terça-feira, 12 de março de 2013

Hoje tem audiência em Itabuna do Movimento contra a Privatização da BR 101


Acontece hoje, na Câmara de vereadores de Itabuna,  a partir das 18h30min, o ato de lançamento do Movimento Contra a Privatização da BR 101. A iniciativa da CTB - Central dos Trabalhadores e Trabalhadoras do Brasil, que convidou diversos representantes de segmentos organizados na sociedade para empreender a luta contra a cobrança de pedágios na BR 101 que está prevista para ser iniciada em setembro de 2014.
O leilão da concessão da BR 101 está previsto para maio. As praças de pedágio serão instaladas entre Feira de Santana e Mucuri nas cidades de São Gonçalo dos Campos, Conceição do Almeida, Wenceslau Guimarães, Ubaitaba, Buerarema, Mascote, Itabela, Itamarajú e Caravelas. O custo estimado de ponta a ponta é de R$57,50 (Cinquenta e sete reais e cinquenta centavos) a preço de hoje.

Carga tributária alta x Serviços Públicos de baixa qualidade
O brasileiro paga uma das maiores carga tributária do mundo e em contrapartida obtêm serviços públicos de baixa qualidade.  Como se não fosse bastante os governos, federal e estadual, tencionam privatizar todas as rodovias. Eles ganham com o leilão da concessão, se abstêm das despesas para a recuperação e manutenção das rodovias e o cidadão paga a conta do IPVA, da CID, do aumento dos fretes e das passagens de ônibus, além de ter cerceado o seu direito de ir e vir.

Movimento lutou contra o pedágio nas rodovias Ilhéus-Itabuna e BR 101
O Movimento Contra Privatização de Rodovias nasceu em 2007 quando o governo do estado anunciou a privatização da rodovia Ilhéus-Itabuna, quando diversas manifestações foram realizadas e até mesmo uma paralisação promovida pela CTB em conjunto com o DCE da UESC no Salobrinho. O movimento também atuou na luta contra a privatização na BR 101 em 2009, quando distribuiu panfletos e adesivos alusivos à campanha e também organizou paralisações.

Lute agora ou pague para sempre!
Quem não quer cair na falácia de que para transitar em uma rodovia moderna e conservada têm que pagar pedágio (uma instituição medieval) deve somar na luta “Pedágio Não”, organizando o movimento em todas as cidades as margens ou próximas a BR 101. Além de cobrar posição dos partidos políticos, prefeitos, vereadores e deputados.

Dilma promulga Convenção 151 da OIT: sindicalistas comemoram


A presidenta Dilma Rousseff assinou na última quarta-feira (6) o Decreto 7.944, que torna obrigatória a negociação sindical no setor público, entre outras mudanças fundamentais introduzidas nas relações de trabalho na administração pública. No dia seguinte, o Decreto foi publicado no Diário Oficial da União e está em pleno vigor. Uma vitória dos trabalhadores, consideram os sindicalistas. 


A regulamentação da Convenção 151 constava do rol de reivindicações da 7ª Marcha das Centrais Sindicais e Movimentos Sociais, que concentrou mais de 50 mil pessoas em Brasília, no último dia 7, mesmo dia em que a presidenta Dilma encerrou uma etapa decisiva na implantação da negociação coletiva no Brasil. Há outros grandes avanços como o reconhecimento de direitos sindicais e trabalhistas efetivos para a categoria profissional dos servidores públicos.

Segundo o presidente da Confederação dos Servidores Públicos do Brasil (CSPB), João Domingos, a regulamentação é o degrau mais alto na implantação da negociação coletiva no Brasil. Segundo ele, a etapa seguinte é a mais difícil, que é implantar o sistema nacional de negociação coletiva em todo o País. Estados, municípios e União.

Para o secretário de Servidores Públicos da CTB, João Paulo Ribeiro, com esse decreto fica mais fácil a elaboração de uma lei que estabeleça as regras da negociação coletiva no serviço público. Ele lembra que o Brasil é signatário da Convenção desde 17 de junho de 2010 e que, no ano seguinte, portanto em 2011, deveria ter sido feita uma lei regulamentando o tema, o que não foi feito.

Com o decreto presidencial, o governo federal mostra intenção de regularizar o tema e permite que os estados possam iniciar o debate sobre o assunto. “O interessante é ter uma lei federal que sirva de parâmetro, mas os estados podem iniciar o debate”, diz João Paulo, destacando que “saímos do ponto morto”.

Audiência pública

A primeira iniciativa após a promulgação da Convenção é a realização de uma Audiência Pública no Senado, dia 9 de abril, às 9 horas, para debater a implantação das regras e determinações derivadas da Convenção 151. A audiência foi requerida pelo senador Paulo Paim (PT-RS)

O presidente da CSPB acredita que o decreto assinado pela presidente na última semana é um importante passo. “A iniciativa da presidenta Dilma Rousseff foi fundamental nessa arrancada, agora esperamos celeridade neste processo. E melhor ainda se isso ocorrer antes do dia primeiro de maio quando se comemora o dia do trabalhador, mas é imprescindível que ocorra antes do Congresso da OIT”, pontuou Domingos.

Em junho deste ano, a OIT promove sua 102ª Sessão em Genebra quando discutirá, entre outros temas, a organização sindical e resolução de conflitos trabalhistas no serviço público. Segundo João Paulo, seria um constrangimento que a sessão da OIT ocorresse sem que o Brasil tivesse avançado nessa área.

“O decreto presidencial conclui a ratificação da referida Convenção, realizada pelo ex-presidente Lula, em 2010, e coroa a incansável e persistente luta, empreendida pela Confederação dos Servidores Públicos do Brasil (CSPB), ao longo de mais de 40 anos”, explica Domingos. 

De Brasília - Márcia Xavier - Vermelho

segunda-feira, 11 de março de 2013

Problemas familiares antecedem uso de drogas por crianças


Os problemas com a família antecedem o uso de drogas por crianças e adolescentes, a conclusão é de Ana Regina Noto, professora do Departamento de Psicobiologia da Universidade Federal de São Paulo (Unifesp) e coordenadora do Levantamento Nacional sobre o Consumo de Drogas Psicotrópicas entre Crianças e Adolescentes em Situação de Rua, um estudo feito no ano de 2004, em 27 capitais.


Segundo Ana Regina, existem nas ruas crianças e adolescentes que trabalham, não se envolvem com drogas e têm consciência que elas causam problemas, pois têm uma base familiar que lhe serviu de exemplo. 

“Temos o grupo de adolescentes que estão nas ruas, trabalhando, e que pegam esse dinheirinho e levam para suas casas e ajudam no sustento das famílias. Esses adolescentes estão usando o espaço das ruas, mas não se envolvem com o crack porque tiveram gerações anteriores que lhes serviram de exemplo. E eles sabem que se se envolverem com o crack, isso vai afetar o rendimento e o trabalho deles. Em geral, têm uma história de escola, alguns frequentam a escola, têm vínculos de família um pouco mais preservados. Já o menino que está na rua porque não teve mais condições de ficar com a família é o menino de rua”, explicou.

Para a coordenadora, quando essas crianças e adolescentes passam a viver nas ruas, geralmente isso é resultado de sérios problemas na família. Durante o estudo que coordenou em todo o país, ela disse ter constatado que muitas vezes eles tentam voltar para o ambiente familiar. 

“Eles estão bem na rua? Não. Eles tentam voltar constantemente para casa. Mas o que ocorre é que eles voltam para casa esperando por uma família diferente. Mas eles vão encontrar exatamente aquela família com quem um dia tiveram dificuldade de convivência. E aí acabam voltando para a rua”, declarou.

De acordo com Ana Regina, elas então começam a viver nas ruas, de fato, e ficam mais vulneráveis ao uso de drogas, entre elas, o crack. 

“A maior parte dessas histórias é muito triste, de relações com a família muito complicadas. Há desde os meninos cujos pais morreram, e ninguém quis ficar com eles, até aqueles que ficaram com a mãe, que assumiu outro relacionamento, e que não os aceita; e têm aqueles cujas famílias não conseguem dar conta por doenças relacionadas à saúde mental ou de violência São histórias que variam bastante, mas o que têm em comum são casos severos de que a família não deu conta de cuidar dessas crianças ou adolescentes”, disse.

Com as relações com a família conturbadas, o espaço da rua acaba se tornando mais atrativo para a criança e o adolescente do que a própria, ressaltou a pesquisadora. “Na casa falta comida, afeto, segurança e uma série de carências. Então ele vai buscar, na rua, um espaço de convivência com outras crianças e adolescentes que estão em situação parecida, o que não rem em casa. Lá ele não apanha e é acolhido pelo grupo”, declarou. 

“O menino de rua tem perspectivas mais limitadas, uma outra perspectiva de rua e, portanto, ele tem menos motivos para não usar [drogas]. E a rua convida para o uso”, completou.

Na avaliação da pesquisadora, um tratamento para essas crianças e adolescentes só teria sucesso se for acompanhado por um resgate de sua cidadania. 

“Como tratar o crack se você não oferecer alguma coisa além? A base do problema desse menino não é o crack, são os vínculos com a família, com a escola. Não adianta um tratamento focado no crack. Deve-se fazer um trabalho que envolva a família ou que dê condições para ele se desenvolver”, ressaltou.

Fonte: Agência Brasil via Vermelho

Eu, o Chorão e as drogas


Infelizmente é assim. É necessária a morte de algum famoso para que a discussão sobre as drogas venha à tona com força. Desta vez a vítima foi um cantor bem sucedido, mas que sucumbiu perante a própria existência. Sucumbiu perante um sistema que ataca no núcleo do que há de mais interessante na vida. A vontade de viver. 

Por Elias Jabbour*


Chorão claramente era uma figura diferente. Irreverente, peito aberto, dizia e fazia o que bem entendia. Curto e admiro gente assim. Talvez devesse ser a forma como ele reagia a um sistema que condena o individuo a pobreza da padronização, criando robôs a serviço da manutenção da própria decadência do indivíduo. O isolamento e a dor é o primeiro sintoma individual desta decadência. O uso de drogas é somente a ponta do iceberg da produção em escala industrial de humanos desumanos.

O capitalismo está afundando e levando a essência humano ladeira abaixo. A desumanidade expressa uma grande luta onde a derrota do indivíduo pela lógica do capital é quase certa. Não existe espaço para todos no banquete do sistema. O mito do self made man deu lugar ao monopólio. A realização humana pela via do acúmulo de bens materiais vai se transformando num circulo nada virtuoso onde o cartão de crédito é mais interessante do que a visita a um amigo ou vizinho doente. E todos estão adoecendo, extensão da possível vitória da barbárie sobre a superação da miséria humana.

É essencialmente na busca pela realização material que tropeçamos em alguma pedra no caminho do crescimento pessoal. Nossas vontades nunca serão plenamente realizáveis e esse fato é suficiente para provocar dor. É fato que nem sempre as pessoas ao nosso redor vão realizar nossos desejos, vontades e dar conta de nossas ansiedades. As coisas não estarão sempre ao nosso alcance e o que pode restar é uma relação de plena doença entre o individuo com o seu redor e consigo mesmo.

Chorão, assim como milhares de pessoas que morrem diariamente em decorrência de certos hábitos, estava doente, com suas necessidades em grande parte não realizadas. A pergunta que não devemos ter medo de responder é se as drogas são capazes de saciar determinadas formas de demandas emocionais. Infelizmente, respondo que sim. Se fosse o contrário não existiria necessidade de linhas fordistas ao refino dela. Trata-se de uma fuga capaz de gerar paixão e como toda paixão ela pode ser fatal. E foi. Tem sido.

Chorão deve ter percorrido o mesmo caminho que percorri numa fase intensa da minha vida: insatisfação com o mundo ao redor, falta de autoaceitação, autopiedade e ânsia para viver o aqui e o agora. Como eu, Chorão deve ter sentido uma paixão enlouquecedora, capaz de fazer simplesmente tudo por mais um pico, mais uma carreira esticada. Como eu, e muitos, Chorão queria ela só para ele. Isolava-se do mundo e de todos. Num certo momento ela ia embora e a depressão chegava de forma avassaladora, impiedosa. Longe dela só a morte tinha sentido. E perto dela a sensação de morte estava próxima. É a mesma história de sempre, mudando somente os personagens.

***

Mantive, por muito tempo, uma relação de amor e ódio com as drogas. Como Freddie Mercury disse certa vez: “Ela me enlouquecia. Nosso amor chegou a um ponto, que já não conseguia viver sem ela. Mas era um amor proibido. (...). Fiquei louco. Eu a queria, mas não a tinha. Eu não podia permitir que me afastassem dela. Eu a amava: bati o carro, quebrei tudo dentro de casa”. E posso dizer que fiz, sim, tudo isso! No concreto, me transformei em alguém que nunca gostaria que fosse.

Mas será que todos os que estão ainda nessa devem ser condenados a uma morte lenta, segura e desmoralizante? Digo que não. Por mais difícil que seja viver longe de uma paixão, a saída existe e pressupõe a um apelo ao coletivo. Impossível conseguir sozinho e a superação de certas coisas só são passíveis diante de um apelo à vida coletiva. Claro que existe o problema de um Estado que promove faxinas nas cracolândias, repassa mais de 40% do orçamento ao pagamento da dívida pública, corta gastos previstos para combater o crack e se demonstra impotente diante da quebra do tecido social.

Afora isso, existe solução. O mundo não pode ser condenado a se transformar numa imensa cracolândia que se estende desde os vãos de viadutos até apartamentos sofisticados das grandes metrópoles. No plano da experiência pessoal posso afirmar que viver a vida um dia de cada vez pode ser uma saída interessante diante da vontade de se livrar de um amor doentio. O ser humano pode ter uma atitude crítica diante do própria sistema se responder satisfatoriamente ao desafio de crescer ou morrer. Existe vida sim após as drogas. Existe o ponto fora da curva.

E como Chorão, que ganhou a minha admiração por sempre ser o ponto fora da curva num “meio artístico” medíocre e pasteurizado, podemos fazer diferente sem se trancafiar em si mesmo. O ponto fora curva é olhar criticamente para si mesmo. É crescer e não morrer. Vivendo um dia, uma emoção de cada vez.

Elias Jabbour* é geografo e militante do Partido Comunista do Brasil (PCdoB)

Lavagem do Mendigos foi um sucesso!















Luta contra a cobrança de pedágios na BR 101 começa amanhã


O ato de lançamento da campanha contra a cobrança de pedágios na BR 101 será nesta terça-feira, às 18h30m, na Câmara de Vereadores de Itabuna. É o Movimento contra a Privatização da BR 101 que mais uma vez realizará protestos em pontos estratégicos da rodovia alertando a população quanto aos riscos da pretensão do governo federal em entregar para a iniciativa privada a administração da BR 101.
Leia abaixo a nota do Movimento contra a Privatização da BR 101 que tem apoio da Central dos Trabalhadores e Trabalhadoras do Brasil (CTB/Regional Sul da Bahia) e sindicatos filiados: