terça-feira, 3 de setembro de 2013

Ministros do TST condenam o PL 4330 e a mídia silencia

 
Numa decisão histórica, 19 ministros do Tribunal Superior do Trabalho (TST) redigiram um parecer que condena em termos duros e enfáticos o Projeto de Lei 4330/2004, que escancara a terceirização e abre caminho a um dramático retrocesso na legislação e nas relações trabalhistas do Brasil, comprometendo o mercado interno, a arrecadação tributária, o SUS e o desenvolvimento nacional. No dia 27 de agosto, os ministros encaminharam ofício à Comissão de Constituição e Justiça e de Cidadania (CCJC) da Câmera Federal anunciando a posição e denunciando o risco de “gravíssima lesão de direitos sociais, trabalhistas e previdenciários no País” e redução do “valor social do trabalho”.
 
Apesar da relevância do tema e da inegável autoridade do tribunal, a mídia hegemônica não se interessou pelo fato, que é um petardo contra o PL 4330, do deputado Sandro Mabel, um capitalista (ou empresário, para quem prefere o eufemismo) de Goiás. O comportamento da mídia não surpreende, mas o silêncio sepulcral diz muito sobre o caráter de classe daquilo que antigamente costumávamos chamar de imprensa burguesa, cujos proprietários têm interesse direto na precarização do trabalho e foram os que mais choraram o veto do ex-presidente Lula à famosa Emenda 3.
 
Terceirização é um estupro
 
A terceirização é “um estupro da classe trabalhadora”, conforme a indignada e justa definição do presidente do Sindicato Nacional dos Marítimos (Sindmar) e vice-presidente da CTB, Severino Almeida. É um instrumento do capital, em seu afã insaciável de maximizar os lucros, para eliminar direitos, reduzir salários, dividir as categorias e enfraquecer os sindicatos.
 
Estudo recente do Dieese e da CUT mostra que o terceirizado fica 2,6 anos a menos no emprego, tem uma jornada de três horas semanais a mais e ganha 27% menos do assalariado contratado diretamente pela empresa. Ou seja, a terceirização, que integra a ofensiva neoliberal do capitalismo, propicia um aumento dramático da taxa de exploração da classe trabalhadora, a taxa de mais valia pesquisada por Karl Marx.
 
O pretexto para escancarar a terceirização é a busca de maior competitividade e produtividade do trabalho, que na concepção dos capitalistas se faz depreciando o valor da força de trabalho. Mas os defensores do projeto são capazes de jurar de cara limpa e pés juntos que querem proteger seus funcionários. Haja cinismo.
 
Um pronunciamento vigoroso
 
A Justiça do Trabalho nem sempre favoreceu os interesses dos assalariados, mas o pronunciamento dos 19 ministros do TST sobre o PL 4330 revela muito mais firmeza, ciência, sabedoria e coragem do que as próprias centrais sindicais e alguns líderes de partidos políticos que dizem representar a classe trabalhadora, mas parecem meio perdidos nas brumas ilusórias da conciliação de classes.
 
O movimento sindical luta para impedir a aprovação do monstrengo capitalista construído por Mabel. A campanha nacional por sua rejeição integra a Pauta Trabalhista propagada nas manifestações nacionais realizadas nos dias 11 de julho, 6 de agosto e no último dia 30. Nesta terça-feira, 3, a CTB (Central dos Trabalhadores e Trabalhadoras do Brasil) promove atos em vários aeroportos do país alertando o povo brasileiro para a necessidade de ampliar a mobilização e luta contra a proposta.
 
Reproduzo abaixo a íntegra do ofício enviado à CCJC para que os leitores e leitoras façam seu próprio julgamento, reflitam sobre os riscos embutidos na PL do capitalista Mabel e contribuam para estabelecer a verdade dos fatos e desmascarar as reais intenções do autor, da CNI e outras entidades patronais que fazem forte lobby no Congresso pela aprovação do projeto. O documento dos ministros é esclarecedor e merece amplo apoio e propaganda. Ajude a divulgá-lo e a enfrentar a conspiração do silêncio da mídia burguesa. 
 
“Brasília, 27 de agosto de 2013
 
Excelentíssimo Senhor deputado Décio Lima
Presidente da Comissão de Constituição e Justiça e de Cidadania
A sociedade civil, por meio de suas instituições, e os órgãos e instituições do Estado, especializados no exame das questões e matérias trabalhistas, foram chamados a opinar sobre o Projeto de Lei nº 4.330/2004, que trata da terceirização no Direito brasileiro.
 
Em vista desse chamamento, os Ministros do Tribunal Superior do Trabalho, infra-assinados, com a experiência de várias décadas na análise de milhares de processos relativos à terceirização trabalhista, vêm, respeitosamente, apresentar suas ponderações acerca do referido Projeto de Lei:
 
I. O PL autoriza a generalização plena e irrefreável da terceirização na economia e na sociedade brasileiras, no âmbito privado e no âmbito público, podendo atingir quaisquer segmentos econômicos ou profissionais, quaisquer atividades ou funções, desde que a empresa terceirizada seja especializada.
 
II. O PL negligencia e abandona os limites à terceirização já sedimentados no Direito brasileiro, que consagra a terceirização em quatro hipóteses:
1- Contratação de trabalhadores por empresa de trabalho temporário (Lei nº 6.019, de 03.06.1974);
2- Contratação de serviços de vigilância (Lei n 7.102, de 20.06.1983);
3- Contratação de serviços de conservação e limpeza;
4- Contratação de serviços especializados ligados a atividades-meio do tomador, desde que inexista a personalidade e a subordinação direta;
 
III. A diretriz acolhida pelo PL nº 4.330-A/2004, ao permitir a generalização da terceirização para toda a economia e a sociedade, certamente provocará gravíssima lesão social de direitos sociais, trabalhistas e previdenciários no País, com a potencialidade de provocar a migração massiva de milhões de trabalhadores hoje enquadrados como efetivos das empresas e instituições tomadoras de serviços em direção a um novo enquadramento, como trabalhadores terceirizados, deflagrando impressionante redução de valores, direitos e garantias trabalhistas e sociais.
 
Neste sentido, o Projeto de Lei esvazia o conceito constitucional e legal de categoria, permitindo transformar a grande maioria de trabalhadores simplesmente em ´prestadores de serviços´ e não mais ´bancários´, ´metalúrgicos´, ´comerciários´, etc.
Como se sabe que os direitos e garantias dos trabalhadores terceirizados são manifestamente inferiores aos dos empregados efetivos, principalmente pelos níveis de remuneração e contratação significativamente mais modestos, o resultado será o profundo e rápido rebaixamento do valor social do trabalho na vida econômica e social brasileira, envolvendo potencialmente milhões de pessoas.
 
IV. O rebaixamento dramático da remuneração contratual de milhões de concidadãos, além de comprometer o bem estar individual e social de seres humanos e famílias brasileiras, afetará fortemente, de maneira negativa, o mercado interno de trabalho e de consumo, comprometendo um dos principais elementos de destaque no desenvolvimento do País. Com o decréscimo significativo da renda do trabalho ficará comprometida a pujança do mercado interno no Brasil.
 
V. Essa redução geral e grave da renda do trabalhador brasileiro – injustificável, a todos os títulos – irá provocar também, obviamente, severo problema fiscal para o Estado, ao diminuir, de modo substantivo, a arrecadação previdenciária e tributária no Brasil.
 
A repercussão fiscal negativa será acentuada pelo fato de o PL provocar o esvaziamento, via terceirização potencializada, das grandes empresas brasileiras, que irão transferir seus antigos empregados para milhares de pequenas e médias empresas – todas especializadas, naturalmente -, que serão as agentes do novo processo de terceirização generalizado.
Esvaziadas de trabalhadores as grandes empresas – responsáveis por parte relevante da arrecadação tributária no Brasil -, o déficit fiscal tornar-se-á também incontrolável e dramático, já que se sabe que as micro, pequenas e médias empresas possuem muito mais proteções e incentivos fiscais do que as grandes empresas. A perda fiscal do Estado brasileiro será, consequentemente, por mais uma razão, também impressionante. Dessa maneira, a política trabalhista extremada proposta pelo PL 4.330-A/2004, aprofundando, generalizando e descontrolando a terceirização no País, não apenas reduzirá acentuadamente a renda de dezenas de milhões de trabalhadores brasileiros, como também reduzirá, de maneira inapelável, a arrecadação previdenciária e fiscal da União no País.
 
VI. A generalização e o aprofundamento da terceirização trabalhista, estimulados pelo Projeto de Lei, provocarão também sobrecarga adicional e significativa ao Sistema Único de Saúde (SUS), já fortemente sobrecarregado. É que os trabalhadores terceirizados são vítimas de acidentes do trabalho e doenças ocupacionais/profissionais em proporção muito superior aos empregados efetivos das empresas tomadoras de serviços. Com a explosão da terceirização – caso aprovado o PL nº 4.330-A/2004 -, automaticamente irão se multiplicar as demandas perante o SUS e o INSS.
 
São essas as ponderações que apresentamos a Vossa Excelência a respeito do Projeto de Lei nº 4.330-A/2004, que trata da ´Terceirização`
Respeitosamente”
 
Seguem as assinaturas dos ministros Antonio José de Barros Levenhagen; João Oreste Dalazen; Emmanoel Pereira; Lelio Bentes Corrêas; Aloysio Silva Corrêa da Veiga; Luiz Philippe Vieira de Mello Filho; Alberto Luiz Bresciane de Fontan Pereira; Maria de Assis Calsing; Fernando Eizo Ono; Marcio Eurico Vitral Amaro; Walmir Oliveira da Costa; Maurício Godinho Delgado; Kátia Magalhães Arruda; Augusto Cesar Leite de Carvalho; José Roberto Freire Pimenta; Delaílde Alves Miranda Arantes; Hugo Carlos Sheurmann; Alexandre de Souza Agra Belmonte e Claudio Mascarenhas Brandão.

oc umberto martinsPor Umberto Martins, jornalista e assessor da Presidência da CTB

CTB fará atos contra a terceirização em aeroportos nesta terça



Para protestar contra o Projeto de Lei 4330/2004, que amplia a terceirização, prejudicando a classe trabalhadora, a CTB promoverá atos nos principais aeroportos do Brasil. Os protestos ocorrerão nesta terça-feira (03), data em que o PL deve ser votado no Congresso Nacional.
A CTB organizou estes atos com o objetivo de pressionar os deputados, que embarcarão com destino à Brasília, para votarem contra a aprovação da medida e também para alertar a população sobre os retrocessos que a mesma causará para o país.

Por meio de uma Carta Aberta (imprima), que será entregue durante os atos, a Central denuncia que “a terceirização também divide a classe trabalhadora, estabelecendo duas categorias de assalariados dentro de uma mesma empresa, enfraquece a organização das categorias e está associada inclusive ao trabalho escravo”.

Acompanhe as manifestações que ocorrerão nesta terça (3) nos estados:

Na capital paulista, a manifestação começará das 7h30 ás 9h30 (horário do embarque dos deputados), no aeroporto de Congonhas, onde os sindicalistas entregarão bananas, num ato simbólico de rejeição ao PL “Vamos dar uma banana para este PL”, enfatizou o presidente da CTB São Paulo, Onofre Gonçalves, ele alertou que a Central não vai aceitar o projeto de lei nestes formato que “escancara e prejudica as relações de trabalho”. Para ele é necessário votar um novo projeto que regulamente a terceirização, mas nos moldes que as centrais concordem.

Também será distribuída uma carta aberta para os parlamentares e para a população alertando sobre os prejuízos que a medida impõe aos trabalhadores, caso seja aprovada.

No Rio Grande do Sul, os sindicalistas estarão mobilizados no Aeroporto Salgado Filho das 5h30 às 7h30. “Com a ampliação do processo de terceirização para todas as atividades desenvolvidas pela empresa, hoje permitida somente nas atividades meio, retira a responsabilidade solidária de garantia de direitos por parte da contratante, dos direitos do trabalhador contratado, e cria uma categoria de empregados de segundo escalão, com menos direitos e salários menores, tornando cada vez mais precárias as relações e as condições de trabalho”, alertou o presidente da Central no Rio Grande do Sul, Guiomar Vidor.

Também estão programados atos no Distrito Federal, no aeroporto Juscelino Kubitschek a partir das 6h00. Na Bahia, no aeroporto Luis Eduardo Magalhães, a partir das 5h30. Em Minas Gerais, a partir das 5h, nas empresas. Em Fortaleza, a mobilização acontece no aeroporto Internacional, logo no início da manhã.
 
Portal CTB

Protesto de trabalhador não é manchete



O Dia Nacional de Mobilizações e Paralisações, liderado pelas centrais sindicais na sexta-feira (30), não recebeu a devida cobertura da mídia patronal – como já era de se esperar. Ocorreram greves, atos públicos e passeatas na maioria dos estados brasileiros, mas a mobilização dos trabalhadores não foi manchete dos jornalões e gozou de poucos segundos de exibição nas emissoras de televisão. Bem diferente da cobertura que a mídia deu aos protestos de junho, quando ela percebeu que poderia pegar uma carona no movimento difuso para pautá-los. Na ocasião, a TV Globo chegou a derrubar a sua grade de programação, cortando inclusive a sagrada novela, para tentar manipular os manifestantes.
O protesto desta sexta-feira teve uma pauta bem definida. Ele exigiu, entre outras medidas, o fim do fator previdenciário, que penaliza aposentados e pensionistas; a redução da jornada de trabalho para 40 horas semanais, sem redução dos salários; o arquivamento do projeto de lei do deputado-bolacha Sandro Mabel, que amplia as terceirizações e a precarização do trabalho. Estas bandeiras, lógico, não são do agrado da imprensa do capital – que também explora seus trabalhadores. Na maioria das manifestações, as lideranças sindicais também exigiram a democratização dos meios de comunicação – outro tema que incomoda os latifundiários da mídia.
Relatos parciais indicam que o Dia Nacional de Lutas teve razoável adesão. Metalúrgicos, professores, bancários, trabalhadores em transportes e servidores públicos estiveram na linha de frente dos protestos. Também ocorreram bloqueios de rodovias em vários estados. Em São Paulo, cerca de 2 mil manifestantes, segundo a Polícia Militar, ocuparam as duas pistas da Avenida Paulista. No Rio de Janeiro houve passeata no centro da capital. Já em Fortaleza, todos os sete terminais de ônibus da cidade foram interditados pelas centrais sindicais. Em Salvador, os condutores de ônibus paralisaram por algumas horas suas atividades. Em Vitória, a principal via de acesso à capital capixaba foi interditada. Em Macapá, os mototaxistas bloquearam as ruas centrais da capital do Amapá.
Em São Luís, os rodoviários também cruzaram os braços. Em Belo Horizonte, as estações de ônibus foram bloqueadas. Já em Juiz de Fora, no interior de Minas Gerais, houve protestos dos professores. O mesmo ocorreu em Curitiba, com a paralisação de várias escolas públicas. Em Teresina, os docentes da rede estadual e municipal aderiram ao protesto nacional. Em Porto Alegre, apenas 20% dos ônibus circularam pela manhã. Numa reportagem sem maior realce, o próprio jornal O Globo reconheceu que “as centrais sindicais realizaram protestos que interromperam diversos serviços pelo país, como o transporte e a rede pública de ensino”. Como de costume, porém, o jornalão tentou criminalizar o movimento, insistindo em afirmar que as manifestações “atrapalharam o trânsito”.
Para os líderes das centrais sindicais, o Dia Nacional de Lutas cumpriu o objetivo de pressionar o governo Dilma e o Congresso Nacional. A pauta de reivindicações do sindicalismo foi encaminhada aos poderes públicos em março passado e até agora não houve qualquer resposta positiva. A única vitória parcial foi a retirada da pauta de votação do projeto de lei do deputado bolacha. Segundo Vagner Freitas, presidente da CUT, há muita lentidão para atender as demandas dos trabalhadores. “Negociação com o governo nós até temos. O que não temos é o atendimento das reivindicações”, criticou. No mesmo rumo, o presidente da Força Sindical, deputado Paulo Pereira da Silva, afirmou que os protestos visam pressionar o governo a “deixar de enrolar os trabalhadores”. Para Adilson Araújo, novo presidente da CTB, “o sindicalismo deve se manter unido e precisa intensificar ainda mais a pressão sobre os poderes públicos”.

Altamiro-Borges1 Altamiro Borges é blogueiro, presidente do Centro de Estudos da Mídia Alternativa Barão de Itararé e Secretário Nacional da Questão da Mídia do PCdoB

Dilma reage duramente à espionagem dos EUA

A decisão da presidenta Dilma Rousseff, de responder em seu tradicional discurso de abertura da Assembleia Geral da ONU, em 23 de setembro, à ofensa que significou a espionagem dela própria e de seus ministros, corresponde à gravidade daquela violação. E também à velha e reconhecida sabedoria do povo brasileiro: ofensa pública deve ser tratada publicamente. E o cenário da Assembleia Geral da ONU, ela própria também espionada pelos arapongas de Washington, é adequado para expor ao mundo a vileza do comportamento arbitrário do governo dos EUA.

A espionagem contra a presidenta brasileira e seus auxiliares é uma violação inaceitável da soberania brasileira e expõe a arrogância dos EUA em suas relações externas. Atribuindo-se o papel de “polícia do mundo”, espionaram amplamente as nações, mesmo aquelas com as quais mantêm relações amistosas, com o pretexto mentiroso de “combate ao terrorismo”.

Daí o acerto da escolha de Dilma – transgressão de tamanha gravidade na esfera internacional deve ser tratada no âmbito maior desta esfera, que é constituído, apesar dos pesares, pela ONU.

A espionagem, da qual já se suspeitava, foi revelada pelo programa “Fantástico”, da Rede Globo, no domingo (1º/9), com base em documentos tornados públicos pelo ex-agente da CIA, Edward Snowden.

Questionado sobre as evidências dessa vilania, o governo dos EUA respondeu com evasivas às exigências apresentadas. E justificou-se com a desculpa mentirosa do combate ao terrorismo.

A reação brasileira teve início assim que as notícias foram divulgadas no domingo, e se deu através dos poderes executivo e legislativo. O Senado convocou, por iniciativa da senadora comunista Vanessa Grazziottin (AM), uma CPI da Espionagem, que começará nesta terça-feira (3) para apurar a grave violação da privacidade da presidenta e, sobretudo, da soberania brasileira. “Precisamos também analisar a capacidade do Brasil de se defender diante dessas ações”, disse a senadora.

"Estamos em situação de emergência", disse Gilberto Carvalho, secretário-geral da Presidência; a presidenta convocou vários ministros para duas reuniões de emergência nesta segunda-feira (2), para definir a reação de seu governo. E o chanceler Luiz Alberto Figueiredo, presença cativa nos dois encontros, estreou no cargo com a mais grave crise entre as duas nações dos últimos tempos; orientado por Dilma, ele convocou o embaixador dos EUA, Thomas Shannon, para exigir explicações numa conversa que não deve ter sido fácil devido às freqüentes mentiras usadas pelo governo de Barack Obama para justificar sua ação ignóbil.

Chegou-se mesmo a falar em cancelamento da visita de Dilma Rousseff aos EUA, decisão que seria um golpe para a diplomacia dos EUA, e hipótese que ainda não foi deixada de lado ante ao que foi, como disse o ministro da Justiça, José Eduardo Cardozo, "uma ofensa clara à soberania brasileira, uma situação que evidentemente ensejará medidas importantes que o governo brasileiro tenha que tomar".

A deputada comunista Luciana Santos, vice-presidente nacional do PCdoB, foi além de considerar a espionagem como “uma afronta à soberania nacional”. Segundo ela, “o caráter da construção do atual gigantesco aparato de espionagem pelo governo estadunidense não está relacionado ao ataque terrorista de 11 de setembro de 2001”, mas é “diretamente ligado à política externa do país com a maior máquina de guerra jamais vista na história da humanidade: os Estados Unidos da América”.

A deputada comunista lembrou que o Brasil não é o mesmo país submisso de décadas passadas, como no período da ditadura militar ou de governos neoliberais como o de Fernando Henrique Cardoso. O Brasil mudou, disse, e a velha postura deixou de existir desde que o presidente Luiz Inácio Lula da Silva assumiu o governo. Aqui, afirmou com razão, “trata-se de defender uma das questões mais caras para qualquer nação: sua soberania e sua autonomia”. “Nenhuma ingerência deve ser tolerada. Quem manda no Brasil são os brasileiros!”

O tom duro da resposta de Dilma corresponde à dignidade e à soberania do Brasil. O governo dos EUA não deve apenas atender aos necessários pedidos de explicações ao governo brasileiro. E não basta apenas desculpar-se,mas deve também demonstrar, de forma clara e transparente, o abandono destes métodos de impor sua vontade e seus interesses. Esta é uma exigência feita por uma nação independente que não transige com sua soberania, e denuncia ao mundo a ação arrogante e inaceitável do governo dos EUA.

Fonte: Vermelho

segunda-feira, 2 de setembro de 2013

CTB promove atos em aeroportos do país amanhã contra PL 4330


A CTB está preparando grandes manifestações para a amanhã, terça-feira (03), em aeroportos das principais capitais brasileiras para protestar, mais uma vez, contra o Projeto de Lei 4330/2004, que regulamenta a terceirização.

O objetivo do protesto, organizado pela CTB, é alertar à população e aos parlamentares sobre o riscos da aprovação da medida, que escancara a tercerização, beneficiando empresários em detrimento dos interesses da classe trabalhadora.

A iniciativa da central visa fortalecer esse momento de mobilização pelo qual passa o Brasil e alertar o Congresso Nacional e o governo para a importância em se avançar rumo a um novo projeto de desenvolvimento com soberania, democracia e valorização do trabalho, para superar os gigantescos e históricos problemas sociais que afetam o povo brasileiro.

“A CTB orienta suas estaduais a realizarem uma série de manifestações, na próxima terça-feira, em aeroportos das principais capitais brasileiras. Vamos dar uma 'banana' para o PL da terceirização, exigindo seu engavetamento”, afirmou Adilson Araújo, presidente nacional da CTB.
TST vota contra PL 4330
Na última terça-feira (27), por unanimidade os ministros do Tribunal Superior do Trabalho (TST) se manifestaram contrários ao PL 4330, que dispõe sobre o contrato de prestação de serviço a terceiros e as relações de trabalho dele decorrentes.

No parecer, em uníssono, os ministros defendem que o Projeto esvazia o conceito constitucional e legal de categoria permitindo transformar a grande maioria de trabalhadores em simplesmente em 'prestadores de serviços' e não mais em 'bancários', 'metalúrgicos', 'comerciários', etc".

Ainda de acordo com o parecer do TST, "o PL autoriza a generalização plena e irrefreável da tercerização na economia e na sociedade, no âmbito privado e público, podendo atingir qualquer segmento ou profissionais".

Para os ministros o projeto negligencia e abandona os limites à terceirização já sedimentados no direito brasileiro, além de rebaixar drásticamento os salários. "O rebaixamento dramático da remuneração contratual de milhões de concidadaos, além de comprometer o bem estar individual e social, afetará fortemente, de maneira negativa, o mercado interno de trabalho e consumo, comprometendo um dos principais elementos de destaque no desenvolvimento do país", afirma o parecer.

Na opinião dos dirigentes da CTB, o parecer do TST só reforça o que os sindicalistas defendem há tempos: que o PL autoriza que os trabalhadores tercerizados sejam submetidos a salários baixíssimos e péssimas condições de trabalho, resultando na precarização, que agrava o problema da rotatividade.

Votação

Em tramitação no Congresso Nacional, o PL que deve ser votado na próxima semana, determina somente a responsabilidade subsidiária entre empresas contratante e contratada. Dessa forma, a contratante só responde pelas obrigações trabalhistas da terceirizada, se esgotados todos os recursos jurídicos.

Para os representantes dos trabalhadores, isso não é suficiente para garantir que os terceirizados tenham seus direitos assegurados e defendem a responsabilidade solidária, na qual a contratante assume as pendências deixadas pela terceira.



Fonte: Portal CTB

domingo, 1 de setembro de 2013

Prefeitura de Itabuna amplia atenção a mulheres vítimas de violência

A Prefeitura de Itabuna tem como uma das metas de gestão o apoio, acolhimento e a garantia de direitos a mulheres vítimas de violência. A Secretaria da Assistência Social mantém a Divisão de Combate a Violência Contra Mulher (DV Mulher). O prefeito Claudevane Leite efetivou a implantação de um Centro de Referência Especializado de Atendimento à Mulher Vítima de Violência (CRAM).  
A instalação acontecerá em parceria com a Secretaria de Políticas para as Mulheres do Governo da Bahia e terá recursos também do governo federal. Já em 2014 o CRAM vai reforçar a assistência às mulheres em situação de violência, ampliar o acesso às políticas públicas e garantir a preservação dos seus direitos.
            Recente levantamento da Delegacia Especial de Atendimento à Mulher (Deam) divulgou dados das infrações penais e investigações registradas em Itabuna nos anos de 2011 e 2012. Em 2011, foram computadas 1.683 ocorrências, sendo 582 lesões corporais dolosas, 690 ameaças, 208 crimes de injúria, 103 de difamação, 27 de calúnia, 25 estupros e 45 medidas de proteção.
            Em 2012, o registro foi de 1.594 ocorrências, das quais 533 lesões corporais, 588 ameaças, 181 crimes de injúria, 126 de difamação, 37 de calúnia, 28 de estupro e 119 medidas de proteção. As conciliações que em 2011 chegaram a 423, em 2012 somaram apenas 376.
Já o comparecimento do autor intimado após denúncia permaneceu o mesmo, 172 em cada ano. A ausência das partes envolvidas também é preocupante: em 2011 ocorreu em 519 casos e em 2012 em 568. Da mesma maneira a desistência das denúncias por parte das mulheres, que em 2011 foi de 215 e em 2012 o número atingiu 169.
            Os números alertam o governo municipal que já intensificou as ações para com a comunidade. A DV Mulher realizou evento na sexta-feira passada, quando promoveu a aproximação das itabunenses com o espaço estruturado para elas. A Divisão oferece atendimento jurídico, psicológico e social.
 Lá as mulheres recebem incentivo para buscar seus direitos e o apoio para as que forem vítimas de violência. A divisão funciona na Avenida Almirante Tamandaré, no Centro de Itabuna e mantém parceria com a Deam, Vara da Infância e Adolescência, Ministério Público Estadual e Conselho Tutelar.
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Prefeitura de Itabuna - Departamento de Comunicação Social

Deu no Estadão: Formados em Cuba lideram no Revalida

Dos 77 aprovados em 2012, 15 vieram da Escola Latino-Americana, cujo currículo é criticado por especialistas; exame é obrigatório no Brasil


Médicos formados em Cuba foram os mais aprovados no Exame Nacional de Revalidação de Diplomas Médicos (Revalida) em 2011 e 2012. Dos 65 que conseguiram revalidar o diploma em 2011, 13 estudaram na Escola Latino-Americana de Cuba (Elam), assim como 15 dos 77 aprovados em 2012. Os dados são do Ministério da Educação (MEC) e foram obtidos via Lei de Acesso à Informação.
A escola oferece curso de Medicina para estudantes de 113 países, incluindo brasileiros saídos de movimentos populares. A instituição, porém, recebe críticas de especialistas e conselhos de Medicina brasileiros, pois seus profissionais têm de fazer um complemento nos estudos para atuar no sistema de saúde cubano. 
Para o presidente do Sindicato dos Médicos de São Paulo (Simesp), Cid Célio Jayme Carvalhaes, os médicos aprovados no Revalida têm o conhecimento necessário para exercer a profissão no Brasil, apesar das críticas à escola. “Sabemos que, por determinação do governo cubano, os alunos da Elam não podem atuar em Cuba sem o complemento (residência). Mas, se foram aprovados no Revalida, têm o mínimo exigido para atuar no Brasil. Eles passaram, tiveram mérito”, disse. 
Quem estudou na Elam e teve seu título aprovado no Brasil diz que não há diferença na prática médica dos dois países. “Mas a gente vê que os formados em Cuba têm um enfoque mais humanitário. Na faculdade, por exemplo, tive uma disciplina específica de Medicina Familiar e Comunitária e atendi os pacientes onde eles precisavam”, afirma a médica paulistana Denise Assumpção do Nascimento, de 32 anos.
Ela se formou na Elam em 2003, fez especialização em Medicina Comunitária na Venezuela e teve seu título revalidado no Brasil em 2011. Hoje, cursa Medicina do Trabalho no Hospital das Clínicas, da Universidade de São Paulo (USP). 
O corpo técnico e a vice-reitora da Elam, Yoandra Muro Valle, foram procurados pelo Estado, mas não responderam aos pedidos de entrevista.
Nessas duas edições do exame, os médicos formados na Bolívia foram os que mais se inscreveram. Em 2011, dos 677 inscritos, 304 haviam se formado naquele país. Em 2012, eles foram 411 dos 884. Porém, o porcentual de aprovação foi um dos menores, de 4,61% e 3,65%, respectivamente.
Para os estudantes que foram estudar na Bolívia, o principal fator para a baixa aprovação é a falta de controle do governo sobre a qualidade das escolas. “Os brasileiros são maioria na Bolívia e querem voltar para o País quando se graduam, como eu estou tentando. O problema é que tem aumentado o número de escolas de baixo preço, sem controle adequado do Estado”, diz o brasileiro Juan Domingo Alpire Ramos, formado em 2011 em Cirurgia Geral pela Universidad Mayor de San Simón, uma das mais tradicionais do país. 
Fonte: Estadão