sábado, 16 de fevereiro de 2013
sexta-feira, 15 de fevereiro de 2013
Polícia flagra prostituição e cárcere privado em boate no Pará
A Polícia Civil de Altamira, no Pará, encontrou 14 mulheres e uma travesti em regime de escravidão e cárcere privado em um prostíbulo localizado em área limítrofe de um dos canteiros de obras da hidrelétrica de Belo Monte. A operação foi realizada na noite de quarta-feira, 13, após denúncia de uma garota de 16 anos, que conseguiu fugir. A adolescente procurou a conselheira do Conselho Tutelar, Lucenilda Lima, que acionou a polícia.
Prostíbulo onde garotas estavam confinadas. Foto: Bruno Carachesti/Diário do Pará
De acordo com o delegado Rodrigo Spessato, que comandou a operação, as mulheres, de idade entre 18 e 20 anos – além da jovem de 16, todas provenientes dos estados do Paraná, Santa Catarina e Rio Grande do Sul – eram confinadas em pequenos quartos sem janelas e ventilação, com apenas uma cama de casal, e havia cadeados do lado de fora das portas. Em depoimentos ao delegado, as vítimas afirmaram que podiam ir à cidade de Altamira uma vez por semana, por uma hora, mas eram vigiadas pelos funcionários da boate.
Além da situação de cárcere privado, a polícia encontrou no local um caderno onde eram anotadas as dívidas das meninas, como gastos com passagens, alimentos e vestimentas, além de “multas” por motivos diversos.
Ameaça de morte
Após a ação, a policia civil resgatou, além da adolescente, quatro meninas e uma travesti. Segundo Lucenilda, do Conselho Tutelar, as demais disseram ter muito medo de retaliações, uma vez que o dono da boate teria ameaçado seus familiares que moram no Sul. Em entrevista à reportagem, uma das jovens resgatadas contou que, assim que a adolescente de 16 anos conseguiu fugir, o gerente a seguiu com uma arma.
“Ele saiu atrás dela armado e disse que não custava matar uma, que ninguém ficaria sabendo”, afirma a garota, que tem 18 anos. Procedente de Joaçaba, no interior de Santa Catarina, ela conta que lá trabalhava em uma boate cuja cafetina era “sócia” do dono da boate no Pará. “Viemos em nove lá de Joaçaba. Falaram para a gente que seria muito bom trabalhar em Belo Monte, que a gente ganharia até R$ 14 mil por mês, mas quando chegamos não era nada disso”, conta.
“Já de cara fizemos uma dívida de R$ 13 mil por conta das passagens [valor cobrado do grupo]. Aí temos que comprar roupas, cada vestido é quase R$ 200, e tudo fica anotado no caderninho pra gente ir pagando a dívida. E tem também a multa, qualquer coisa que a gente faz leva multa, que também fica anotada no caderno. Depois de cada cliente, a gente dava o dinheiro para o dono da boate pra pagar as nossas dívidas, eu nunca ganhei nenhum dinheiro para mim”, explica a garota.
Sobre as condições às quais foram submetidas na boate, ela conta que morava com outras três meninas em um pequeno quarto muito quente, e que realmente não tinha permissão de sair do local. “Eles ligavam o ar condicionado só por uma hora. A gente tinha que trabalhar 24 horas por dia; quando tinha cliente, tinha que atender”, afirma.
“De comida, tinha almoço e janta. Se você estava trabalhando na hora do almoço, tinha que esperar a janta. Se desse muita fome, a gente tinha que comprar um lanche. O gerente da boate dizia que a gente só poderia sair depois de pagar todas as dívidas, e que nem adiantava reclamar porque ninguém ia nos ajudar, ele era amigo da justiça e nunca ninguém ia fazer nada contra ele. Mas ele disse que se a gente falasse, eles iam atrás dos nossos filhos e parentes lá no Sul.”
Sobre os clientes, ela conta que eram exclusivamente trabalhadores de Belo Monte. “Eram operários, eram gerentes, tinha de tudo. Todo mundo que trabalha na obra vinha na boate”, explicou.
O delegado Rodrigo Spessato diz não saber se o prostíbulo está dentro ou fora dos limites do canteiro de obras. A conselheira Lucenilda Lima relata, no entanto, que para chegar à boate foi preciso atravessar o canteiro de Pimental, um dos principais da usina. “Foi uma burocracia na entrada para a gente conseguir passar. E lá mesmo toda hora passavam os carros e tratores de Belo Monte, então eu considero que a boate está na área da usina”.
Na ação, a polícia civil efetuou a prisão de dois funcionários da boate, mas não encontrou o proprietário. Segundo Spessato, além de exploração sexual de menor, cárcere privado e regime de escravidão, o caso poderá ser caracterizado como tráfico de pessoas, e os responsáveis pelo prostíbulo, processados por estes crimes.
Como o canteiro de Pimental fica no município de Vitória do Xingu, o caso está sendo apurado pela delegacia dessa cidade. O delegado local chegou a Altamira na manhã desta quinta-feira para tomar os depoimentos das vítimas e dos dois funcionários presos, e uma nova ação voltará à boate ainda esta tarde, para fechar o estabelecimento e resgatar 1o mulheres que permaneceram no local.
Fonte: Repórter Brasil via Vermelho
Os bilionários e a fome no mundo
De acordo com o Índice de Bilionários da Bloomberg, o mexicano Carlos Slim, dono de negócios no ramo de telecomunicações em 18 países, com uma fortuna avaliada em US$ 78,4 bilhões, é o maior bilionário do planeta.
Por Marcus Eduardo de Oliveira, na Adital
Pelo lado dos brasileiros, os quatro maiores bilionários são: Jorge Paulo Lemann, investidor controlador da Anheuser-Busch InBev, maior cervejaria do mundo, com fortuna avaliada em US$ 19,6 bilhões. Em segundo lugar vem o banqueiro Joseph Safra, com patrimônio de US$ 12 bilhões. O terceiro e quarto lugares, respectivamente, ficam com Dirce Camargo, herdeira do grupo Camargo Correa, com fortuna estimada em US$ 14,1 bilhões e, com o empresário Eike Batista, com fortuna avaliada em US$ 11,4 bilhões. A soma das fortunas desses quatro maiores bilionários brasileiros atinge a cifra de US$ 57,1 bilhões. Já a fortuna somada desses sete "imperadores do dinheiro” chega a US$ 259,9 bilhões.
De um lado, rios de dinheiro; do outro, um oceano de tristeza e miséria evidenciada pela fome e subnutrição que atinge, segundo dados da FAO (Fundo para a Agricultura e Alimentação), 1 bilhão de pessoas no mundo. Os que todos os dias tem estômagos vazios e bocas esfaimadas são 14% da população mundial, um entre seis habitantes.
Com US$ 44 bilhões (17% da fortuna dos 7 bilionários citados) resolveria o problema desse 1 bilhão de famintos espalhados pelo mundo. O drama da fome é tão intenso que dizima uma criança com menos de cinco anos de idade a cada minuto. Isso mesmo: uma criança menor de 5 anos morre a cada 60 segundos vítima da falta de alimentos em seus estômagos. Isso porque estamos num mundo em que a produção de grãos (arroz, feijão, soja, milho e trigo) seria suficiente para alimentar mais de 10 bilhões de pessoas.
Somente o Brasil, terceiro maior produtor de alimentos do mundo, atrás apenas dos EUA e da China, verá sua safra de grãos aumentar em mais de 20% na próxima década. No entanto, essa ignomínia chamada fome vai derrubando corpos inocentes ao chão também em nosso pedaço de terra. A situação aqui não é muito diferente da mundial. Em meio às controvérsias em torno do real número de famintos (50 milhões para a FGV, 34 milhões para o IBGE e 14 milhões de pessoas para o governo federal) a fome oculta (caracterizada pela falta de vitaminas e minerais que afeta o crescimento físico e cognitivo, bem como todo o sistema imunológico) atinge 40% das crianças brasileiras. No mapa mundial da subnutrição, estamos na 27ª posição, com 9% da população.
Em pleno século 21, num mundo em que a tecnologia desenvolve técnicas apuradíssimas para clonar tudo o que bem entender, a fome mata atualmente mais pessoas do que a Aids, a malária e a tuberculose juntas. Numa época em que o dinheiro corre solto pelos cassinos e praças financeiras em busca de lucro e especulação, a Syngenta, multinacional suíça da área agrícola, investe todos os anos a importância de US$ 1 bilhão em pesquisas agrícolas, mas fecha as mãos para a ajuda internacional aos famintos.
Nunca é demasiado lembrar que habitamos um mundo em que o custo diário para alimentar uma criança com todas as vitaminas e os nutrientes necessários custa apenas 25 centavos de dólar. Contudo, em decorrência da desnutrição crônica, cerca de 500 milhões de crianças correm risco de sequelas permanentes no organismo nos próximos 15 anos. De acordo com a ONG (Salvem as Crianças), a morte de 2 milhões de crianças por ano poderia ser prevenida se a desnutrição fosse combatida.
Mas, poucas são as mãos levantadas em prol dos famintos do mundo. A preocupação dos "Imperadores do Mundo” é outra. Refresquemos a memória em relação a isso: em apenas uma semana os líderes das maiores potências do planeta "fizeram” surgir 2,2 trilhões de dólares (US$ 700 bilhões nos Estados Unidos e mais US$ 1,5 trilhão na Europa) para salvar instituições bancárias no auge da crise econômica que se abateu (e ainda vem se abatendo) sobre as mais importantes economias mundiais desde 2008.
Se a preocupação fosse salvar vidas de desnutridos, incluindo a vida de 900 mil crianças no mundo (30% delas residentes em Burundi, Congo, Eritréia, Comores, Suazilândia e Costa do Marfim), esses mesmos "imperadores” tirariam dos bolsos a importância de US$ 25 milhões por ano, que é o custo estimado para salvaguardar com nutrientes esse contingente de crianças até 2015.
Marcus Eduardo de Oliveira é economista, professor e especialista em Política Internacional pela Universidad de La Habana - Cuba
Fonte: vermelho
Basf e Shell propõem fundo de R$ 50 milhões para tratar contaminados
Em audiência de conciliação realizada no Tribunal Superior do Trabalho (TST) na tarde desta quinta-feira (14) representantes da Basf e da Shell ofereceram um fundo de R$ 50 milhões para tratamento médico das vítimas da contaminação por uma indústria em Paulínia (SP).
Foto: Antonio Cruz/ABr
O processo corre desde 2007 e é considerado o maior da Justiça do Trabalho. O Ministério Público e sindicatos de ex-funcionários cobram reparação das empresas devido à contaminação por substâncias tóxicas emitidas pelo complexo industrial, criado em 1970. Na primeira e segunda instâncias, as empresas foram condenadas a pagar tratamento médico aos trabalhadores e familiares, além de danos morais e materiais, com valor atualizado em cerca de R$ 1 bilhão.
De acordo com a proposta dos representantes da Basf e da Shell, os procedimentos do fundo para o tratamento das centenas de pessoas afetadas devem ser administrados pelas próprias vítimas. O valor de R$ 50 milhões pode ser reajustado conforme a necessidade. As empresas ainda garantiram a disponibilidade de hospitais para atendimentos de emergência.
Segundo a proposta, as indenizações individuais devem ser calculadas conforme período trabalhado. A média, por grupo familiar, pode variar entre R$ 120 mil e R$ 330 mil. A empresa pretende indenizar 884 trabalhadores e dependentes, mas o Ministério Público do Trabalho acredita que o número correto de vítimas é 1.068.
Os empregadores não apresentaram proposta para indenização por danos morais coletivos, sugerindo entendimento usual do TST para esses casos. Ofereceram, ainda, alternativa de pagamento para as famílias que optarem por não receber o tratamento de saúde, além da possibilidade de abrir negociações individuais caso o acordo geral não seja aceito.
Embora reconheçam que houve avanço nas propostas apresentadas hoje – foram feitas oito tentativas de conciliação, sem sucesso - representantes dos trabalhadores e do Ministério Público demonstraram preocupação com alguns pontos do acordo. Entre eles, a possibilidade de pagamento alternativo para quem recusar tratamento médico e a necessidade de identificação nominal prévia dos beneficiários.
A audiência da próxima terça-feira, no MPT, tentará superar essas questões e uma nova audiência deve ocorrer no TST no dia 28. Caso as partes não cheguem a um acordo, a proposta de conciliação será apresentada pelo mediador do caso, o presidente do Tribunal Superior do Trabalho, João Oreste Dalazen.
Fonte: EBC via Vermelho
Bancos privados lucram R$ 27,7 bilhões em 2012
Os números reafirmam que o setor financeiro vai muito bem, mesmo com a crise financeira mundial. O Itaú, Bradesco e Santander, juntos, lucraram R$ 27,7 bilhões em 2012. O resultado representa uma queda de 5,3% e foi divulgado pela empresa de informações financeiras Austin Rating.
O desempenho é explicado, entre outras coisas, pela derrubada de juros, estimulada pelo governo e pela alta na inadimplência, que forçou as organizações financeiras a fazerem provisões contra perdas. Os custos dos mesmos três bancos somaram R$ 48,3 bilhões, expansão de 27%.
O cenário de risco levou a um menor crescimento no crédito. A carteira total do Itaú aumentou 6%, a do Bradesco, 8,3% e a do Santander, 7,6%. A elevação foi menor do que a do mercado, de 16,2%, segundo o Banco Central.
Apesar da leve retração na lucratividade, o setor bancário ainda é um dos mais rentáveis do mundo. Os ganhos continuam altos. Em contrapartida, os empregados permanecem em condições, muitas vezes, precárias nas agências, com sobrecarga de trabalho e sem segurança necessária.
Fonte: O Bancário
Debate sobre guerra cambial opõe países ricos e emergentes no G-20
Crédito: humbertocapellari.wordpress.com
O Estado de S.Paulo - Cláudia Trevisan, de Moscou
O risco de uma guerra cambial de proporções globais voltou a estar no centro da agenda do G-20 e provocou divisão ontem entre representantes de nações desenvolvidas e emergentes, que criticaram políticas monetárias expansionistas cujo efeito é a desvalorização de moedas de países ricos.
Os ministros de Finanças do grupo se reúnem hoje em Moscou - o presidente russo, Vladimir Putin, será o anfitrião do encontro - sob o impacto das medidas adotadas pelo Japão para tentar ressuscitar sua economia, que provocaram depreciação de 17% do iene em relação ao dólar nos últimos três meses.
Na opinião de Paulo Nogueira Batista Júnior (foto), diretor executivo do Brasil e mais dez países no Fundo Monetário Internacional (FMI), a possibilidade de uma corrida de depreciações cambiais é maior hoje do que em 2010, quando o ministro Guido Mantega cunhou a expressão "guerra cambial" no âmbito do G-20.
"Os países estão tentando resolver suas crises domésticas exportando suas dificuldades por meio do câmbio", disse Nogueira, ressaltando que falava a título pessoal.
A desvalorização de moedas favorece as exportações, o que pode auxiliar no processo de recuperação de economias em dificuldades.
A queixa dos emergentes foi apresentada em encontro preparatório da reunião de ministros realizado ontem na capital russa. Os representantes dos países ricos responderam que a intenção das medidas não é a desvalorização cambial, mas a reativação de economias estagnadas.
Comunicado. O G-7, clube das nações mais industrializadas do mundo, provocou um rebuliço no mercado de câmbio nos últimos dois dias, depois de divulgar na quarta-feira um comunicado no qual afirmava que suas políticas monetária e fiscal têm objetivos domésticos e não buscam alcançar taxas de câmbio específicas.
Representantes do grupo deram interpretações contraditórias e anônimas ao comunicado, alguns dizendo que era um ataque e outros, uma defesa do Japão. Em resposta à volatilidade, o ministro das Finanças da Rússia, Anton Siluanov, defendeu em entrevista à TV Bloomberg que o comunicado final do G-20 seja mais "específico" que os anteriores na condenação da guerra cambial. Nos documentos divulgados anteriormente, os países se comprometem a evitar a "desvalorização competitiva de suas moedas".
Os ministros também vão discutir a questão fiscal e a velocidade com que países endividados devem reduzir seus déficits e o tamanho de suas dívidas. A divisão nessa área não opõe emergentes e desenvolvidos, mas sim grupos de países que defendem a manutenção de medidas pró-crescimento, como o Brasil, e os que são favoráveis a cortes de gastos que produzam rápida redução do déficit, ainda que isso sacrifique a expansão de curto prazo.
Novos temas. Outros temas que estão na agenda são a reforma do sistema de cotas do FMI, com aumento do peso dos países emergentes, e o desenvolvimento de mecanismos de financiamento de longo prazo, especialmente para projetos de infraestrutura.
Com a crise global de 2008, o bancos reduziram sua atuação como fontes de financiamento. Para compensar a queda, a economia mundial precisa criar mecanismos novos, que canalizem recursos para investimentos cujo retorno não é imediato. Essa é uma das prioridades da presidência da Rússia no G-20, que começa oficialmente hoje.
O G-20 deve retomar o espírito de cooperação que marcou sua atuação no início da crise financeira internacional, em 2008 e 2009, e evitar o crescente risco de "fragmentação, balcanização e protecionismo", afirmou ontem em Moscou o dirigente da entidade que é a principal representante de instituições financeiras de todo o mundo.
"A coordenação é uma das questões centrais que devem ser enfrentadas pelo G-20", disse Tim Adams, diretor-gerente do Instituto de Finanças Internacionais (IIF), espécie de xerife mundial dos bancos, que reúne 470 companhias do setor financeiro.
O discurso unificado do período pós-crise deu lugar a um cenário no qual realidades domésticas se chocam com as exigências de coordenação e regulação globais, avaliaram participantes de seminário promovido pela entidade. Segundo Adams, há um aumento de iniciativas "unilaterais" de regulação do mercado financeiro, que ameaçam os "avanços" na harmonização global de regras.
Paulo Nogueira Batista Júnior, diretor executivo do Brasil, avaliou que o papel do G-20 se enfraqueceu a partir de 2011, com o deslocamento da crise para a Europa e a persistência das dificuldades de retomada de crescimento no Japão e nos Estados Unidos. "A grande questão é saber se o G-20 conseguirá recuperar seu papel de coordenador de questões globais", observou, ressaltando que falava a título pessoal. / C. T.
Fonte: Contraf
O risco de uma guerra cambial de proporções globais voltou a estar no centro da agenda do G-20 e provocou divisão ontem entre representantes de nações desenvolvidas e emergentes, que criticaram políticas monetárias expansionistas cujo efeito é a desvalorização de moedas de países ricos.
Os ministros de Finanças do grupo se reúnem hoje em Moscou - o presidente russo, Vladimir Putin, será o anfitrião do encontro - sob o impacto das medidas adotadas pelo Japão para tentar ressuscitar sua economia, que provocaram depreciação de 17% do iene em relação ao dólar nos últimos três meses.
Na opinião de Paulo Nogueira Batista Júnior (foto), diretor executivo do Brasil e mais dez países no Fundo Monetário Internacional (FMI), a possibilidade de uma corrida de depreciações cambiais é maior hoje do que em 2010, quando o ministro Guido Mantega cunhou a expressão "guerra cambial" no âmbito do G-20.
"Os países estão tentando resolver suas crises domésticas exportando suas dificuldades por meio do câmbio", disse Nogueira, ressaltando que falava a título pessoal.
A desvalorização de moedas favorece as exportações, o que pode auxiliar no processo de recuperação de economias em dificuldades.
A queixa dos emergentes foi apresentada em encontro preparatório da reunião de ministros realizado ontem na capital russa. Os representantes dos países ricos responderam que a intenção das medidas não é a desvalorização cambial, mas a reativação de economias estagnadas.
Comunicado. O G-7, clube das nações mais industrializadas do mundo, provocou um rebuliço no mercado de câmbio nos últimos dois dias, depois de divulgar na quarta-feira um comunicado no qual afirmava que suas políticas monetária e fiscal têm objetivos domésticos e não buscam alcançar taxas de câmbio específicas.
Representantes do grupo deram interpretações contraditórias e anônimas ao comunicado, alguns dizendo que era um ataque e outros, uma defesa do Japão. Em resposta à volatilidade, o ministro das Finanças da Rússia, Anton Siluanov, defendeu em entrevista à TV Bloomberg que o comunicado final do G-20 seja mais "específico" que os anteriores na condenação da guerra cambial. Nos documentos divulgados anteriormente, os países se comprometem a evitar a "desvalorização competitiva de suas moedas".
Os ministros também vão discutir a questão fiscal e a velocidade com que países endividados devem reduzir seus déficits e o tamanho de suas dívidas. A divisão nessa área não opõe emergentes e desenvolvidos, mas sim grupos de países que defendem a manutenção de medidas pró-crescimento, como o Brasil, e os que são favoráveis a cortes de gastos que produzam rápida redução do déficit, ainda que isso sacrifique a expansão de curto prazo.
Novos temas. Outros temas que estão na agenda são a reforma do sistema de cotas do FMI, com aumento do peso dos países emergentes, e o desenvolvimento de mecanismos de financiamento de longo prazo, especialmente para projetos de infraestrutura.
Com a crise global de 2008, o bancos reduziram sua atuação como fontes de financiamento. Para compensar a queda, a economia mundial precisa criar mecanismos novos, que canalizem recursos para investimentos cujo retorno não é imediato. Essa é uma das prioridades da presidência da Rússia no G-20, que começa oficialmente hoje.
O G-20 deve retomar o espírito de cooperação que marcou sua atuação no início da crise financeira internacional, em 2008 e 2009, e evitar o crescente risco de "fragmentação, balcanização e protecionismo", afirmou ontem em Moscou o dirigente da entidade que é a principal representante de instituições financeiras de todo o mundo.
"A coordenação é uma das questões centrais que devem ser enfrentadas pelo G-20", disse Tim Adams, diretor-gerente do Instituto de Finanças Internacionais (IIF), espécie de xerife mundial dos bancos, que reúne 470 companhias do setor financeiro.
O discurso unificado do período pós-crise deu lugar a um cenário no qual realidades domésticas se chocam com as exigências de coordenação e regulação globais, avaliaram participantes de seminário promovido pela entidade. Segundo Adams, há um aumento de iniciativas "unilaterais" de regulação do mercado financeiro, que ameaçam os "avanços" na harmonização global de regras.
Paulo Nogueira Batista Júnior, diretor executivo do Brasil, avaliou que o papel do G-20 se enfraqueceu a partir de 2011, com o deslocamento da crise para a Europa e a persistência das dificuldades de retomada de crescimento no Japão e nos Estados Unidos. "A grande questão é saber se o G-20 conseguirá recuperar seu papel de coordenador de questões globais", observou, ressaltando que falava a título pessoal. / C. T.
Fonte: Contraf
EUA e União Europeia negociam livre comércio para enfrentar China
Carta Maior - Marcelo Justo
Os Estados Unidos e a União Europeia (UE) anunciaram o início de negociações para a formação da maior zona de livre comércio do mundo. Em uma declaração conjunta, o presidente Barack Obama, o do Conselho Europeu, Herman Van Rompuy, e o da Comissão Europeia, José Manuel Barroso, assinalaram que estão comprometidos a aprofundar uma relação transatlântica "equivalente à metade da produção global e a quase um trilhão de dólares anuais".
O anúncio foi acompanhado por uma solitária frase do discurso do Estado da União, proferido terça-feira à noite por Obama, quando ele anunciou o início das negociações "porque um comércio livre e justo é a base de milhões de postos de trabalho nos Estados Unidos". Essa frase foi o ponto de partida que estavam esperando na Europa mandatários como a chanceler alemã Angela Merkel e o primeiro ministro britânico David Cameron que se manifestaram em mais de uma oportunidade a favor de um tratado. "Eliminar as barreiras comerciais que restam para assegurar um amplo acordo não será fácil e exigirá valentia de ambas as partes, mas será amplamente benéfico", disse Cameron, um dos primeiros políticos europeus a reagir ao anúncio.
Com um 2013 incerto à vista e o permanente desafio da Ásia no horizonte, a possibilidade de um Tratado de Livre Comércio é um dos poucos caminhos que os países desenvolvidos têm para sair no médio prazo da areia movediça deixada pelo estouro da crise financeira de 2008. Nos EUA estava claro quem era o principal competidor. "Os Estados Unidos e a União Europeia estão enfrentando o desafio global colocado pela China. Creio que a melhor maneira de combater esse desafio é nos unirmos", assinalou Bill Reinsch, presidente do National Foreign Trade Council dos Estados Unidos, um grupo que promove o livre comércio.
Um caminho cheio de pedras
O potencial é indiscutivelmente imenso. Segundo algumas estimativas, os intercâmbios comerciais e de serviços chegam a cerca de US$ 3 bilhões diários. As tarifas alfandegárias são baixas - uma média de 3% -, mas sua eliminação em um intercâmbio tão massivo suporia um gigantesco estímulo e uma significativa poupança que poderia ser dirigida para o consumo doméstico, um setor que precisa de estímulo dos dois lados do Atlântico apesar do sobreendividamento ocorrido na década passada do dinheiro fácil.
Não resta dúvida que ambas as partes precisam disso. Enquanto Ásia, América Latina e África tem uma respeitável perspectiva de crescimento para este ano, a União Europeia, com o marasmo da zona do euro, o gigantesco endividamento e os programas de austeridade, está lutando para evitar a recessão, enquanto que os Estados Unidos sofreram uma contração no último trimestre do ano passado e necessitam um crescimento menos esquelético que o atual para recuperar o terreno perdido.
O reiterado fracasso da Rodada de Doha, da Organização Mundial do Comércio (OMC), que começou em 2001 depois dos atentados contra as torres gêmeas e teve uma tentativa de retomada em 2011, é parte do plano de fundo desta busca de acordos bilaterais que se multiplicaram nos últimos anos. Mas os obstáculos para uma zona de livre comércio EUA-UE também são gigantescos. Se o anúncio de Obama foi música da Merkel e Cameron, o som foi um pouco mais dissonante para o presidente da França, François Hollande, sempre preocupado com qualquer ameaça aos subsídios agrícolas que equivalem a quase 40% do orçamento europeu.
O tema agrícola - que atravancou a negociação de um tratado de livre comércio entre o Mercosul e a União Europeia - não é o único obstáculo. Um verdadeiro pesadelo é a harmonização regulatória das indústrias automotriz, farmacêutica, alimentar e de brinquedos em ambos os lados do Atlântico. Esta harmonização é tão complicada que não está inteiramente resolvida no interior dos 27 países que compõem a UE. Outro caso que promete longas batalhas diz respeito aos alimentos geneticamente modificados que enfrentam fortes obstáculos na Europa.
O fantasma do Mercosul-UE
A brevidade do anúncio de Obama - uma única frase com um infinito potencial - pode se dever a que não havia muito mais o que dizer ou a que, segundo a imprensa estadunidense, o grupo da UE e dos EUA que está trabalhando sobre o tema só pode dar a luz verde na própria terça-feira, poucas horas antes do discurso do presidente. Esse grupo discutiu durante mais de um ano para ver se as negociações serão para chegar a um acordo limitado a tarifas alfandegárias ou a um acordo mais amplo, cobrindo meio ambiente, agricultura, indústria farmacêutica e automobilística.
Os pessimistas assinalam que uma negociação de fundo levará anos. O modelo Mercosul-UE é um exemplo das dificuldades. No final de 1995, ambos firmaram um Acordo Marco Interregional (AMI), passagem prévia a um Tratado de Associação, baseado no livre comércio, na cooperação e no diálogo político. Dezoito anos depois está claro que o livre comércio foi a tumba do assunto, apesar do que, na última sessão plenária da Cúpula de Chefes de Estado do Mercosul, em dezembro, a presidenta argentina, Cristina Fernández, apoiou uma aceleração das negociações com a União Europeia, desde que se "fale de igual para igual".
Segundo o professor de Relações Internacionais da Universidade de Nottingham, Andreas Bieler, a crise econômica mundial, que pode complicar a negociação EUA-UE, poderia também acelerá-la, sobretudo quando o fantasma asiático está batendo à porta dos países desenvolvidos. "Este tipo de competição com a China pode empurrar para um acordo, apesar de que em muitas áreas ainda não há uma competição direta com a China que tem muito mais comércio em exportações baratas, enquanto os Estados Unidos e a União Europeia estão mais centrados em produtos mais sofisticados", disse Bieler à Carta Maior.
Tradução: Marco Aurélio Weissheimer via Contraf
Os Estados Unidos e a União Europeia (UE) anunciaram o início de negociações para a formação da maior zona de livre comércio do mundo. Em uma declaração conjunta, o presidente Barack Obama, o do Conselho Europeu, Herman Van Rompuy, e o da Comissão Europeia, José Manuel Barroso, assinalaram que estão comprometidos a aprofundar uma relação transatlântica "equivalente à metade da produção global e a quase um trilhão de dólares anuais".
O anúncio foi acompanhado por uma solitária frase do discurso do Estado da União, proferido terça-feira à noite por Obama, quando ele anunciou o início das negociações "porque um comércio livre e justo é a base de milhões de postos de trabalho nos Estados Unidos". Essa frase foi o ponto de partida que estavam esperando na Europa mandatários como a chanceler alemã Angela Merkel e o primeiro ministro britânico David Cameron que se manifestaram em mais de uma oportunidade a favor de um tratado. "Eliminar as barreiras comerciais que restam para assegurar um amplo acordo não será fácil e exigirá valentia de ambas as partes, mas será amplamente benéfico", disse Cameron, um dos primeiros políticos europeus a reagir ao anúncio.
Com um 2013 incerto à vista e o permanente desafio da Ásia no horizonte, a possibilidade de um Tratado de Livre Comércio é um dos poucos caminhos que os países desenvolvidos têm para sair no médio prazo da areia movediça deixada pelo estouro da crise financeira de 2008. Nos EUA estava claro quem era o principal competidor. "Os Estados Unidos e a União Europeia estão enfrentando o desafio global colocado pela China. Creio que a melhor maneira de combater esse desafio é nos unirmos", assinalou Bill Reinsch, presidente do National Foreign Trade Council dos Estados Unidos, um grupo que promove o livre comércio.
Um caminho cheio de pedras
O potencial é indiscutivelmente imenso. Segundo algumas estimativas, os intercâmbios comerciais e de serviços chegam a cerca de US$ 3 bilhões diários. As tarifas alfandegárias são baixas - uma média de 3% -, mas sua eliminação em um intercâmbio tão massivo suporia um gigantesco estímulo e uma significativa poupança que poderia ser dirigida para o consumo doméstico, um setor que precisa de estímulo dos dois lados do Atlântico apesar do sobreendividamento ocorrido na década passada do dinheiro fácil.
Não resta dúvida que ambas as partes precisam disso. Enquanto Ásia, América Latina e África tem uma respeitável perspectiva de crescimento para este ano, a União Europeia, com o marasmo da zona do euro, o gigantesco endividamento e os programas de austeridade, está lutando para evitar a recessão, enquanto que os Estados Unidos sofreram uma contração no último trimestre do ano passado e necessitam um crescimento menos esquelético que o atual para recuperar o terreno perdido.
O reiterado fracasso da Rodada de Doha, da Organização Mundial do Comércio (OMC), que começou em 2001 depois dos atentados contra as torres gêmeas e teve uma tentativa de retomada em 2011, é parte do plano de fundo desta busca de acordos bilaterais que se multiplicaram nos últimos anos. Mas os obstáculos para uma zona de livre comércio EUA-UE também são gigantescos. Se o anúncio de Obama foi música da Merkel e Cameron, o som foi um pouco mais dissonante para o presidente da França, François Hollande, sempre preocupado com qualquer ameaça aos subsídios agrícolas que equivalem a quase 40% do orçamento europeu.
O tema agrícola - que atravancou a negociação de um tratado de livre comércio entre o Mercosul e a União Europeia - não é o único obstáculo. Um verdadeiro pesadelo é a harmonização regulatória das indústrias automotriz, farmacêutica, alimentar e de brinquedos em ambos os lados do Atlântico. Esta harmonização é tão complicada que não está inteiramente resolvida no interior dos 27 países que compõem a UE. Outro caso que promete longas batalhas diz respeito aos alimentos geneticamente modificados que enfrentam fortes obstáculos na Europa.
O fantasma do Mercosul-UE
A brevidade do anúncio de Obama - uma única frase com um infinito potencial - pode se dever a que não havia muito mais o que dizer ou a que, segundo a imprensa estadunidense, o grupo da UE e dos EUA que está trabalhando sobre o tema só pode dar a luz verde na própria terça-feira, poucas horas antes do discurso do presidente. Esse grupo discutiu durante mais de um ano para ver se as negociações serão para chegar a um acordo limitado a tarifas alfandegárias ou a um acordo mais amplo, cobrindo meio ambiente, agricultura, indústria farmacêutica e automobilística.
Os pessimistas assinalam que uma negociação de fundo levará anos. O modelo Mercosul-UE é um exemplo das dificuldades. No final de 1995, ambos firmaram um Acordo Marco Interregional (AMI), passagem prévia a um Tratado de Associação, baseado no livre comércio, na cooperação e no diálogo político. Dezoito anos depois está claro que o livre comércio foi a tumba do assunto, apesar do que, na última sessão plenária da Cúpula de Chefes de Estado do Mercosul, em dezembro, a presidenta argentina, Cristina Fernández, apoiou uma aceleração das negociações com a União Europeia, desde que se "fale de igual para igual".
Segundo o professor de Relações Internacionais da Universidade de Nottingham, Andreas Bieler, a crise econômica mundial, que pode complicar a negociação EUA-UE, poderia também acelerá-la, sobretudo quando o fantasma asiático está batendo à porta dos países desenvolvidos. "Este tipo de competição com a China pode empurrar para um acordo, apesar de que em muitas áreas ainda não há uma competição direta com a China que tem muito mais comércio em exportações baratas, enquanto os Estados Unidos e a União Europeia estão mais centrados em produtos mais sofisticados", disse Bieler à Carta Maior.
Tradução: Marco Aurélio Weissheimer via Contraf
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