desperdiçados do que repostos.
Os resultados, calculados a partir da pegada ecológica, evidenciam que as pessoas utilizaram, em pouco mais de oito meses, tudo o que a natureza consegue regenerar durante um ano.
Daí em diante, a conta fica negativa e existe perda de biodiversidade, redução de florestas, escassez de alimentos e de recursos pesqueiros e acúmulo de gás carbônico. As grandes empresas e toda a população devem tomar consciência de que a conta deve ser paga o mais rápido possível.
 
Fonte: O Bancário

Luta dos trabalhadores: Deputados do PCdoB apoiam manifestação contra terceirização

Os deputados do PCdoB apoiaram a manifestação que as centrais sindicais realizaram, ontem, terça-feira (3), na Câmara contra o projeto que regulamenta o trabalho terceirizado. E criticaram a ação policial que impediu a entrada dos manifestantes no prédio da Câmara para acompanhar a reunião na Comissão de Constituição e Justiça (CCJ), que foi cancelada para evitar tumulto.


O deputado Daniel Almeida (PCdoB-BA), que representa a classe trabalhadora, declarou apoio ao pleito. “Faremos o possível para arquivar a matéria. O conteúdo do PL é um retrocesso para as conquistas dos trabalhadores e tem como pano de fundo a precarização do emprego”, afirmou Daniel.

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A deputada Jandira Feghali (RJ) criticou as agressões. “É um absurdo o que está ocorrendo agora na porta do Congresso Nacional. As centrais sindicais tentam se manifestar contra o PL que os prejudica imensamente e a polícia reagiu às manifestações com truculência e violência. Para Feghali, o Congresso Nacional precisa lidar com os manifestantes sem violência. “É injustificável. É preciso garantir a democracia”, critica.

A deputada Jô Moraes (MG) considerou inadmissível receber trabalhadores com spray de pimenta, em uma manifestação legítima. Os deputados Daniel Almeida e Assis Melo (PCdoB-RS), membros da CCJ, saíram da reunião na Presidência da Comissão para interceder a favor dos trabalhadores.
O objetivo do protesto, organizado pela CTB, era “alertar a população e os parlamentares sobre os riscos da aprovação da medida, que escancara a terceirização, beneficiando empresários em detrimento dos interesses da classe trabalhadora”, explica o presidente da Central, Adilson Araújo.

A mobilização começou durante a manhã, com manifestações nos aeroportos das principais capitais brasileiras. Os manifestantes se reuniram desde as 6 horas da manhã no saguão e abordavam cada um dos deputados baianos, antes do embarque para Brasília. Na capital federal, os manifestantes reforçavam o contato com os parlamentares que desembarcavam.

Da Redação do Vermelho em Brasília - com agências

Grito dos Excluídos 2013 tem juventude como tema este ano

O 19º Grito dos Excluídos terá como tema este ano a exclusão dos jovens. Com o lema Juventude que Ousa Lutar Constrói Projeto Popular, os movimentos sociais e as pastorais promoverão vários atos em todo o País no dia 7 de setembro, quando se comemora o Dia da Independência, para chamar a atenção para os problemas que enfrentam os jovens brasileiros, principalmente os que vivem nas periferias.
grito2013"A juventude, ao mesmo tempo em que é sinal de esperança e potencial de criatividade, é a mais excluída da sociedade, seja por conta do trabalho ou da violência", disse Marcelo Naves, membro do Instituto Paulista de Juventude.

Segundo Naves, nos últimos anos o Brasil tem avançado no mundo do trabalho, mas não o suficiente para incluir os jovens. "Dos desempregados (do País), metade são jovens. E, dos que estão empregados, há uma quantidade enorme em condições precárias, principalmente no mercado informal", disse Naves.

Os jovens, de acordo com ele, também estão excluídos da educação, principalmente nas universidades públicas e federais, apesar do governo ter criado programas de inclusão, tal como o Programa Universidade para Todos (Prouni). "E, por último, há ainda a questão da violência e do extermínio. Estamos, de fato, assistindo ao genocídio da juventude negra. A gente registra cerca de 50 mil homicídios por ano e, desse total, em mais de 40% das vítimas são jovens", disse ele.


São Paulo

Na capital paulista, o ato terá início às 8h com uma missa que será celebrada na Catedral da Sé, na região central. Depois, haverá um ato político a partir das 9h, na frente da catedral, com a participação de sindicatos, movimentos sociais, pastorais sociais e partidos políticos.

Em seguida, os manifestantes sairão em caminhada da Praça da Sé até o Parque da Independência, no Ipiranga, local onde D. Pedro I declarou o Brasil independente de Portugal, em 1822. "Lá, em frente ao Monumento (da Independência), faremos o contraponto do grito de independência com o grito dos excluídos."

No mesmo dia, haverá também um ato na cidade de Aparecida, interior paulista. "O grito começa a partir das 6h, com a romaria dos trabalhadores", disse Liciane Andrioli, militante do Movimento dos Ameaçados por Barragens (Moab).

Já no dia 5 de setembro haverá o pré-grito, com início às 8h, na avenida Paulista. "O pré-grito tem um caráter de preparação para o dia 7 de setembro. Em São Paulo, estamos organizando um pré-grito com concentração das ações na avenida Paulista e um dos temas principais é a denúncia do modelo energético implantado em nosso país. Uma das pautas é o direito dos atingidos por barragens", disse Liciane. Segundo ela, há hoje no País mais de 2,2 mil barragens, "que expulsaram mais de um milhão de pessoas". "E, desse total, mais de 70% não tiveram o reconhecimento de seus direitos", disse Liciane.

O Grito dos Excluídos foi criado em 1994, mas o primeiro evento só ocorreu em setembro de 1995. Ele é organizado pela Pastoral Social da Confederação Nacional dos Bispos do Brasil (CNBB), e tem apoio do Movimento dos Ameaçados por Barragens (Moab) e pelo Movimento Nacional dos Moradores de Rua, entre outros. Mais informações e o cartaz com o tema do Grito deste ano podem ser encontrados em www.gritodosexcluidos.org.

Fonte: Portal Terra via Feebbase

Marco das terceirizações

Antes de o sol raiar, mais de oito milhões de brasileiros já ocupam suas funções em atividades terceirizadas. É a máquina do avanço econômico à todo vapor no Brasil. A terceirização é uma realidade que, a princípio, atingia serviços de limpeza e segurança, por exemplo, e hoje se alastra por vários setores. A necessidade de regulamentação se coloca como uma forma de proteger esses trabalhadores, mas não pode se dar às custas do aprofundamento da precarização das relações de trabalho.

A regulamentação é debatida na Câmara dos Deputados desde 2004, quando foi apresentado pelo deputado Sandro Mabel o Projeto de Lei nº 4330. O texto, que será votado pela Comissão de Constituição e Justiça da Câmara, avançou em alguns pontos, mas está longe de garantir proteção e reverter a lógica do lucro máximo por meio de subcontratações. Na prática, ele ainda caminha a passos largos no sentido de valorizar o lucro empresarial, na contramão da luta dos trabalhadores e suas entidades representativas.

Não há relação empregatícia mais injusta do que essa. E para expor de forma clara essa preocupante realidade, de acordo com a Confederação Nacional da Indústria (CNI), mais da metade (54%) das empresas no ramo da indústria usam serviços terceirizados e praticamente todas (91%) indicam abertamente a redução de custo como vantagem.

Terceirizados atuam três horas a mais na média e recebem 27% menos do que os contratados diretos. Estes profissionais também se acidentam mais (a cada dez acidentes de trabalho, oito ocorrem entre trabalhadores terceirizados) e possuem 70% menos direitos trabalhistas do que os demais. Geralmente comem em locais diferentes nas empresas. É o medo do setor patronal de criar o “temível” vínculo.

Os problemas do substitutivo saltam aos olhos. Admite-se a “quarteirização”, ou seja, uma empresa que terceiriza mão de obra pode, por vezes, subcontratar outra. A lógica do projeto é abandonar a proibição hoje existente que veda a contratação de terceirizados para atividades fim. A responsabilidade da contratante em relação às obrigações trabalhistas e previdenciárias devidas pela contratada é apenas subsidiária em alguns casos. Mas ainda é pouco. O TST mantém atualizada uma lista com as empresas com maior número de processos trabalhistas e o segmento campeão é o de terceirizações.

Os defensores do projeto afirmam que a terceirização passará a visar à especialização do trabalho. Já que o discurso é aumentar a produtividade, é preciso assegurar que os trabalhadores terceirizados tenham exatamente os mesmos direitos dos demais, estejam subordinados às mesmas normas e a iguais direitos dos trabalhadores das categorias normais.

O texto avança pouco ao garantir o pagamento diretamente aos trabalhadores no caso de inadimplência; ao estabelecer como direitos o pagamento de salários, adicionais, horas extras, repouso semanal remunerado e décimo terceiro salário, concessão de férias remuneradas e pagamento do respectivo adicional, concessão do vale-transporte, FGTS e pagamento de obrigações trabalhistas e previdenciárias dos empregados dispensados até a data da extinção do contrato de prestação de serviços terceirizados. Direitos mínimos e não iguais. Sem a equiparação, a terceirização vai eternamente buscar a precarização e a maximização do lucro.

O marco regulatório para o trabalhador terceirizado pode ser mudado. Mas para que esse seja um passo importante para o país que potencializa há 10 anos sua economia no Mundo, é preciso que busque melhorar as condições de trabalho, não a sua precarização. A força motriz de inúmeros brasileiros precisa ter suas justas condições trabalhistas atendidas e amparadas, visto que as empresas buscam sempre maximizar o lucro, a qualquer preço. Cabe ao parlamento reduzir essa desigualdade e dar ao trabalhador a tranquilidade de uma vida profissional digna. É nosso dever e nosso compromisso.

oc jandira feghali
Jandira Feghali é deputada federal pelo PCdoB-RJ

terça-feira, 3 de setembro de 2013

Haroldo Lima: Desmascarar a trama, impedir a guerra

 O mundo assiste, aparentemente indefeso, ao desenrolar de trama hipócrita, ajustada entre forças diabólicas, para levar a morte a milhares ou milhões de pessoas, a destruição a um ou diversos países, a guerra a regiões inteiras. Nada é eminentemente novo no pérfido cenário calculadamente montado pelos Estados Unidos para fazer guerra à Síria.

Por Haroldo Lima*


Ricardo Garcia Villanova / AFP / Getty Images
Rebeldes posicionam-se durante confrontos
 com o Exército sírio, na cidade de Alepo, em maio.
O comando do processo é do Estado norte-americano, que se considera acima dos demais, que julga, castiga, fulmina, assassina e mente descaradamente, para simular que são sérios seus propósitos e suas informações. Seus sequazes tampouco mudaram, são os governos inglês e outros controlados pela famigerada Otan, tisnada pelo sangue dos povos por ela massacrados.

O embuste divulgado é cópia quase igual a uma das mentiras mais deslavadas e desmascaradas já apresentadas ao mundo: a de George Bush, presidente dos EUA, em 2003, dizendo que o governo norte-americano tinha informações precisas de que o Iraque armazenara armas de destruição em massa.

A Inglaterra e a turma da Otan somaram-se aos norte-americanos no entendimento de que aquilo era inaceitável. Como poderiam admitir que o Iraque, um país não europeu, cheio de árabes e mulçumanos, tivesse armas de destruição em massa? Não. Só eles, os poderosos, poderiam tê-las. Uma resposta deveria ser dada de imediato, a guerra.

Nenhum crédito foi dado às reiteradas afirmações do governo iraquiano de que não possuía as referidas armas. Em março de 2003, o inspetor de armas da ONU Hans Blix declarou que, no Iraque, "nenhuma evidência (da presença das armas de destruição em massa) foi encontrada até agora".O embaixador Joseph C. Wilson, a serviço da CIA, escreveu no The New York Times, em junho de 2003, que as alegações de posse de armas de destruição em massa por parte desse país “eram falsas”.

Mas a conclusão já estava tomada: as armas existiam, e se ninguém as encontrava é porque estavam bem escondidas. A histórica cidade de Bagdá foi bombardeada, uma chuva de mísseis caiu sobre ela a 20 de março de 2003, quando começou a invasão e ocupação do Iraque, que, formalmente, duraria nove anos. O governo foi deposto. Seu presidente, humilhado e assassinado. Em meio aos saques de bens da antiga Babilônia, o país foi posto de pernas para o ar. E as armas de destruição em massa não foram encontradas. Não existiam.

Aos olhos do mundo um dado escandaloso ficou patente: uma guerra foi feita a partir de uma mentira solenemente afirmada e reiterada pelo presidente dos Estados Unidos George W. Bush. O Iraque ocupado foi presa fácil para a pilhagem de suas riquezas, sobretudo petrolíferas, e a organização de seu Estado, de suas forças armadas, de sua textura social, da paz possível que lhe permitia conviver com suas seculares diferenças religiosas, tudo acabou. Um crime, que, como outros tantos está impune, porque foi perpetrado pelo Senhor da Guerra.

Agora, ante os olhos incrédulos de muitos pelo mundo afora, os mesmos atores do crime bárbaro descrito, no mesmo cenário geopolítico, com a mesma desfaçatez, urde outra ópera-bufa similar, que conta mentiras e arrosta empáfia, e que só não é plena de ridículo e comicidade porque carrega letal carga de destruição e morte em dimensões insondáveis.

Os Estados Unidos há muito ameaçam a Síria, cujo governo não aceitou ser capacho norte-americano. E, tal qual a Líbia que também não aceitou essa vil condição, e por isto foi destruída, a sobrevivência da Síria ficou posta em causa há bastante tempo.

Outros fatores trabalham também favorecendo a guerra. A crise capitalista desgastou a economia norte-americana e depauperou a europeia. Seus produtos altamente industrializados não encontram mercados compradores. O predomínio da paz, ainda que com tensão e escaramuças, não cria um grande mercado consumidor de produtos nos quais os Estados Unidos tenham superioridade tecnológica. Uma guerra, sim, criaria um enorme mercado de armas, consumiria caudal de mísseis, tanques e artefatos de todos os tipos e, tal como em outras situações, as fábricas norte-americanas de armas e munições se reanimariam e poderiam aquecer a economia depauperada.

Tudo pronto, faltava o pretexto, a ignomínia. Na terra de Bush isto não foi um grande problema. Tratava-se de dizer, de forma retocada, e com a maior empáfia, a mesma coisa que o presidente da mentira dissera em 2003. Lá, ele afirmara ter descoberto, estocadas, armas de destruição em massa. Agora, dever-se-ia dizer que essas armas acabaram de ser usadas. Provas, lá não houve, e o próprio povo norte-americano não as exigiu muito. Também não havia porque exigir muito agora. Lá, foi dito que elas não foram encontradas porque estavam bem escondidas.

Agora, dever-se-ia dizer que o governo sírio, que as usou, sumiu com os vestígios de seu uso! Nada é verdade, mas pouco importa. Importa é a coisa ser dita, com a maior seriedade, e com o semblante de quem está preocupado com a paz no mundo, pelo presidente dos Estados Unidos. E outro ingrediente deveria ser acrescentado: o de que as intervenções norte-americanas e de seus seguidores dar-se-iam por razões humanitárias...

A Síria ainda não foi bombardeada. A guerra ainda não começou. O processo que a deflagrará, contudo, já está em curso. A ONU está sendo, mais uma vez, posta de lado, e o governo norte-americano não pensa em consultar seu Conselho de Segurança por saber que teria que enfrentar os vetos da Rússia e da China.

É hora de gestos eloquentes, de vozes se altearem e denúncias serem feitas, para que mais um crime imperialista não aconteça e o mundo não se veja às voltas com grandes morticínios e ameaças de grave conturbação da ordem.

*Haroldo Lima é membro do Comitê Central do Partido Comunista do Brasil (PCdoB)



Confissão da Globo é marketing

Por Paulo Nogueira, no blog Diário do Centro do Mundo:

Se a Globo confessar todos os pecados, o confessionário ficará ocupado por muitos anos.

Mas é de uma confissão específica que vamos tratar: o apoio ao golpe de 1964. A
confissão, expressa numa nota publicada ontem, teve ampla repercussão, como era de esperar.
A questão mais intrigante, para mim, é: o que a Globo pretendeu com isso? A única hipótese lógica que encontro é que ela quis fazer uma ação de marketing que limpe uma marca – ela própria – que, como os protestos de agora mais uma vez mostraram, sofre uma colossal rejeição dos brasileiros.

São remotas, remotíssimas na verdade, as chances de que isso melhore o drama da má reputação da Globo.

Primeiro porque o raciocínio usado no texto é manipulador. Palavras de Roberto Marinho, nos vinte anos do golpe, são evocadas para afirmar uma lorota histórica que eu imaginava que ninguém mais usaria, conhecidos os fatos reais: a de que foi o povo que exigiu a deposição de João Goulart.

Disse Roberto Marinho: “Os acontecimentos se iniciaram, como reconheceu o marechal Costa e Silva, ‘por exigência inelutável do povo brasileiro’. Sem povo, não haveria revolução, mas apenas um ‘pronunciamento’ ou ‘golpe’, com o qual não estaríamos solidários.”

Pobre povo brasileiro: além de ser objeto de uma predação econômica selvagem que transformaria o Brasil no campeão mundial de desigualdade social, ainda é responsabilizado por isso.

Não foi a CIA, não foi a direita, não foram generais reacionários, não foram barões da mídia como Roberto Marinho que deram o golpe do qual seriam grandes beneficiários. Foi o povo, vítima número 1 da quartelada.

Por esse ângulo, para voltarmos à confissão do Globo, Roberto Marinho estava, portanto, ao lado do povo, como um Zorro ou um Robin Hood.

Nas reflexões de RM rememoradas na confissão, são destacados “os avanços econômicos obtidos naqueles vinte anos”.

Avanço para quem?

Para ele, certamente. Os militares lhe deram uma televisão que transformou a Globo de dona de um jornal de segunda categoria numa grande corporação.

Basicamente, foi uma troca: Marinho levou a tevê e, em troca, garantiu apoio à ditadura. No livro Dossiê Geisel, escrito à base de documentos pessoais de Geisel, essa troca aparece com clareza. Roberto Marinho não fazia nenhuma cerimônia em pedir mais e mais favores à ditadura lembrando o apoio que dava a ela.

Para o “povo”, o golpe foi uma tragédia econômica. Os trabalhadores perderam direitos trabalhistas como a estabilidade, e foram proibidos – não raro a balas — de fazer greve para se defender na relação desigual com as empresas.

Disso resultou uma brutal concentração de renda. A fatia do bolo nacional do povo foi minguando, enquanto homens como Roberto Marinho acumulavam uma fortuna pessoal que os levaria, ou a seus herdeiros, às listas de bilionários feitas pela respeitada revista americana Forbes.

A falácia empregada na época, uma criação do homem forte da economia, Delfim Netto, era que o bolo tinha antes que crescer para depois ser distribuído.

Impedidos de responder com greves, os trabalhadores tinham, para usar a grande expressão de Noam Chomsky, a “liberdade de consentir” naquela tese desonesta, cínica e responsável pela favelização do Brasil.

Se realmente quiser melhorar sua imagem, a Globo terá mais sucesso com ações concretas.

Uma delas, que poderia ser a primeira, é pagar o que deve à Receita Federal depois de ter sido flagrada numa fraude fiscal na compra dos direitos da Copa de 2002.

O problema é que, para isso, não bastam palavras. É preciso colocar dinheiro: 1 bilhão de reais em valores atuais.

E quem acredita que a Globo põe a mão no bolso, mesmo em situações escandalosamente claras como aquela, acredita em tudo, como disse Wellington.
 
Fonte: Blog do Miro