Baseados em mitos e episódios históricos a saga das mulheres africanas e afro-descendentes que mantêm em comum o laço de soberania real e espiritual sobre seus povos - ao estabelecer um elo imaginário de ascendência e descendência com as guerreiras africanas.
história de rainhas africanas, guerreiras, sacerdotisaS e outras, onde cada uma em seu tempo comandaram impérios, irmandades, comunidades de terreiro mostrando ao mundo durante todo esses quase 10 mil anos de existência da humanidade a força, a garra e a beleza da Mulher Negra.
Do grande continente africano traz não só a origem, mas também toda uma crença ancestral que exalta a figura feminina como a grande provedora que principiou a vida do Homem.
Um desses mitos conta que no início de tudo, ligadas às origens da Terra, havia as Mães Feiticeiras. Donas do destino da humanidade, elas eram o ventre do mundo. Conhecedoras dos segredos da vida tinham em si a capacidade de manipular os opostos e, assim, manter o equilíbrio do universo. Traziam consigo a força criadora e criativa do planeta. Raízes de um misticismo que abrigava em sua sabedoria a dualidade do cosmos eram donas do poder sobre a vida e a morte, o bem o mal, o amor e a cólera, o princípio e o fim.
As primeiras rainhas
Do mito à história, através do exemplo de grandes rainhas da Antigüidade, exaltamos o comando de mulheres negras sobre seus povos. Assim, evocamos a primeira rainha:
HATSHEPSUT (1503 -1482 antes de Cristo)
A Rainha mais habilidosa de uma Antiguidade distante, Hatshepsut subiu ao poder depois que seu pai, Thutmose I, que estava com paralisia. Ele designou Hatshepsut como sua principal ajudante e herdeira para o trono. Enquanto vários rivais masculinos buscavam o poder, Hatshepsut resistiu aos desafios deles para permanecer líder daquela que era até então a principal nação do mundo. Para ajudar a aumentar sua popularidade com o povo do Egito, Hatshepsut teve vários templos espetaculares e pirâmides erguidas. Algumas das altíssimas estruturas ainda hoje permanecem como uma lembrança da primeira governante real de uma nação civilizada. Ela realmente foi "A Rainha mais Habilidosa de uma Antiguidade Distante" e permaneceu assim durante trinta e três anos.
TIYE - A Rainha Núbia do Egito (1415 - 1340 antes de Cristo)
Uma mulher sábia e bonita de Núbia capturou o coração do faraó, e assim ela mudou o curso da história. Amenhotep III, jovem dirigente egípcio, foi tão levado pela beleza, intelecto e vontade de Tiye, que ele desafiou os sacerdotes e os costumes de sua nação, proclamando esta, cidadã de Núbia como sua cônjuge real. Ele expressou publicamente de várias maneiras seu amor por sua linda rainha negra, fazendo dela uma pessoa célebre e rica em seus próprios direitos. Ele tomava vários conselhos dela em assuntos políticos e militares e depois declarou que, como ele tinha a tratado em vida, assim ela deveria ser descrita na morte, a sua igualdade.
NEFERTARI- Rainha Núbia de Egito (1292 - 1225 antes de Cristo)
Uma das muitas grandiosas rainhas da Núbia, Nefertari é anunciada como a rainha que se casou para a paz. O matrimônio dela com o Rei Ramesés II do Egito, um dos últimos grandes faraós egípcios, começou estritamente como um movimento político, com o poder sendo compartilhado entre dois líderes. Isso não só se transformou em um dos maiores casos de amor na realeza da história, mas colocou um fim na guerra dos 100 anos entre Núbia e Egito. Mesmo até hoje, um monumento permanece em honra da Rainha Nefertari. Na realidade, o templo que Ramesés construiu para ela em Abu Simbel, é uma das maiores e mais belas estruturas construídas para honrar uma esposa e celebrar paz.
A Rainha Amamishaketeu capitulo a parte:.
A rainha Amanirenas reinou na cidade Meroé e quando o imperador romano Augustus tentou impor um imposto aos cushitas, Amanirenas e seu filho Akinidad, realizaram um ataque violento a um forte romano na cidade Asuan. Augustus mandou as tropas romanas; comandadas pelo general Peroneus, retaliaram, mas, encontraram uma forte resistência de Amanirenas comandando as tropas que derrotou os romanos e os obrigaram a negociar a paz. Os cushitas detiveram o avanço dos romanos na África, e colocaram um busto de César Augustus enterrado debaixo de uma entrada em um templo. Nesta maneira, todos que entraram pisariam em sua cabeça.
A Rainha Amamishakete e seu companheiro.
A rainha Amanirenas era alta, muito forte e cega de um olho; venceu as tropas romanas no ano 23 a.C., obrigando Roma a trocar embaixadores e fecharam um acordo, onde Roma devolveu um território cushita, anteriormente pago em imposto. Outras rainhas também enfrentaram as tropas romanas.
O exército africano de Cush derrotou inimigos egípcios, gregos e romanos.
A civilização de Cush, com seu alfabeto, comércio e triunfos arquitetônicos é considerada por alguns estudiosos, como superior às civilizações mais desenvolvidas do mundo antigo.
MAKEDA- Rainha de Sheba (ou Sabá) (960 A.C.)
Ela deu para o rei 120 talentos de ouro, variados temperos e pedras preciosas; lá não chegou mais nenhuma abundância de temperos como estes que a Rainha de Sheba deu ao Rei Salomão ". (Reis, 10:10) A passagem Bíblica recorre aos presentes que Makeda apresentou ao Rei Salomão de Israel em sua famosa viagem para visitar o monarca de Judá. Mas o presente de Makeda para Solomon se estendeu além de objetos materiais; ela também lhe deu um filho, Menelik I. A notável semelhança do menino com o avô (o grande Rei Davi) incitou Salomão a re-batizar Menelik. Salomão mais tarde re-nomeou seu filho como seu próprio pai, o Rei Davi.
NEFERTITI
No século 14 antes de Cristo, Nefertiti reinou no Egito por mais de uma década durante o apogeu de uma civilização que influenciou toda a humanidade. Reverenciada por sua beleza, governou ao lado de Amenófis IV (Akhenaton) com status equivalente ao dele. Juntos, implementaram reformas culturais e religiosas, dentre elas o culto ao Deus Sol Aton. Foi imortalizada em templos mais do que qualquer outra rainha egípcia.
CLEÓPATRA VI I- Rainha do Egito (69 - 30 antes de Cristo)
A mais famosa das sete matriarcas com este nome, Cleópatra subiu ao trono aos dezessete anos. A jovem rainha é freqüentemente retratada de forma errada como uma caucasiana (raça branca), porém ela tinha descendência grega e africana. Dominando vários idiomas diferentes e vários dialetos africanos, ela foi um importante instrumento além das fronteiras do Egito. Esforçou-se para dar ao Egito a supremacia mundial, Cleópatra recrutou os serviços militares de dois grandes líderes romanos. Ela persuadiu Júlio César e, depois, Marco Antônio para renunciar as submissões romanas deles para lutar em nome do Egito. Porém, cada um conheceu a morte assim que os sonhos de conquistas de Cleópatra se realizaram. Desanimada, Cleópatra se matou, colocando um fim na vida da rainha africana.
NZINGA - Rainha Amazona de Matamba, África Ocidental (1582 - 1663)
Muitas mulheres estiveram entre as grandes dirigentes da África, inclusive esta rainha angolana que era uma astuta diplomata e se sobressaiu bem como líder militar. Quando os escravizadores portugueses atacaram o exército do reino de seu irmão, Nzinga foi enviada para negociar a paz. Com habilidade surpreendente e tato político ela se impôs, apesar do fato de seu irmão ter matado uma criança dela. Mais tarde ela formou seu próprio exército contra os portugueses, e empreendeu uma guerra durante quase trinta anos. Estas batalhas viram um momento sem igual na história colonial quando Nzinga aliou sua nação aos os holandeses, fazendo assim a primeira aliança européia africana contra um opressor europeu. Nzinga continuou com sua considerável influência entre seus assuntos, apesar de estar em exílio forçado. Por causa de seu apelo pela liberdade e seu direcionamento para trazer a paz ao seu povo, Nzinga permanece como um forte símbolo de inspiração, além de ter sido uma mulher a frente do seu tempo pois havia sido educada por padres e com isso sabia ler e escrever, fato raro na época.
NANDI- Rainha da Terra Zulu (1778 - 1826)
O ano era 1786. O rei da terra Zulu era jubiloso. Sua esposa, Nandi, tinha dado luz a seu primeiro filho, que eles chamaram Shaka. Mas as outras esposas do Rei, que era ciumento e frio, o pressionaram a banir Nandi e o jovem menino em exílio. Firme e orgulhosa, ela criou seu filho com o tipo de treinamento e orientação que um herdeiro real deveria ter. Depois ela e seu filho foram finalmente recompensados e mais tarde Shaka retornou para se tornar o maior de todos os Reis Zulus. Até hoje o povo Zulu usa seu nome, "Nandi”, para se referir a uma mulher de alta estima.
NEHANDA - Guerreira do Zimbábue
Nascida em uma família religiosa, Nehanda exibiu liderança notável e habilidades organizacionais, e jovem se tornou uma das líderes religiosas mais influentes do Zimbábue. Quando os colonos ingleses invadiram o Zimbábue em 1896 e começaram a confiscar a terra e o gado, Nehanda e outros líderes declararam guerra. A princípio eles alcançaram grande sucesso, mas como os materiais se esgotaram, foram vencidos no campo de batalha. Nehanda foi capturada, culpada e executada por ordenar a matança de um notável e cruel chefe nativo. Apesar de estar morta por quase cem anos, Nehanda permanece o que ela era quando viva - a única pessoa mais importante na história moderna do Zimbábue, e ainda é chamada de Mbuya (avó) Nehanda por patriotas do Zimbábue.
Negras Guerreiras: Constância de Angola, Zacimba Gaba, Mariana Criola, Felipa Maria, Teresa Rainha, Sabrina da Cruz, Teresa de Quatiretê, Luiza Mahin, são alguns outros exemplos de comando e resistência que continuaram a florescer por outras eras e civilizações. Várias luas se ergueram e se puseram no céu do continente negro. Um dia, rainhas e princesas de tribos e reinos se viram obrigadas ao trabalho forçado no novo mundo. Mas foi ali que fizeram multiplicar o sangue de muitas guerreiras, tornando–se quilombolas. Em terras tão distantes, ligadas ao passado, mulheres negras geraram o valor da bravura herdada de suas ancestrais.
A palavra liberdade ganhou um significado mítico no Brasil, dando um novo sentido à vida levada entre a clausura e o trabalho forçado. Para elas, ser livre era também reverenciar seus costumes, reviver o passado soberano, encenar a memória dos seus antepassados. Em folguedos, foram eternizadas na glória real da corte negra. No novo continente, há o despertar para o misticismo trazido do outro lado do Atlântico. A construção da identidade africana no Brasil encontra nas celebrações e ritos toda uma reverência à mulher como mediadora entre os deuses e a humanidade.
Assim, tornaram-se as grandes mães negras como Mãe Menininha do Gantois(gantuá)e muitas outras sacerdotisas que exerceram o poder espiritual trazido de África por suas ancestrais no novo mundo.
Majestade, soberana, guardiã da sagrada chama da vida. Derrama teu talento ao interpretar a história da raça; enfeitiça os sentidos com tua beleza negra, libertando corpo e alma. Eleva-te ao panteon das matriarcas ancestrais da África e invoca a rainha dentro de ti. Resgata a força feminina das guerreiras imortais, Rainhas Mães de todos os tempos, para abençoar e iluminar teus filhos, emanando o Axé, força que permite a realização da vida: que assegura a existência dinâmica; que possibilita os acontecimentos e as trasformações.
FONTES:Guetto/www.starnews2001.com.br/www.afroasia.ufba.br/www.dogon.lobi.ch/www.casadasafricas.org.br/www.firmaproducoes.com/LOPES, Nei. Enciclopédia Brasileira da Diáspora Africana, São Paulo: Selo Negro, 2004/civilizacoesafricanas.blogspot.com.
Texto extraído do site da UNegro Rio de Janeiro - http://unegroriodejaneiro.blogspot.com.br
terça-feira, 20 de novembro de 2012
segunda-feira, 19 de novembro de 2012
Samora Machel
Samora Moisés Machel GColIH
(Madragoa, Gaza, 29 de Setembro de 1933
— Montes Libombos, 19 de Outubro de 1986)
foi um militar moçambicano, líder revolucionário de inspiração socialista, que liderou a Guerra
da Independência de Moçambique e se tornou o seu primeiro presidente
após a sua independência,
de 1975 a 1986.
Carinhosamente conhecido como "Pai da
Nação", morreu quando o avião em que regressava ao Maputo se despenhou em território sul-africano.Em 1975-1976
foi-lhe atribuído o Prémio Lénine da Paz.
Juventude
Samora Moisés Machel nasceu em 29 de setembro de
1933 em Madragoa, na Gaza. Filho
de um agricultor relativamente abastado, Mandande Moisés Machel, da aldeia de
Madragoa (actualmente Chilembene), Samora entrou na escola primária com nove
anos, quando o governo colonial português entregou a "educação
indígena" à Igreja Católica. Quando terminou a escola
primária, o jovem de cerca de 18 anos quis continuar a estudar, mas os padres
só lhe permitiam estudar teologia e Samora
decidiu ir tentar a vida em Lourenço Marques,
actual Maputo. Teve a sorte de encontrar trabalho
no Hospital Miguel Bombarda (o principal hospital da cidade) e, em 1952,
começou o curso de enfermagem. Em 1956,
foi colocado como enfermeiro na ilha da Inhaca, em frente da cidade de Maputo, onde casou com
Sorita Tchaicomo, de quem teve quatro filhos: Joscelina, Edelson, Olívia e
Ntewane.
Neto de um guerreiro de Gungunhana, Samora Machel foi educado como
nacionalista e, como estudante, foi sempre um «rebelde» e tomou conhecimento
dos importantes acontecimentos que se davam no mundo: a formação da República
Popular da China com Mao Tse-Tung, em 1949,
a independência do Gana com Kwame Nkrumah, em 1957,
seguida da independência de vários outros países africanos. Mas foi o seu encontro com Eduardo Mondlane, de visita a Moçambique em
1961
e que nessa altura trabalhava no Departamento de Curadoria da ONU
como investigador dos acontecimentos que levavam à independência dos países
africanos, que, juntamente com a perseguição política de que estava a ser alvo,
levou à decisão de Samora de abandonar o país em 1963
e juntar-se à FRELIMO na Tanzânia. Para lá chegar, teve a sorte de,
no Botswana, encontrar Joe Slovo (que, mais
tarde, foi presidente do Partido Comunista Sul-Africano) com um grupo de
membros do ANC
sul-africano, os quais lhe ofereceram
transporte num avião que tinham fretado.
Na
FRELIMO
Dado que, nessa altura, já a FRELIMO tinha chegado à conclusão de que
não seria possível conseguir a independência de Moçambique sem uma guerra de
libertação, o jovem enfermeiro Samora Machel foi integrado num grupo de
recrutas para receber treino militar na Argélia. No seu regresso à Tanzânia,
ascendeu imediatamente ao posto de comandante Em Novembro de 1966,
na sequência do assassinato de Filipe Samuel Magaia, então Chefe do
Departamento de Defesa e Segurança da Frelimo (o órgão que comandava a luta
armada), Samora foi nomeado chefe do novo Departamento de Defesa, com as mesmas
funções do anterior, enquanto Joaquim Chissano era nomeado chefe do
Departamento de Segurança, tratando dos problemas de espionagem que minavam o
movimento.
Em 1967, Samora Machel criou
o Destacamento Feminino (DF) para envolver as mulheres moçambicanas na luta de
libertação e, em 1969, casou-se oficialmente com Josina Muthemba, uma guerrilheira (com
ensino secundário) do DF, de quem teve um filho, Samora Machel Jr.
Josina morreu de leucemia, a 7 de Abril de 1973.
Em sua homenagem, depois da independência de Moçambique, o antigo Liceu Salazar,
na capital, passou a chamar-se «Escola Secundária Josina Machel» e o 7 de Abril
tornou-se feriado nacional (Dia da Mulher Moçambicana).
Em 1968, foi reaberta a
«Frente de Tete», a forma como Samora respondeu a dissidências dentro do
movimento, reforçando a moral dos guerrilheiros.
Em 3 de Fevereiro de 1969,
Eduardo Mondlane, então presidente da FRELIMO, foi assassinado com uma
encomenda-bomba. O vice-presidente, Uria Simango, assumiu a presidência, mas o
Comité Central, reunido em Abril, decidiu rodeá-lo de duas figuras – Machel e Marcelino dos
Santos –, formando um triunvirato. Em Novembro desse ano, Simango
publicou um documento dando apoio aos antigos dissidentes (que não tinham sido
ainda afastados do movimento) e acusando Samora e vários outros dirigentes de
conspirarem para o matar. Em Maio de 1970, noutra sessão do
Comité Central, Simango foi expulso da FRELIMO e Samora Machel foi eleito
Presidente, com Marcelino como Vice-Presidente. Segundo certos investigadores
da actualidade, Samora Machel não foi eleito após a morte de Mondlane, mas
ascendeu ao poder por circunstâncias associadas à situação que a FRELIMO então
atravessava. Como corolário, a violação dos estatutos do movimento, ao não
aceitar que Uria Simango fosse presidente da Frelimo após a morte de Eduardo
Mondlane em 1969.
Preparativos
para a Independência
Nos anos seguintes, até 1974,
Samora conseguiu organizar a guerrilha, de forma a neutralizar a ofensiva
militar portuguesa – comandada pelo General Kaúlza de Arriaga,
um homem de grande visão militar, a quem foi dado um enorme exército de
70 000 homens e mais de 15 000 toneladas de bombas –, e a organizar
aquelas a que a FRELIMO chamava «zonas libertadas». Na verdade, a FRELIMO
chamava «libertadas» a quaisquer zonas de algum modo afetadas por ações bélicas
e que abrangiam cerca de 30% do território. Como as ações bélicas eram
essencialmente potenciais ou muito ligeiras na maioria dos casos, estando o
verdadeiro foco da guerra confinado a bolsas bem restritas das províncias
(então «distritos») de Cabo Delgado, Niassa e Tete, as «zonas
libertadas» – ou melhor, as zonas sob o efetivo controlo da FRELIMO – não
tinham a dimensão que esta reivindicava.
Samora dirigiu também uma ofensiva diplomática
em que granjeou apoios, não só dos aliados socialistas, mas inclusive do Vaticano, um aliado tradicional de Portugal (o Papa
era então Paulo VI).
A seguir ao golpe-de-estado militar de 25 de Abril de 1974 («Revolução dos
Cravos»), em Portugal, que tivera como causa imediata a incapacidade
de resolver a questão colonial pelas armas, o Ministro dos Negócios
Estrangeiros português, Mário Soares,
encabeçou uma delegação a Lusaca, em que propôs à
FRELIMO o cessar-fogo e um referendo para
decidir se os moçambicanos (certamente incluindo os habitantes de origem
portuguesa) queriam a independência, conforme pretendia o General António de Spínola,
primeiro Presidente da República Portuguesa depois do 25 de Abril. Samora
recusou, afirmando que «a paz é inseparável da independência», e expandiu as
operações militares, contando com a desmotivação dos militares portugueses, aos
quais o 25 de Abril prometera o fim da guerra. Em
Julho, aproveitando a inação em que as forças armadas portuguesas tinham caído,
cercou um destacamento, que se rendeu, no posto de Omar, junto à fronteira da
Tanzânia. Entretanto, a ala mais radical do Movimento
das Forças Armadas (MFA), que fizera o golpe de 25 de Abril de 1974 em Portugal, chamou a
si as negociações com os movimentos autonomistas das colónias. Com a mudança de
atitude de Lisboa, acabou por ser assinado, em 7 de Setembro de 1974,
o Acordo de Lusaca, entre o governo provisório português (cuja delegação era
então dirigida por Melo Antunes,
Ministro sem Pasta) e a FRELIMO. Nos termos deste acordo, formar-se-ia no mesmo
mês um governo de transição, com elementos nomeados por Portugal e pela
FRELIMO, e a independência teria lugar a 25 de Junho de 1975.
A FRELIMO decidiu que o primeiro-ministro do governo
de transição não devia ser Samora, mas Chissano, ainda chefe do Departamento de
Segurança. Entretanto, Samora fez várias viagens aos países socialistas e a
países vizinhos de Moçambique, para agradecer o seu apoio durante a luta armada
e solicitar apoio para a construção do Moçambique independente. Durante uma
sessão do Comité Central, realizada na praia do Tofo (Inhambane) e dirigida por Samora, foi
aprovada a Constituição da
República Popular de Moçambique e decidido que Samora Machel seria o Presidente
da República.
Consolidação
do poder
Ainda antes da independência, sob a vigência do
governo de transição partilhado com Portugal, a FRELIMO cilindrou toda a
oposição. Os antigos militantes Lázaro Nkavandame, Uria Simango, Paulo Unhai,
Kambeu e Padre Mateus Gwengere foram detidos, a pretexto de se terem aliado a
elementos da comunidade branca no levantamento de 7 de Setembro de 1974 contra a entrega do
poder à FRELIMO (Mateus Gwengere foi raptado no Quénia, onde se encontrava
exilado, e trazido secretamente para Moçambique).[1] A mesma onda apanhou Joana Simeão
que, apesar de nunca ter pertencido à FRELIMO, criara um partido (GUMO – Grupo
Unido de Moçambique) alegadamente de tendências pró-ocidentais, propondo um
modelo baseado no pluralismo e no mercado livre (ironicamente, a FRELIMO viria
a adotar esse modelo anos mais tarde, quando acabou por renunciar ao marxismo).
Classificados como «traidores» e «inimigos», foram sujeitos a um julgamento
sumário presidido pelo próprio Machel nos moldes ditos «revolucionários» e
«populares».
Segundo revelam os jornalistas José Pinto de Sá
e Nélson Saúte no diário português «Público», Joana Simeão, o reverendo Uria
Simango, Lázaro Nkavandame, Raul Casal Ribeiro, Arcanjo Kambeu, Júlio Nihia,
Paulo Gumane e o padre Mateus Gwengere encontravam-se internados no «campo de
reeducação» de M’telela, no Niassa (noroeste de
Moçambique), quando, a 25 de junho de 1977
(segundo aniversário da independência de Moçambique), lhes foi comunicado que
iriam ser transportados para a capital, Maputo, onde o presidente Samora Machel discutiria a sua
libertação. Seguiam numa coluna de jipes que, a dada altura, parou. À beira da
picada, os soldados tinham aberto com uma escavadora mecânica uma grande vala e
tinham-na enchido parcialmente de lenha. Amarraram os prisioneiros,
atiraram-nos para dentro da vala e regaram-nos com gasolina, ateando-lhes fogo. Os
prisioneiros políticos da Frelimo foram queimados vivos, enquanto os soldados
entoavam hinos revolucionários em redor da vala. Só dezoito anos mais tarde, em
1995,
vieram a lume os macabros pormenores do massacre, perante o silêncio da
Frelimo, cujos sucessivos governos se tinham até então sistematicamente negado
a fornecer informações sobre o paradeiro daqueles elementos do chamado «grupo
dos reacionários».
Um outro dissidente da FRELIMO, Miguel Murupa,
conseguiu refugiar-se em Portugal, tal como Máximo Dias (n.º 2 do GUMO) e dois
antigos contestatários do regime colonial, Domingos Arouca e Pereira Leite. O
advogado Willem Gerard Pott, com atividade considerada progressista durante a
época colonial, caiu em desgraça por não demonstrar fidelidade incondicional à
FRELIMO, acabando por morrer na prisão em consequência de tratamentos
aviltantes (como, por exemplo, ser obrigado a correr semi-nu na via pública).
A mudança
de política de Machel em relação aos Portugueses
É quase consensualmente admitido que uma das
principais razões do colapso da economia moçambicana após a independência foi a
partida precipitada da maioria dos cerca de 200 000 Portugueses residentes
no país nas vésperas do 25 de Abril de 1974,
e que esse êxodo terá sido provocado por uma mudança brusca de atitude por
parte de Samora Machel.
Com efeito, o governo de transição que iria
dirigir o país entre o acordo de cessar-fogo (assinado a 7 de Setembro de 1974
em Lusaca) e a independência (prevista para 25 de Junho do ano seguinte)
tinha-se mostrado bastante conciliador. O primeiro-ministro, Joaquim Chissano
(que se tornaria presidente da República depois da morte de Machel, doze anos
mais tarde), conseguiu convencer a maior parte dos brancos de que somente os
que tivessem graves responsabilidades nas páginas mais sombrias da época colonial
poderiam recear o governo da Frelimo.
Um mês antes da independência, ou seja, em
meados de Maio de 1975, Samora Machel entrou em Moçambique pela fronteira
norte, vindo da Tanzânia, e encetou um
périplo com destino à capital, situada no extremo sul, aonde deveria chegar na
véspera da independência. Ao longo dessa viagem, inflamava literalmente as
massas com os seus discursos, nos quais não cessava de repisar os aspectos mais
odiosos e humilhantes do colonialismo na perspectiva dos colonizados. O
mal-estar instalou-se progressivamente entre a comunidade portuguesa, numerosos
membros da qual decidiram ir refazer a vida noutras paragens.
Têm sido propostas diversas explicações para
esta mudança de atitude. No seu livro Quase Memórias, o Dr. António de
Almeida Santos, célebre advogado de Lourenço Marques que, após a
queda do regime de Marcello Caetano, foi Ministro da Coordenação
Interterritorial e que conheceu Machel de perto, sustenta que o presidente da
Frelimo teria sido muito afectado por dois episódios de violência, o primeiro
dos quais causado por um levantamento na capital, com tomada das instalações do
Rádio Clube de
Moçambique, na sequência da assinatura do Acordo de Lusaca de 7 de
Setembro de 1974 entre o governo provisório português e a FRELIMO, prevendo a
concessão do poder, sem partilha, ao movimento nacionalista: este levantamento
foi dirigido pela FICO (Frente Integracionista de Continuidade Ocidental), um
movimento maioritariamente branco ao qual se tinham aliado dissidentes da
FRELIMO e outros membros da comunidade negra que não viam com bons olhos a
instauração de um regime de partido único em nome da FRELIMO. Como represália,
eclodiram então motins sangrentos nos bairros negros da cidade e, durante
vários dias, milhares de habitantes, sobretudo portugueses, foram barbaramente
massacrados por apoiantes da FRELIMO. O segundo episódio de violência ocorreu
poucas semanas mais tarde, a 21 de Outubro de 1974, na sequência de uma querela
entre comandos portugueses e guerrilheiros da
FRELIMO, provocando também motins sangrentos nos bairros de maioria negra, com
o assassinato de dezenas de brancos e negros. Segundo Almeida Santos, Machel ter-se-ia
possivelmente convencido de que a presença de uma numerosa comunidade
portuguesa em Moçambique constituiria sempre uma fonte de instabilidade e uma
ameaça potencial contra o poder da FRELIMO. A isso ter-se-iam juntado as
pressões da União Soviética,
para com quem a FRELIMO tinha contraído uma pesada dívida, sobretudo política,
e que teria interesse em se desembaraçar dos Portugueses a fim de melhor
exercer a sua influência a todos os níveis.
A
presidência
No plano interno, Samora sempre assumiu uma
política autocrática e populista, tentando
utilizar nos meios urbanos os métodos usados na guerrilha e promover o
desenvolvimento do país em bases socialistas, com repressão de qualquer
dissidência interna. Menos de um mês depois da independência, Samora anunciou a
nacionalização da saúde, da educação e da justiça; passado um ano, a
nacionalização das casas de rendimento, criando a APIE
(Administração do Parque Imobiliário do Estado),[1] que alugava as casas com rendas
de acordo com o rendimento do agregado familiar. Lançou grandes programas de socialização
do campo, com o apoio dos países socialistas, envolvendo-se pessoalmente numa
campanha de colheita do arroz. Conseguiu ainda o apoio popular, principalmente
dos jovens, para operações de grande vulto, tais como o recenseamento da
população, em 1980, e a troca da moeda colonial pela nova
moeda, o metical, no mesmo ano. Outras políticas
populares foram as «ofensivas» a favor do aumento da produtividade e contra a
corrupção, geralmente anunciadas em grandes comícios, para os quais a população
era maciçamente convocada.
No entanto, poucas destas campanhas tiveram
êxito e, em parte, levaram à partida de grande número de residentes de origem
estrangeira, portugueses na sua maioria, o que provocou a paralisação
temporária de muitas empresas e, mais tarde, por falta de capacidade de gestão,
o colapso de muitos setores, como as indústrias têxtil, metalúrgica e química.
Outras medidas impopulares foram o encarceramento nos chamados «campos de
reeducação» das Testemunhas de
Jeová, dos «improdutivos» e das prostitutas e a colocação em locais remotos
de jovens com cursos superiores, medidas com o alegado objectivo de desenvolver
regiões onde havia pouca população. A instalação do aparelho policial e
repressivo gerou também desencanto entre a população, sobretudo urbana, em
expansão rápida nos anos 70 e 80, e as próprias bases do partido Frelimo.
Sob a iniciativa do SNASP
(Serviço
Nacional de Segurança Popular) e da PIC
(Polícia de Investigação Criminal), proliferaram as detenções, quer em
penitenciárias tradicionais, como a da Machava, quer em «campos de reeducação»
perdidos no mato do Norte e do Centro do país. A própria primeira mulher de
Machel, que ele abandonara quando partira para a Tanzânia em 1963, foi detida,
mau grado a sua ausência total de atividade política. A vida quotidiana dos
cidadãos passou a ser vigiada pelos «grupos dinamizadores», células de controlo
criadas a nível dos bairros e locais de trabalho.
Foi imposta uma reforma agrária, que visava
agrupar os camponeses em «aldeias comunais» segundo o modelo dos kolkhozes e
sovkhozes. Para o efeito, o novo regime moçambicano não hesitou em utilizar os
antigos «aldeamentos», pequenos aglomerados nos quais o exército português
tentara confinar a população rural, tradicionalmente dispersa em unidades
unifamiliares no campo, a fim de a subtrair à influência da FRELIMO nas zonas
do Norte afectadas pela guerra (paradoxalmente, a própria FRELIMO classificava
então esses «aldeamentos» como «campos de concentração»). A reforma agrária
baseada no conceito das «aldeias comunais» redundou num fiasco colossal.
Na frente externa, Samora sempre seguiu uma política
de angariar amizades e apoio para Moçambique, não só entre os «amigos»
tradicionais, os países do «bloco soviético» e os
países vizinhos unidos numa frente de integração regional, a SADCC, mas até
entre os seus «inimigos», sendo inclusivamente recebido (embora com frieza) por
Ronald Reagan e tendo assinado um acordo de
boa-vizinhança com Pieter Botha, presidente da África do Sul nos últimos anos do apartheid (o Acordo de Nkomati). Apesar disso, Samora
não conseguiu suster a guerra que, iniciada logo a seguir à independência pelos
vizinhos regimes racistas (a África do Sul e a Rodésia de Ian Smith), se tornou uma verdadeira guerra
civil dirigida por um movimento de resistência armada (a RENAMO). A guerra civil durou 16 anos, provocou cerca de
um milhão de mortos e cinco milhões de deslocados e destruiu grande parte das
infraestruturas do país.
A partida da comunidade portuguesa, o insucesso
da política de socialização e a guerra levaram a um colapso económico, e
Samora, nos últimos anos, teve de abrandar a política de orientação comunista,
permitindo aos «quadros» acesso a bens que estavam vedados ao comum dos cidadãos,
encetando conversações com a RENAMO e, finalmente,
organizando acordos com o Banco Mundial e
o FMI,
no sentido de estancar a guerra e relançar a economia.
A 30 de Agosto de 1982 recebeu o Grande-Colar da
Ordem do
Infante D. Henrique.[4]
Morte
Samora Machel não conseguiu, no entanto, ver
realizados os seus propósitos, uma vez que, em 19 de Outubro de 1986,
quando se encontrava de regresso de uma reunião internacional em Lusaka, o Tupolev 134 cedido pela União Soviética
em que seguia, junto com muitos dos seus colaboradores, se despenhou em
Mbuzini, nos montes Libombos (território
sul-africano, perto da fronteira com Moçambique). O acidente foi atribuído a
erros do piloto russo, mas ficou provado que este tinha seguido um rádio-farol,
cuja origem não foi determinada. Este facto levou a especulações sobre uma
possível cumplicidade do governo sul-africano, que nunca se conseguiu provar.
Em 2010, o jornalista português José Milhazes, que
vive em Moscovo desde 1977
e trabalha atualmente para o diário português Público
e como correspondente da cadeia portuguesa de televisão SIC,
publicou o livro «Samora Machel: Atentado ou Acidente?»[5], no qual sustenta que a queda do
avião nada teve a ver com um atentado ou uma falha mecânica, mas sim com
diversos erros da tripulação russa: em lugar de executar corretamente as
operações de voo, os membros da tripulação, incluindo o piloto, estavam
entretidos com futilidades, como a partilha de bebidas alcoólicas e outras, que
não era possível obter em Moçambique e que eles traziam da Zâmbia. Segundo
Milhazes, tanto os soviéticos como os moçambicanos teriam interesse em divulgar
a tese de um atentado perpetrado pelo governo racista da África do Sul: a URSS
quereria salvaguardar a sua reputação (qualidade mecânica do aparelho e
profissionalismo da tripulação), ao passo que o governo de Moçambique quereria
criar um herói.
No entanto, em 2007,
Jacinto Veloso, um dos mais fieis aliados de Machel no seio da Frelimo, tinha
já publicado as suas Memórias em Voo Rasante [6], nas quais sustenta que a morte
do presidente de Moçambique se deveu a uma conspiração entre os serviços
secretos sul-africanos e os soviéticos, que, uns e outros, teriam razões para o
eliminar.
Segundo Veloso, o embaixador soviético pediu
certa vez uma audiência ao Presidente para lhe comunicar a apreensão da URSS
face ao aparente «deslizamento» de Moçambique para o Ocidente, ao que Machel
teria respondido «Vai à merda!», ordenando em seguida ao intérprete que
traduzisse e abandonando a sala. Convencidos de que Machel se afastara
irrevogavelmente da sua órbita, os soviéticos não teriam hesitado em sacrificar
o piloto e toda a equipagem do seu próprio avião.
A viúva de Samora, Graça Machel (Simbine de seu nome de
solteira), com quem ele se casara em 1977 sendo ela Ministra da
Educação, casou-se em 1998 com Nelson Mandela.
Assembleia aprova proposta de calendário letivo único e paralisação nos dias 20 e 27 de novembro
Em assembleia realizada na manhã desta quarta-feira, 14 de novembro, a categoria decidiu que o calendário letivo para 2013 deve ser ÚNICO – como propõe a APLB-Sindicato – e não dois, como pretende o governo estadual.
Os professores decidiram também fazer duas paralisações. Uma na próxima terça-feira, 20 de novembro (Dia Nacional da Consciência Negra) e realizar uma manifestação, seguida de passeata, saindo da Praça do Campo Grande e indo até a Estátua de Zumbi (Praça da Sé). A concentração na Praça do Campo Grande será às 15 horas.
A outra paralisação será realizada com assembleia no dia 27 de novembro, às 9 horas. O local ainda está indefinido (se houver agenda, será na quadra de esportes do Sindicato dos Bancários, na Ladeira dos Aflitos, em Salvador, onde foi realizada a assembleia desta quarta, 14).
Calendário do ano letivo 2013, proposto pela APLB-Sindicato e aprovado na assembleia:
Porto Sul: poder econômico vence a natureza
Como
era de se esperar o Ibama concedeu licença prévia para a construção de um
terminal de uso privativo da empresa Bahia Mineração (Bamin) e de um terminal
de uso público, o chamado Porto Sul. Para conceder a liberação, o Ibama impôs ao governo baiano e à Bamin o
atendimento a 19 ações compensatórias, além da implantação de 34 programas
ambientais.
Com um investimento de R$ 2,6
bilhões e a geração de 2,5 mil empregos diretos e indiretos, o Porto Sul será o
ponto final da Ferrovia de Integração Oeste-Leste (FIOL), obra do Governo
Federal que ligará a cidade de Figueirópolis, no Tocantins, a Ilhéus, na Bahia.
Incluída entre as prioridades do Programa de Aceleração do Crescimento (PAC), a
FIOL terá 1.527 km de extensão, investimento estimado em R$ 7,43 bilhões, e
passará por 32 municípios baianos. O Porto Sul será construído no litoral norte
de Ilhéus, entre as localidades de Aritaguá e Sambaituba.
O
empreendimento degradará 1.224,9 hectares com a retroárea, ponte de acesso
marítimo, píer com quebra mar há 3,5 quilômetros da costa, acesso terrestre e dragagem
de 16,5 milhões de metros cúbicos. O
impacto ambiental e socioeconômico são inestimáveis. Contudo, poderia ser bem pior,
uma vez que a pretensão inicial era de ser instalado na APA (Área de Proteção Ambiental)
na Lagoa Encantada que abrange o litoral norte do município de Ilhéus, além dos municípios
de Uruçuca, Itajuípe, Coaraci e Almadina, no Litoral Sul da Bahia, com uma área
de 157.745 hectares, fazendo parte da bacia hidrográfica do Rio Almada. Depois de transferido para o Distrito de Aritaguá a área pretendida
era bem maior de 4.833 e foi reduzida para 2.268
hectares.
A reação dos
entes contrários ao Porto Sul continua. Contudo, a esta altura é quase
impossível barrar o processo. Dentro das compensações, é de bom alvitre a
criação de parques nacionais de preservação da Mata Atlântica no Sul da Bahia.
Fonte: http://www.bahianegocios.com.br
e Jornal Agora - 3402
Avança projeto de privatização de rodovias e cobrança de pedágios
Por Jorge Barbosa*
O governo federal anunciou a concessão a iniciativa privada pelo
prazo de 25 anos da BR 040 com 936,8 quilômetros de extensão entre Brasília -DF
e Juiz de Fora (MG). Também o trecho da rodovia BR 116 com 817 quilômetros,
todos em Minas Gerais, entre as divisas da Bahia e do Rio de Janeiro.
Em
nosso Estado já foram privatizadas a BR 116 (Rio-Bahia), a BR 324
(Feira-Salvador), a BA-093, (em Mata de São João e Simões Filho), a
BA-524, (Simões Filho), a BA-535 (Via Parafuso) e a BA-526 (CIA/Aeroporto/Salvador).
Além da Linha Verde (Salvador-Aracaju) que nasceu privatizada.
A presidente Dilma Rousseff avalia entregar novo lote de estradas
federais para a administração do setor privado. Ela recebeu estudos para fazer
nova rodada de concessões rodoviárias, que inclui pelo menos quatro trechos
considerados estratégicos na malha brasileira: BR-101 (na Bahia), BR-163 (entre
Cuiabá e Campo Grande), BR-153 (entre Goiânia e Palmas), BR-262 (Belo
Horizonte-Vitória) e a BR 267 no
Mato Grosso do Sul.
De acordo com avaliação realizada pela
Confederação Nacional dos Transportes (CNT) o Brasil tem a maior malha de
rodovias privatizadas do mundo, contudo apenas 92.747 km de estradas asfaltadas
e metade delas em condição regular, ruim ou péssima.
Grande
parte do que se vê de estradas no país está nas mãos da iniciativa privada,
todavia apenas 12% das rodovias estão pavimentadas. Em comparação com outros
países o Brasil está muito longe de ter ótimas estradas. Nos Estados Unidos,
por exemplo, 67% das rodovias são asfaltadas. Na Índia, a malha pavimentada é
equivalente a toda malha brasileira, de 1,7 milhão de km.
O projeto também avança
para vias urbanas como já acontece no Rio de Janeiro e São Paulo. Em Salvador
durante a campanha eleitoral o tema foi debatido e tanto ACM Neto do DEM quanto
Pelegrino do PT declararam-se favoráveis à cobrança de pedágio em vias da
capital.
O governo não fez os
devidos investimentos na manutenção das rodovias nem criou alternativas ao trafego
rodoviário, muito pelo contrário, destruiu a rede ferroviária e agora passa a
conta da sua incompetência mais uma vez para o contribuinte. O Estado ganha com
a concessão, desobriga-se da manutenção e o povo paga o pedágio. Por outro lado
fica a pergunta: para onde foram os recursos arrecadados pela CIDE (Contribuição de Intervenção no Domínio
Econômico incidente sobre combustíveis) e IPVA?
Está na hora do povo se
rebelar contra essa pilantragem que atenta contra o direito de ir e vir e ainda
é bitributação, uma vez que todos pagam pelo pedágio, as empresas de
transporte, os motoristas e os consumidores em geral, visto que o valor dos
pedágios é naturalmente repassado aos produtos.
*Jorge Barbosa é presidente do Sindicato dos Bancários de Itabuna
Fontes: com
informações dos sites http://www.resenhabahia.com.br
- http://www.camacaridiario.com/ - http://www.radar64.com - http://gizu.com.br/ e Jornal A Tarde de 13/11/2012
*Jorge Barbosa é presidente do Sindicato dos Bancários de Itabuna
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