segunda-feira, 18 de fevereiro de 2013

Altamiro Borges: Chávez na Venezuela! Cadê o Merval?

Hugo Chávez retorna à Venezuela com 64% de aprovação

O presidente Hugo Chávez retornou a Caracas nesta segunda-feira (18) após completar mais uma etapa do tratamento do seu câncer em Cuba.

Por Altamiro Borges, em seu Blog.


Ainda bastante debilitado, ele agradeceu aos que torceram pela sua rápida recuperação. “Chego de novo à pátria venezuelana, graças a Deus e ao meu povo amado. Aqui continuaremos o tratamento”, afirmou em sua conta no twitter. Ele também manifestou a sua gratidão ao povo cubano. “Obrigado Fidel, Raúl e toda Cuba... Até a vitória sempre! Viveremos e venceremos”.

Agentes da CIA, um bispo demoníaco da Venezuela e muitos “calunistas” da mídia mundial, que juraram que o líder bolivariano já estaria morto, até agora não se manifestaram. 

Merval Pereira, o “imortal” da Academia Brasileira Letras, está quieto. Em meados do ano passado, antes mesmo das eleições que garantiram a nova vitória a Hugo Chávez, ele garantira que o líder venezuelano sobrevivia em aparelhos. Arnaldo Jabor, Ricardo Noblat e outros urubus da mídia repetiram a estória. 

E agora? Farão autocrítica das suas besteiras?  


Fonte: http://www.vermelho.org.br

sábado, 16 de fevereiro de 2013

CONVITE


Vaticano confirma: Anna Cintra é nova reitora da PUC


"Vaticano confirma Anna Cintra na reitoria da PUC-SP. Um Estado estrangeiro decide quem é reitor de universidade brasileira! E contra a vontade dos votantes, a terceira da lista? Absurdo”. Assim o sociólogo Emir Sader protestou no Twitter contra a decisão da polêmica envolvendo a sucessão da reitoria da Pontifícia Universidade Católica (PUC-SP).


DCI/PUC-SP
Anna Cintra
Anna Cintra recebe de Dom Odilo Pedro Scherer documento do Vaticano confirmando seu mandato como reitora
Na tarde desta sexta-feira (15), o cardeal-arcebispo de São Paulo, d. Odilo Scherer, entregou o decreto do Vaticano que confirma a professora Anna Cintra como reitora da PUC-SP no quadriênio 2012-2016. O texto é assinado pelo cardeal Zenon Grocholewski, prefeito da Congregação para Educação Católica.

A carta foi entregue por dom Odilo Scherer, arcebispo de São Paulo e presidente do Conselho Superior da Fundação São Paulo, órgão que administra a PUC-SP, à professora Anna Cintra em evento na tarde de ontem.

Após a ratificação, a reitora baixou um ato impondo a necessidade de autorização prévia para a realização de manifestações e eventos públicos na universidade.

Terceira colocada

Cintra ficou em terceiro lugar na votação entre estudantes, funcionários e professores. Mesmo perdendo, ela foi nomeada pelo cardeal Dom Odilo Scherer, grão-chanceler da instituição e presidente do Conselho Superior da Fundação São Paulo, órgão que administra a instituição.

A eleição, realizada em agosto, foi vencida por Dirceu de Mello, que já era reitor da universidade e concorreu ao segundo mandato. Segundo os estudantes, desde 1980 todos os vencedores das eleições para reitor assumiram efetivamente o cargo.

Por causa da nomeação da professora, funcionários, estudantes e docentes entraram em greve por 34 dias.

Da Redação do Vermelho,
Com informações da Folha online

*Matéria alterada às 12h51 para alteração de informação

Rede de Marina não será “nem oposição, nem situação”


"Nem oposição nem situação, precisamos de posição". Essas foram as palavras da ex-ministra do Meio Ambiente Marina Silva no início do evento de lançamento do novo partido político, chamado Rede, que acontece neste sábado (16) em Brasília. De olho nas eleições presidenciais de 2014, ela inicia agora as coletas de assinaturas para a criação do novo partido.


Thays Cabette
Marina Silva
Marina Silva divulga estatuto de seu novo partido neste sábado (16) em Brasília
Ao defender princípios éticos, Marina afirmou que a sigla não será "nem oposição, nem situação" ao governo de Dilma Rousseff, mas admitiu fazer "alianças pontuais" em torno de ideias: "nós não seremos nem oposição nem situação à Dilma (Rousseff). Se a presidente estiver fazendo algo bom para o Brasil, nossa posição é favorável. Se ela for contra o Código Florestal, nossa posição é contrária", afirmou Marina, em um de seus discursos. "É um partido para questionar a si próprio. Não pode ser um partido para eleição", completou. "(O partido) não precisa ter postura de manada."

Leia também:
Editorial: Marina Silva lança sua Rede

Dizendo que são "diferentes", a ex-senadora e ex-ministra do governo Lula Marina defendeu alianças partidárias. "Podemos fazer alianças pontuais. Não precisamos eliminar sonhos. Mas é preciso que fique claro que somos diferentes." Lembrou ainda que a nova legenda não tem "uma liderança única e, sim, multicêntricas."

Marina considera que o objetivo principal do partido não é disputar eleições, mas questionar a incapacidade da política atual de interferir e transformar a realidade. "O que está acontecendo aqui é um paradoxo, estamos criando um partido para questionar a si próprio. Não é um partido criado para disputar eleição, mas para disputar uma visão de mundo, de um novo sujeito político que não é espectador, é o protagonista. É para democratizarmos a democracia, reconectarmos o sujeito com a potência do fazer político", defendeu.

Para poder se candidatar à Presidência pela nova legenda em outubro de 2014, Marina e os fundadores da sigla precisam conseguir 500 mil assinaturas até setembro deste ano. "Vamos dedicar os próximos três meses para a coleta de assinaturas. Não será difícil", previu Walter Feldman. Além dele, os deputados Alfredo Sirkis (PV-RJ), que não compareceu ao evento, e Domingos Dutra (PT-MA)e a ex-senadora e vereadora por Maceió Heloisa Helena anunciaram o ingresso no novo partido. "Serei uma soldada da Marina", disse a ex-senadora, em discurso que lançou a candidatura de Marina ao Planalto, em 2014.

O estatuto do novo partido deveria ser aprovado até o final do dia de ontem. O documento prevê uma reavaliação do papel do partido em relação a sua continuidade daqui a 10 anos. Ou seja, a sigla poderá ser extinta. Também deverá ficar definido que os detentores de mandato terão direito a disputar apenas uma reeleição em cada casa parlamentar.

Com agências via Vermelho

Pixinguinha e a dificuldade de ser negro no Brasil


Pixinguinha
O mestre, Pixinguiinha

Há 40 anos, no dia 17, o grande músico deixou nosso convívio, mas sua obra continua viva e integra o rico acervo da Música Popular Brasileira.  


Por Marcos Aurélio Ruy* 



Nasceu Alfredo da Rocha Viana Filho, em 23 de abril de 1897 - dia que, em sua homenagem, foi designado como o Dia Nacional do Choro, em 2000. O compositor carioca consagrou-se com o apelido de Pixinguinha, dado pela avó africana que o chamava pinzindim (menino bom). Nascido numa família de músicos, muito cedo ele começou a trabalhar com os irmãos em casas noturnas no Rio de Janeiro. Iniciou sua carreira com flautista e encerrou como saxofonista. Dizem que tinha problemas com o bocal da flauta. 

Apesar de inúmeros percalços, Pixinguinha seguiu em frente e transformou-se num dos mais inventivos e importantes compositores da MPB. A importância de Pixinguinha para o chorinho é a mesma da de Tom Jobim para a bossa nova, ou seja, ele sistematizou o ritmo e lhe deu novos contornos, muito avançados para a época. Participou de diversos grupos e marcou época com Os Oito Batutas, do qual o amigo Donga também fazia parte.

Os Oito Batutas - Pixinguinha tem a flauta nas mãos 
(de pé, primeiro à esquerda)

Nas décadas seguintes à Abolição da Escravatura e desde o início do século 20 os negros brasileiros enfrentavam imensas dificuldades em todos os campos da vida, inclusive na música. Eram taxados de “malandros”, “vagabundos”, entre outras ofensas. O título deste artigo em homenagem a Pixinguinha pelo conjunto de sua obra, surgiu de dois acontecimentos. 

Primeiro, de um comentário da leitora do Vermelho Beatriz Helena Souza sobre um artigo que escrevi com o título Contra o preconceito, conhecimento. Disse ela: “acho impressionante que ainda hoje ser negro seja tão complicado neste país”. E acrescentou que “ainda somos olhados como outro e não com parte”. 

O outro fato que levou ao título liga-se diretamente com algo que ocorreu com o próprio músico nos anos 1920, como conta o flautista Altamiro Carrilho no livro Os sorrisos do choro. Pixinguinha contou a ele a história da canção composição Lamento: em 1928 Os Oito Batutas fez enorme sucesso na França sendo, por isso, homenageados em um importante hotel no Rio de Janeiro, ao retornar. Mas foram obrigados, pelo racismo vigente, a entrar pela porta dos fundos pois não se aceitava que negros entrassem pela porta principal. 

A reação de Pixinguinha foi repetir a palavra lamento algumas vezes e Donga, seu companheiro de grupo,  sugeriu que compusesse uma música com esse título na qual, trinta anos depois, Vinicius de Moraes colocou a letra. 

Várias canções do músico carioca receberiam letras tempos depois, como Carinhoso (letra de Braguinha) e Isso que é viver (letra de Hermínio Belo de Carvalho).

As canções de Pixinguinha derramam brasilidade e atingem o âmago da alma do brasileiro afirmando sua negritude. Músicas como A vida é um buracoBenguelêCafezal em flor (parceria com Eugênio Fonseca), Conversa de criouloFesta de branco (com Baiano), Patrão prenda seu gado (com Donga e João da Baiana), Vou vivendoFala baixinhoNo elevadorRosa (com Otávio de Souza), entre inúmeras outras que fazem parte da história de nossa canção popular. 

A força da música de Pixinguinha resiste ao tempo e marca a vida brasileira. Basta entoar Carinhosoou Lamento. Por isso, falar dos 40 anos da morte do grande músico é importante para trazer à tona o poder de sua obra, rica e diversa. Pixinguinha morreu em 17 de fevereiro de 1973, aos 75 anos. Mas sua música não morrerá jamais.
Pixinguinha foi forte influência às gerações futuras de músicas por orquestrar, arranjar, harmonizar, tocar instrumentos e compor como poucos. Sem dúvida está entre os maiores músicos do planeta no século 20. Ouça:
Lamento

(com Vinicius de Moraes, interpretação do MPB4)


Morena, tem pena
Mas ouve o meu lamento
Tento em vão
Te esquecer
Mas, olhe, o meu tormento é tanto
Que eu vivo em pranto e sou todo infeliz
Não há coisa mais triste, meu benzinho
Que esse chorinho que eu te fiz
Sozinha, morena
Você nem tem mais pena
Ai, meu bem
Fiquei tão só
Tem dó, tem dó de mim
Porque estou triste assim por amor de você
Não há coisa mais linda neste mundo
Que meu carinho por você

Carinhoso

(com Braguinha, comentário e interpretação de Orlando Silva)

Meu coração
Não sei por que
Bate feliz, quando te vê
E os meus olhos ficam sorrindo
E pelas ruas vão te seguindo
Mas mesmo assim, foges de mim
Ah! Se tu soubesses
Como sou tão carinhoso
E muito e muito que te quero
E como é sincero o meu amor
Eu sei que tu não fugirias mais de mim
Vem, vem, vem, vem
Vem sentir o calor
Dos lábios meus
À procura dos teus
Vem matar esta paixão
Que me devora o coração
E só assim então
Serei feliz, bem feliz
Marcos Aurélio Ruy é colaborador do Vermelho

Comissão da Verdade descobre: Fiesp e CIA, os estranhos visitantes do Dops


O que um representante da Federação das Indústrias do Estado de São Paulo (Fiesp) faria em um centro de torturas da ditadura civil-militar (1964-1985) duran­te madrugadas? O que levaria um cônsul dos Estados Unidos a esse mesmo lugar repetidas vezes, por longas horas? 

Por Patrícia Benvenuti, no Brasil de Fato


É sobre essas questões se que se de­bruçam atualmente os membros da Co­missão da Verdade do Estado de São Paulo “Rubens Paiva”. Por meio de in­vestigações, a Comissão apurou que pessoas ligadas à Fiesp e ao Consula­do eram presença constante durante os dias e as noites do Departamento Esta­dual de Ordem Política e Social de São Paulo (Dops), um dos órgãos represso­res criados pelo regime.

Para tentar esclarecer esses fatos, a Comissão Estadual da Verdade realiza­rá uma audiência pública na próxima segunda-feira (18), às 14h, na Assembleia Legislativa (Alesp), onde apresentará os documen­tos que embasaram as investigações. 


“Coincidência”? Cônsul estadunidense entra no Dops cinco minutos depois 
do capitão Ênio Pimentel Silveira, um dos torturadores mais famosos 
do período - Foto: Documentos do Arquivo Público do Estado de São Paulo


Visitas frequentes 
A chave para a descoberta foi uma pesquisa no “Coincidência”? Cônsul estadunidense entra no Dops cinco minutos depois do capitão Ênio Pimentel Silveira, um dos torturadores mais famosos do período. Ao checar os livros de registro de entrada e saída do pré­dio do Dops, localizado no centro da ca­pital paulista, integrantes da Comissão Estadual da Verdade perceberam a fre­quência de dois nomes, que não faziam parte das equipes policiais: “Dr. Geral­do Rezende de Matos”, que se apresen­tava no formulário como “Fiesp”, e “Dr. Halliwell”, que assinava como “Consula­do Americano”. 
Além da assiduidade, despertaram atenção os horários em que os represen­tantes da Fiesp e do consulado estaduni­dense se dirigiam ao prédio do Dops e as longas horas em que permaneciam ali. 

Somente nos meses de abril a setem­bro de 1971 (os livros com os outros me­ses deste ano desapareceram), Geral­do Rezende de Matos, da Fiesp, dirigiu­se ao local 40 vezes. Em uma dessas vi­sitas, sua entrada ocorreu às 17h30min, mas não consta horário de saída. Como os funcionários da portaria trabalhavam apenas até 22h, os movimentos feitos de­pois deste horário não eram anotados. Significa, então, que Matos teria ficado além das 22h. 

Já em outro registro, de 24 de abril de 1972, o representante da Fiesp entra no prédio às 18h20 e sai às 12h35 do dia se­guinte, 25 de abril. Foram cerca de 18 ho­ras no local. 

“O que o cara da Fiesp ia fazer lá? Essa é a pergunta que fazemos”, explica o co­ordenador da Comissão Estadual da Ver­dade, Ivan Seixas. 

Seixas, que também é ex-preso políti­co e membro da Comissão de Familiares dos Mortos e Desaparecidos Políti­cos, conta que a Comissão já pediu escla­recimentos à Fiesp sobre o assunto. A fe­deração, por sua vez, alega não ter regis­tros de Geraldo Rezende de Matos. 

De acordo com investigações da Co­missão, Matos era um empresário ligado aos ramos de metalurgia, além de pos­suir uma empresa de seguros e repara­ção que atendia militares. 
“A Fiesp tem que explicar isso, não es­tamos inventando nada”, destaca o pre­sidente da Comissão Estadual da Verda­de, o deputado Adriano Diogo (PT-SP). “Queremos saber por que uma pessoa que ia ao Dops, [onde] permanecia horas e madrugadas, assinava como represen­tante da Fiesp”, completa. 

A Fiesp foi convidada para prestar es­clarecimentos sobre o caso na audiên­cia pública do dia 18. A reportagem en­trou em contato com a assessoria de im­prensa da federação, que não soube in­formar se a instituição estará representa­da. 

Empresariado 

Os vínculos do empresariado com os agentes da ditadura são assunto antigo de pesquisas e estudos. O tema é a ba­se do documentário Cidadão Boilesen (2009), dirigido por Chaim Litewski. O filme, que resgata a vida do empresário dinamarquês Henning Boilesen, desve­la não apenas as contribuições financei­ras do protagonista (então presidente do grupo Ultra) ao aparato militar, mas de diversas figuras ligadas a organizações multinacionais e instituições, incluindo a Fiesp. 

Em novembro, o coordenador da Co­missão da Verdade, Cláudio Fonteles, di­vulgou um texto em que relaciona a Fiesp à produção de armas para os militares que derrubaram João Goulart da presi­dência em 1964. No documento, Fonte­les cita um relatório confidencial produ­zido pelo Serviço Nacional de Informa­ções (SNI), hoje sob guarda do Arquivo Nacional, que descreve a criação do Gru­po Permanente de Mobilização Indus­trial (GPMI) em 31 de março de 1964, da­ta do golpe. De acordo com o documento, o órgão teve a função de fornecer “armas e equipamentos militares aos revolucio­nários paulistas”. 

O caso de Geraldo Rezende de Matos, no entanto, desperta na Comissão outra suspeita. Para Seixas, é provável que as idas de Matos ao Dops visassem a troca de informações entre empresários, a po­lícia e o Exército. “Vem à cabeça de todo mundo, quando se fala em empresários e repressão, o financiamento. Mas nós não estamos trabalhando com essa hipótese. Para nós, a Fiesp ia lá entregar nomes de operários para serem reprimidos”, escla­rece Seixas. 

Consulado 

Já o “Dr. Halliwell” dos livros de regis­tros era Claris Rowley Halliwell (1918­2006), cônsul estadunidense no Bra­sil entre 1971 e 1974. Junto à Universi­dade de San Diego, na Califórnia, a Co­missão apurou que Halliwell teria inte­grado o serviço secreto dos Estados Uni­dos, a CIA. 

Assim como Geraldo Rezende de Ma­tos, ele também comparecia com fre­quência ao Dops, sobretudo à noite, onde permanecia durante toda a madruga­da. De abril a setembro de 1971, Halliwell esteve no local 31 vezes, de acordo com os registros. 

Em uma das idas, em 5 de abril de 1971, seu ingresso no prédio ocorreu às 12h40min da tarde, cinco minutos de­pois da entrada do capitão Ênio Pimen­tel Silveira, torturador que ficou conhe­cido como “Dr. Ney”. Ambos permanece­ram no prédio além das 22h. 

As “coincidências” não param por aí. Nesse mesmo dia, pela manhã, havia sido preso e levado para o Dops Devanir José de Carvalho, dirigente do Movimen­to Revolucionário Tiradentes (MRT). Depois de uma série de torturas, Carva­lho faleceu em 7 de abril. 

Para Ivan Seixas, não há como negar o envolvimento do cônsul com os crimes. “Nos prédios do Dops e da Oban [Ope­ração Bandeirante], quando se torturava não era segredo. O prédio inteiro ouvia, a vizinhança também. O mínimo que se pode dizer era que o ‘cara’ [cônsul] era conivente, mas eu acho que [ele] era par­ticipante”, diz Seixas. Depois de sair do Brasil, Halliwell foi cônsul estadunidense no Chile – onde, um ano antes, um golpe de Estado havia tirado do poder Salvador Allende. 

“A gente acha que essas coisas são de filme de ficção científica, que ‘na minha terra não tem isso’. O ‘cara’ não estava le­vando os passaportes para a Disneylân­dia, era um agente da CIA”, ressalta o de­putado Adriano Diogo, que integrou a militância estudantil durante o regime. 

Para o deputado, a revelação desses registros ajudará a contar a história desse período e a revelar quem praticou e engendrou os crimes.“Os documentos evidenciam a existência de uma enor­me organização criminosa que se reunia nas dependências do Dops para tortu­rar as pessoas, matar e planejar seques­tros”, pontua. 


Fonte: Vermelho

Equador a um passo de aprovar lei que democratiza a comunicação


Democratizar a comunicação e universalizar o acesso aos meios e às tecnologias da informação são os principais objetivos do Projeto de Lei Orgânica da Comunicação no Equador, afirma Romel Jurado, professor universitário, secretário da Comissão de Justiça e Estrutura do Estado e um dos assessores da Comissão de Comunicacão que elaborou a proposta. 

Por ComunicaSul e Érika Ceconi enviada especial do Vermelho a Quito


Caio Teixeira/ComunicaSul
Romel Jurado 
Jurado: "Compreendemos a comunicação desde uma ótica social, cultural e econômica".
Em entrevista concedida nesta sexta-feira (15), ele explicou que, apesar de a Constituição de 2008 já prever pontos que garantem o direito à comunicação, a oposição tem boicotado sistematicamente as tentativas de votação do projeto que regula o setor.

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Segundo Jurado, o prazo inicial para a regulamentação era de um ano a partir de 2008. Desde então, o processo de debate tem sido reiteradamente postergado por “desobediência da oposição à construção democrática da lei”. “O projeto passou por longas sessões de debate e recebeu contribuições de toda a Assembleia Nacional, até chegar à decisão de que seria votado artigo por artigo, em 2012. No entanto, a direita e a grande mídia do país ignoram a necessidade constitucional de fazê-lo”, afirma.

O secretário destaca que, em 2011, ocorreu uma consulta popular (plebiscito) que resultou em ampla aprovação da regulação. “Entre as perguntas, questionamos aos equatorianos se queriam uma lei específica para a comunicação; se deveríamos criar um organismo regulatório específico; se deveríamos restringir conteúdos violentos, pornográficos e discriminatórios; e, por fim, perguntamos se as empresas de comunicação deveriam ser impedidas de terem vínculos com bancos e outras empresas”. O resultado foi sim para todas as perguntas.

Até a oposição, explica Jurado, reconhece que o projeto tem qualidade e amplia a liberdade de expressão na sociedade equatoriana. “No entanto, como estão alinhados à grande mídia privada, temem perder seus privilégios”, dispara. Ele explica que muitos proprietários midiáticos, embora não falem abertamente no tema, temem perder suas concessões. Em 2010 foi realizada uma auditoria de todos os processos de concessão e apurou-se que cerca de 500, das 1570 frequências, foram obtidas de forma ilegal ou fraudulenta. O Ministério Público, provocado a opinar sobre tal resultado, reconheceu que não eram 500, mas 330 concessões fraudulentas. A regulação prevê a devolução das frequências ilegais ou ilegítimas ao Estado, já que são bens públicos. A devolução das concessões atinge grandes grupos de mídia e emissoras de grande audiência

Democratizar a informação, democratizar a sociedade

Segundo o secretário da Comissão de Justiça e Estrutura do Estado, o projeto de Lei Orgânica de Comunicação não pretende apenas democratizar a comunicação, “mas universalizar o acesso material às tecnologias da comunicação”. Dentre os principais pontos do projeto, está a redistribuição do espaço radioelétrico. “Atualmente, 90% do espaço está na mão de veículos privados. Com a regulação, 33% do espaço será ocupado por estes meios, enquanto 33% serão destinados a veículos públicos e 34% aos comunitários”, explica.

Além disso, o financiamento da comunicação pública e comunitária também está em pauta. Em 1974, a ditadura praticamente vetou a existência dos meios comunitários, já que proibiu qualquer tipo de publicidade e impôs um cerco autoritário ao que consideravam “veículos potencialmente subversivos”. No projeto de lei, porém, estes meios têm garantido os direitos de vender publicidade pública e privada, de receber aportes de dentro do Equador ou estrangeiros, além de contarem com subvenção estatal. Os veículos públicos de abrangência nacional são os únicos que têm restrições: não podem circular publicidades comerciais. “Para suprir essa carência, estes meios já têm financiamento garantido no orçamento do governo”.

Como exemplo da necessidade de a comunicação ser democratizada no Equador, Jurado lembrou o papel da imprensa na tentativa de golpe de Estado ocorrida em setembro de 2010. “Na ocasião, alguns policiais se rebelarão contra o presidente. A TV Amazônia, porém, divulgou, sem revelar a fonte, que um setor das forças militares aderiram à insurreição e marchavam rumo aos quarteis policiais. O fato acabou criando um caos midiático e social, mas era uma mentira”, argumenta.

Assim como no Brasil, a grande imprensa e os setores conservadores da política acusam a regulação de “ferir a liberdade de expressão”, reação sintomática do risco de perderem a hegemonia da informação e da opinião em seus países. “É como uma mulher que entra numa loja, prova várias roupas e, ao tentar sair sem pagar, é abordada por um segurança e passa entáo a gritar que foi v[itima de uma tentativa de estupro. Toda vez que se tenta por uma mínima ordem no setor da comunicação, os poderosos bradam que a 'liberdade de imprensa' está morrendo”, analisa.

Sempre solicito aos interesses dos grandes conglomerados privados, o Comitê Interamericano de Direitos Humanos (CIDH), fez duras críticas ao projeto de lei equatoriano. “Em 2011, fomos até Washington e explicamos ao CIDH que eles interpretam a liberdade de expressão com uma ótica liberal, no sentido empresarial do termo. Nós optamos pela ótica social, cultura e econômica, para dar condições materiais à liberdade de expressão para todos e todas”, diz Jurado.

Calendário político e a votação da lei

Apesar de analisar com otimismo a conjuntura para o projeto ser aprovado, Jurado ressalta que é preciso ter paciência para votá-lo no momento político ideal. No próximo domingo (17) haverá eleições no país e, ainda que os mandatos comecem apenas em maio, a configuração da Assembleia pode definir a disputa pela democratização da mídia. “Se a Alianza Pais (movimento do presidente Rafael Correa) conquistar muitas cadeiras na Assembleia, mesmo os parlamentares da oposi;ao podem decidir votar o projeto em tempo, para não serem 'apagados da história'. O presidente da Assembleia, Fernando Cordero, também pode resolver convocar a votação ainda em seu mandato”.

O pior quadro, na avaliação de Jurado, seria uma vitória significativa da oposição, cujo candidato é o ex-banqueiro Guillermo Lasso. “Apesar de improvável, o triunfo da oposição, cujos interesses estão estritamente ligados aos dos impérios midiáticos equatorianos, poderia redundar até mesmo no fim do projeto”.

Veja o especial do Vermelho sobre as Eleições no Equador